quarta-feira, 14 de maio de 2014

HISTORIA DA ÀFRICA

Historia da África.

Quando os árabes começaram a ter informações sobre a África Ocidental sua civilização já tinha séculos de existência. Embora a terra, do Atlântico ao Nilo, tivesse desfrutado de contato limitado com outras partes civilizadas do mundo, grande parcela da cultura que os árabes encontraram era natural da área. É preciso acrescentar que as fontes de informações da historia, assim como a existência destes Estados é muito limitada, temos de depender de observações de viajantes, de relatos de algumas pessoas que receberam suas informações de segundas ou terceiras pessoas afastadas dos acontecimentos, e principalmente da tradição oral.
Durante séculos alguns povos autóctones não tiveram interesse por sua organização em reinos, na época não havia necessidade ou vantagem na criação de instituições políticas, outros, porém, tiveram atitudes ou necessidades diferentes e por isso formaram governos para satisfazerem àquelas necessidades. Realmente, muitos reinos, politicamente bem desenvolvidos haviam surgido e desaparecido antes que fosse estabelecido qualquer contato duradouro entre a África Ocidental e o Oriente Médio. Estes reinos apareceram mais ou menos numa mesma região geral do mediterrâneo para o sul até o Golfo da Guiné, e do Atlântico para o leste até quase o Nilo. Sucessivamente surgiram na região os reinos de Gana, Mali e Songai, juntamente com muitos outros reinos menos importantes.
O primeiro reino da África Ocidental do qual há algum registro é Gana, que se situava cerca de 800 quilômetros a noroeste de seu homônimo moderno. Era também conhecido por sua capital, Jumbi Saleh. Embora sua historia precisamente registrada não antecipa o século VII, há indicações de que a historia política e cultural remonta talvez ao próprio inicio da era cristã. As primeiras observações de Gana foram feitas quando o reino era uma confederação que se estendiam ao longo dos prados do Senegal e do alto Níger, porém, suas fronteiras não eram bem definidas.
O Povo de Gana desfrutou de certa prosperidade como agricultores, até que constantes secas estenderam o deserto às suas terras. Enquanto pode levar avante sua agricultura as hortas e alamedas de tâmaras pontilhavam o campo e houve abundância de carneiros e gado nas áreas circundantes. Aquele era  também um povo de mercadores e sua cidade principal, Kumbi Saleh, foi importante centro comercial durante a idade média. No início do século X, esteve presente a influência muçulmana do Oriente. Kumbi Saleh tinha uma zona árabe e o povo foi gradativamente aderindo ao islamismo. A prosperidade que surgiu na esteira da infiltração árabe aumentou o poder de Gana e sua influência estendeu-se em todas as direções. No Século XI, quando o rei se havia convertido ao islamismo, Gana podia gabar-se de ter um grande exército e um comércio lucrativo através do deserto. Dos países muçulmanos vinham trigo, frutas e açúcar, do deserto vinham caravanas carregadas com têxteis, bronze, pérolas e sal. Gana trocava marfim, escravos e ouro de Bambubu por esses produtos primários. O rei, reconhecendo o valor deste intercambio comercial, impôs um imposto sobre as importações e as exportações e nomeou um coletor para cuidar de seus interesses.
Sobre os governantes da dinastia Sisse, Gana chegou ao auge de seu poder,  as tribos existentes ao norte, como Tichit, na atual Mauritânia, pagavam tributos ao rei de Gana, enquanto ao sul sua influência se estendia às minas de ouro do Falémé e do Bambuk. Era a produção dessas minas que abastecia os cofres da dinastia Sisse com o ouro usado no comércio com as caravanas marroquinas. Nas distantes cidades do Cairo e Bagdá, Gana era objeto de discussão entre grupos comerciais e religiosos.
O reinado de Tenkamenin, no século XI, é um momento apropriado para se observar o reino de Gana. A partir do ano de 1062, Tenkamenin reinou sobre um vasto império que através dos impostos e outros tributos coletados pelos governadores das províncias, o tornou imensamente rico. Escritores árabes dizem que ele vivia num castelo fortificado e embelezado por esculturas, quadros e janelas decoradas pelos artistas reais. O terreno do castelo também continha templos nos quais eram cultuados deuses nativos, uma prisão na qual eram encarcerados inimigos políticos e os túmulos dos reis anteriores. O rei, altamente estimado por seus súditos, mantinha a corte com magnífico esplendor.
Durante o reinado de Tenkamenin, o povo de Gana aderiu a uma religião baseada na crença de que todos os objetos terrenos continham bons e maus espíritos que deveriam ser satisfeitos para o povo poder prosperar. O rei, naturalmente, estava na chefia da religião. Em 1076, porém, um grupo de muçulmanos denominado almorávidas invadiu Gana e colocou a área sob a influência de sua religião e de seu comércio, capturou a capital e estabeleceu o islamismo. A luta que se seguiu foi suficiente para solapar o reino de Gana. No final do Século XI Gana entrou num período de declínio econômico causado por uma série de secas que afetaram os importantes distritos de Wagadu e Bagana. Em tais circunstâncias penosas, caiu como presa fácil das levas de conquistadores que influíram para destruir o reino durante os séculos XII e XIII.  Quando Gana começou a declinar outro reino do Oeste surgiu para suplantá-lo e exercer as alturas a que havia chegado. O Mali, também chamado de Melle, começou como um reino organizado por volta do ano 1235, mas o núcleo de sua organização política remonta ao inicio do século VII. Até o século XII foi relativamente insignificante e, seus mansas ou reis, não tinham influência nem prestigio.
O crédito pela consolidação e fortalecimento do reino de Mali cabe a uma figura legendária, Sundiata Keita. Em 1240 ele dominou o povo soso, depois arrasou a antiga capital de Gana, levando os malianos às novas culturas. Conhecido pelos nomes de Gonga-Musa e Musa-Musa, este notável membro da dinastia Keita que governou de 1312 a 1337. Com o império que compreendia grande parte do que hoje é a África com idioma francês, ele podia dedicar sua atenção ao encorajamento da diligência de seu povo à exibição da riqueza de seu reino. O povo do Mali era predominantemente agrícola, mas um substancial numero de habitantes estava engajado em vários outros ofícios e na mineração. As minas de Bure, fabulosamente ricas, estavam agora à sua disposição e serviam para enriquecer os cofres reais. As melhores informações que aquele período fornece sobre o nível das realizações destes reinos vêm dos relatos das peregrinações reais a Meca. Os reis, recém convertidos à religião, eram tão fervorosos e devotos quanto qualquer árabe de sua época. Como bons muçulmanos, ansiavam por fazerem a tradicional peregrinação a Meca. Tal peregrinação, além do mais, era uma excelente oportunidade para exibir a riqueza do reino e para atrair o comércio. A histórica peregrinação de Mansa-Musa em 1324, excedeu todas aquelas feitas a Meca anteriormente por personagens de alguma outra realeza do Ocidente. El Omari, do Cairo, disse que o entourage era composto de milhares de pessoas, grande parte das quais constituía uma escolta militar. Foram prodigalizados presentes à população e construídas mesquitas onde fossem necessárias. Quando os camelos se aproximaram de Meca, sua carga estava consideravelmente mais leve do que quando eles partiram para o Oriente.
Quando Mansa-Musa morre em 1337, o Mali podia gabar-se de ser um reino político tão poderoso e tão bem organizado quanto qualquer outro naquela época. Viajando na área, alguns anos mais tarde, Ibn Batuta, o famoso geógrafo árabe, pode informar que ficou profundamente impressionado com a disciplina de suas autoridades e de seus governadores provinciais. A excelente condição das finanças públicas, o fausto, o cerimonial rigoroso e complicado das recepções reais, dispensava as decisões da justiça e à autoridade do soberano. Em meados do século XIV a Europa estava apenas começando a sentir os efeitos de sua revolução comercial, e os reinos europeus ainda não haviam conseguido nada que se parecesse com uma unidade nacional, mas o Mali, sob o reinado de Mansa-Musa e seu sucessor, Suleiman, desfrutava de uma economia florescente com boas relações comerciais e podia mostrar com orgulho um governo estável que se estendia por centenas de quilômetros do Atlântico ao lago Chad. O povo adotava uma religião estatal que tinha ligações internacionais e o ensino florescia nas muitas escolas que haviam sido criadas. Não foi, senão no século XV que o reino mostrou sinais definitivos de declínio e desintegração. Os possantes golpes dos sogai e os ataques dos mossis combinaram-se para reduzir o poderio do Mali. O declínio não continuou indefinidamente, porém, e o Mali continuou a existir por muitos anos como um pequeno reino semi-independente.
O reino que estava em posição de disputar o poderio do Mali no século XV era o Songai que já havia experimentado longa e variada carreira como um reino, pois, já a partir do século VIII, em Gao, perto da curva do rio Níger, havia permanecido durante muitos anos como um pequeno reino. De fato, caiu sob a poderosa influência do Mali e durante algum tempo seus governantes foram vassalos de Mansa-Musa e seus sucessores. Destemidos, os sogai esperaram a primeira oportunidade para se livrarem do jugo de Mali e afirmarem sua soberania. Conseguiram isso em 1355, com Sonni Ali, posteriormente fazendo Songai passar de um pequeno reino ribeirinho a um grande império.
Quando Sonni Ali começou a governar Songai a maior parte da África Ocidental estava pronta para a conquista. O Malli estava declinando e os reinos menos importantes, embora ambiciosos, não tinha nem a liderança nem os recursos necessários para obterem os domínios. Havia chegado a hora de Songai. Sonni Ali concebeu um plano para conquistar toda a região do Níger por meio da construção de uma marinha fluvial que assumiria o controle de ambas as margens. Por volta de 1469, havia conquistado a importante cidade de Timbuktu e depois prosseguiu com a captura de Jenne e outras cidades. Finalmente, atacou o reino de Mali, e com sua conquista o reino de Songai foi lançado a uma posição de supremacia na África Ocidental. Por sua falta de entusiasmo pelo islamismo houve considerável oposição à ascensão de Sonni Ali, mas ele não deixava se intimidar. Consequentemente seu reinado foi preenchido com lutas, mas quando ele morreu, o reino de Songai já se havia firmado como o poder dominante da África Ocidental.   
A era de Sonni Ali e sua dinastia havia passado, porém, em 1492 a dinastia foi derrubada por  um general poderoso, Askia Mohammed, que se tornou o mais brilhante governante de Songai. De 1493 a 1529 ele dedicou suas energias ao fortalecimento do império, tornando próspero seu povo e encorajando o ensino, recrutou um exército profissional de escravos e prisioneiros de guerra e deixou que seus súditos se dedicassem à agricultura e ao comércio. Os governantes locais, quatro vice-reis e o irmão de Askia, Omar, como o principal lugar tenente, mantinham a paz e administravam o Império. Em 1494, Omar e o exército conquistaram toda a Messina, e nos anos subsequentes a maior parte do Mali, os reinos haussas e muitos outros reinos da África Ocidental caíram diante do poderio de Songai, Finalmente, o império Songai estendeu-se do Atlântico a Bornu, e do país berbere ao norte ao reino dos mossis e de Benin, ao sul. Foi, certamente, o maior e mais poderoso reino da historia da África Ocidental.
No entanto, guerras civis, massacres e expedições mal sucedidas se seguiram ao reinado de Askia que foi destronado pelo filho mais velho. Embora houvesse breves períodos de renascimento, o império estava decididamente declinando. Os Mouros viam o Sudão com cobiça e começaram a avançar pelo deserto. Com renegados espanhóis como seus aliados, os marroquinos derrubaram o reino de Sogai e deram inicio ao domínio de Timbuktu.
Entre outros reinos da África Ocidental estava o império de Wagadugu, conhecido comumente como os reinos dos mossis. Foi fundado em meados do século XV por um aventureiro chamado Ubri. Nunca um grande reino ocupara as áreas ao sul do Níger, mas sua população era sempre densa  e seu povo tinha um espírito ardentemente independente. Durante certo tempo, houve realmente cinco reinos que compreendiam a frouxa confederação. A coesão era maior em tempos de emergência e eles conseguiram repelir os ataques do Mali e de Songai que permaneceram mais ou menos independentes até o século XIX, quando a França incorporou a seu império aquele território africano. A força dos mossis residia em seu eficiente sistema político e militar. O rei imperador era absoluto.
Diz-se que o povo afno, ou haussá possuíam sete reinos  originais, os mais conhecidos foram Kano, Zaria e Katsina. Os reinos haussás ocupavam mais ou menos a área onde fica atualmente o norte da Nigéria onde cada reino conservava sua identidade, com Kano emergindo em evidência durante algum tempo, depois cedendo a vez de Katsina e assim por diante. Havia comércio com os outros reinos africanos através do Sahára. Katsina tornou-se um centro de ensino onde eram estudados direito e teologia onde a linguagem da população era mais refinada. Não foi senão no inicio do século XIX, quando o islamismo fez notáveis incursões, que os reinos haussás começaram a ceder a influências externas. 
Ao leste e a oeste do lago Chad viviam os povos de Kanem e Bornu. Estes povos eram compostos por grande número de tribos que haviam sido atraídas à região pelo oásis e pelo lago. Algumas eram de berberes, enquanto outras eram de negróides. Como reino organizado, Bornu-Kanem data do ano 1220 aproximadamente, mas a instabilidade caracterizou o governo nos dois séculos seguintes. As minas de cobre em torno do lago traziam prosperidade para o povo e, no século XVI, houve uma aparência de ordem. Nos séculos XVII e XVIII, os muçulmanos procuraram subjugar estes povos e convertê-los, mas alcançaram pouco êxito. A Subjugação por completa por estrangeiros não aconteceu senão em 1900, quando uma parte de Bornu se tornou um protetorado da Grã-Bretanha e outra caiu sob a influência da França.       
A falta de barreiras físicas substanciais em algumas áreas do sul do equador tornou possível a contínua infiltração de tribos migratórias que impediam a estabilidade política. As terras dos bantos, dos sans, dos Khoiskhois e dos pigmeus, certamente tinham algumas organizações políticas e havia consideráveis indicações antropológicas e arqueológicas que apoiavam a opinião de que em algumas áreas existiam culturas bem avançadas. Mas é claro que nenhuma delas atingiu o porte ou a influência de reinos da África Ocidental como Mali e Songai.
Da foz do Níger até as cercanias do cabo da boa esperança havia vários reinos que floresceram durante certo tempo antes do século XVI. Por exemplo, houve o reino dos Brama, situado entre o cabo Lopez e a foz do rio Congo, e a respeito do qual praticamente nada se sabe. O chamado Império do Congo, fundado no século XIV, dominava a área entre Setté Cama ao norte e Bengella ao sul, e no interior estendia-se  até o alto Zambezi. Sua capital ficava em Banya, porém, seus reis experimentaram dificuldades em manter controle sobre as tribos do vale do Congo e suas fronteiras encolhiam-se constantemente no século XVII, como resultado da caótica situação criada pelos traficantes de escravos portugueses.
Ao sul do Império do Congo havia um reino perto da atual cidade de Mossâmedes. Os khoikhois, os damaras e outras tribos da região constituíam a população do reino, cujo governante era chamado de Mataman. Onde hoje está a moderna África do sul havia um estado grande e homogêneo habitado pelos bechuana, basuto, zulu e khoikhoi. Na costa leste, os povos matabele e makalaka foram incorporados em um antigo reino que datava do século X. Sua instabilidade foi causada por frequentes incursões dos wazimbas, povo feroz que vivia para o Oeste. O restante da costa oriental caiu logo sob a influência dos muçulmanos e foi convertido em dependências de vários sultanatos fundados pelos árabes e pelos persas que assumiram o controle da África Oriental. No interior estavam os reinos dos barotses, dos katangas e dos balubos, que se estendia do Zambeze ao lago Tanganica.
A conquista de Songai, em 1591 pelos marroquinos, não havia dado fim ao comercio através do Sahára. Os terminais do sul haviam simplesmente se mudado para o leste, para os reinos haussás e para o império de Bornu. No inicio do século XX quando a Grã-bretanha, a França e a Alemanha estavam completando suas conquistas dos reinos da África Ocidental já havia passado fazia muito tempo dos reinos de savanas para reinos do cinturão de florestas situados ao longo do Golfo da Guiné, ao sul. Quando os portugueses velejaram pela primeira vez ao longo da costa da África Ocidental, no século XV, descobriram dois estados substanciais, Benin, localizado a Oeste do delta do Níger, e o reino do Congo, perto da foz do rio Congo. Em Benin, os marinheiros portugueses compravam escravos, contas e tecidos que trocavam por ouro em pó com africanos que viviam mais para o leste, ao longo do atual Gana. A abundância de certos bens da África Ocidental impressionou de tal modo os mercadores europeus que eles deram partes da costa da Guiné os nomes  destes produtos, pimenta, marfim, ouro e escravos.
O tráfico de escravos, que se tornou forma dominante de comercio na área, desempenhou um papel fundamental com base econômica  para o aparecimento dos reinos do cinturão das florestas. O povo ioruba, a oeste de Benin, organizou-se numa série de reinos, o mais poderoso dos quais era o de Oyó. Foi a desintegração deste império, no inicio do século XIX, que criou as condições instáveis de guerra e desordem que levaram, por sua vez, a entrega de grande número iorubas ao trafico transatlântico de escravos. Quando Oyó declinou o Daomé livrou-se do jugo de seu antigo dominador. Ironicamente, o Daomé que devia suas origens no século XVII, a decisão da abster-se do trafico de escravos através do Atlântico, tornara-se, no final do século XVIII, um centro chave na África Ocidental para exportação de escravos. No século XIX, este reino altamente centralizado foi transformado, de um reino especializado no tráfico de escravos em um reino que lidava grandemente com produtos de óleo de dendê. Apesar disso, os europeus usaram a imagem de uma nação cruel, bárbara, escravista, com uma justificação parcial para a invasão e a conquista francesa nos anos 1890.
Outra região a partilhar destino semelhante foi aquela das cidades independentes do delta do rio Níger. Mercadores ibos haviam feito a transição de escravos para o óleo de dendê somente para serem frustrados pelas tentativas comerciais britânicas de abertura da África ao comercio europeu. Entre 1870 e 1901, a Grã-bretanha e a poderosa nação ashanti do atual Gana travaram dez guerras que culminou na conquista daquela região pelos britânicos.
Os reinos descritos aqui não são de modo algum uma relação completa das unidades políticas da África Ocidental, além do mais, havia outras áreas africanas que testemunharam o desenvolvimento daqueles reinos. Alguns, como o Egito, Kush e Cartago, floresceram durante a era pré-cristã, outros vieram mais tarde. Algumas áreas, como o Zimbabwe e as terras de savanas ao sul da bacia do Congo, testemunharam diferentes civilizações emergindo nos lugares de suas antecessoras. As cidades independentes muçulmanas de fala swahili, localizadas ao longo do oceano Indico comercializavam com a Arábia, a Índia e a Indonésia numa época em que as potências europeias combatiam nas cruzadas. Os Etíopes têm uma historia registrada de quase dois mil anos. Outros reinos são de origem mais recente, o povo zulu, por exemplo, não se tornou uma nação senão no século XIX. Em grau maior ou menor, todos eles tiveram alguma ligação com o povoamento do novo mundo pelos povos negros.
A escravidão era um aspecto importante da vida social e econômica africana. A instituição estava generalizada e era, talvez, tão antiga quanto a própria sociedade africana. Os escravos eram predominantemente capturados na guerra e podiam ser vendidas ou conservadas pelas pessoas que os capturavam. Em geral, os escravos eram encarados como propriedade do chefe da família. No direito, os escravos eram considerados como um bem móvel, mas na prática se tornavam associados de confiança dos senhores e desfrutavam de virtual liberdade. Alguns eram vendidos e exportados, enquanto outros eram sacrificados por reis em cultos de seus antepassados reais. Os filhos dos escravos não podiam ser vendidos, e assim constituíam parte integrante e inalienável dos bens da família que, desfrutando de tal segurança, não era incomum que os filhos dos escravos fossem favorecidos com alforria pelas mãos de seus senhores.
Certamente até o período da muitas incursões europeias na África, a vasta maioria das pessoas se engajava em práticas religiosas naturais do continente. Havia símbolos  de superstição que podiam ser descritos como fetiches, mas eram  apenas manifestações exteriores de certas crenças religiosas e, tal como os símbolos das outras religiões, não indicavam o caráter  especifico da religião em si. A religião dos antigos africanos pode ser, com precisão, como o culto dos antepassados. Os africanos acreditavam que o espírito de seus antepassados tinha o poder ilimitado em suas vidas, nisto, tal como em quase todos os aspectos da vida africana, o grupo familiar era importante. Acreditava-se piamente que o espírito que se encontrava num parente era deificado com a morte e continuava a viver e manter ativo interesse pela família. Os espíritos dos primeiros antepassados haviam tido a liberdade de usar de influência durante tanto tempo que eram muito mais poderosos do que os espíritos daqueles falecidos mais recentemente. Daí o pio culto e a completa deificação dos primeiros antepassados. Não somente os espíritos dos membros da família  eram cultuados, como também se dispensava consideração similar aos espíritos que se encontravam nas terras da família, às árvores e às pedras da comunidade do grupo familiar e ao céu acima da comunidade.
Por força do caráter familiar das religiões africanas os sacerdotes eram os patriarcas das famílias, eram os membros vivos mais velhos dos descendentes do antepassado inicial, e havia por isto, herdado as prerrogativas terrenas de seus antepassados. Assim, tinham o domínio sobre as terras, as águas e a atmosfera da família. Era o patriarca da família que entrava em comunicação com as almas de seus antepassados e com as forças naturais nas vizinhanças imediatas, estava, portanto, autorizado a conduzir as cerimônias de culto. Os templos de culto podiam ser qualquer estrutura destinada a este fim, onde continham objetos sagrados, como ossos dos mortos, peças de madeira, pedras ou metais consagrados e estatuetas que representavam objetos a serem cultuados. Sinos e chocalhos eram usados para invocar os espíritos. O sangue dos animais imolados como galinhas ou outra ave, cabras, ovelhas eram oferecidos como sacrifício  para aplacar os deuses. Nunca houve na África uma prática universal de sacrifício de seres humanos, mas, em algumas áreas, prisioneiros e cativos eram sacrificados nos culto das várias divindades. Ingestões de vinho de coco, cerveja ou alguma outra bebida fermentada eram oferecidas em várias formas de culto e as orações e cantos constituíam expressões de adoração.
Era bem natural que em uma sociedade como aquela encontrada na África houvesse considerável confiança no poder mágico dos amuletos, talismãs e objetos semelhantes. Qualquer coisa que ajudasse a explicar o imponderável representava uma adição bem vinda às práticas tribais. A magia era, por isso, praticada em grande escala. Recorrendo a poderes mal definidos, conhecido somente por ele, o “mágico” feiticeiro inventava técnicas e criava ritos destinados a assegurar aos indivíduos os fins específicos que eles desejavam. Onde a religião era uma tentativa coletiva de assegurar satisfação ao grupo familiar, a magia era uma tentativa individual de obter satisfações que partia de determinada pessoa. Até mesmo nas áreas onde prevalecia o culto animista, a crença na magia era generalizada e muitas pessoas tinham grande confiança na eficácia das práticas executadas.
A meticulosidade dos ritos fúnebres em todo o continente atestava a consideração que os africanos tinham pela ideia de que o espírito dos mortos desempenhava importante papel  na vida  do grupo familiar. O funeral era o clímax da vida e, os rituais dispendiosos e extensos, eram obrigações sagradas dos sobreviventes. Os mortos, em geral, eram sepultados  no solo, fosse sob cabanas nas quais haviam vivido ou em cemitérios. Frequentemente o sepultamento era realizado alguns dias depois da morte, mas por vezes, a família retardava o enterro por semanas ou mais tempo. A sepultura não era coberta completamente até que todos os membros da família  tivessem oportunidade de levar oferendas e participar de algum rito do sepultamento. Nada demonstra mais claramente a coesão da família africana do que as cerimônias e os costumes que ela praticava por ocasião da morte e do sepultamento de um de seus membros.
Apesar da influência inicial do islamismo sobre o modo de vida africano em alguns reinos, como os de Gana, Mali e Songai, muitos outros rejeitaram completamente alguns reis pertencentes a esses reinos africanos, no entanto, aceitaram por questões políticas e comerciais, porém, seus súditos se mantiveram fiéis a suas práticas tribais. Os muçulmanos nunca puderam conquistar povos como os haussás e os iorubas. O cristianismo começou a se enraizar na África pelo norte do continente, pois já estava ali quando o islamismo apareceu no século VII. Estas duas religiões engajaram-se numa luta de vida e morte pelo controle daquela região. Na África Ocidental, onde a população era mais densa e da qual se obtinha o grosso dos escravos, o cristianismo era praticamente desconhecido, até que os portugueses, no século XVI começaram a implantar missões na área. Era uma religião estranha esse cristianismo que ensinava a igualdade e a fraternidade e, ao mesmo tempo, introduzia em grande escala a prática de arrancar de suas próprias casas e transportá-las para uma terra distante a fim de torná-las escravas. Se os africanos do sul do Sahára demoraram a aceitar o cristianismo, isto aconteceu não somente porque estavam ligados as suas formas particulares de culto tribal, mas também porque não podiam conciliar o caráter contraditório da nova religião.

                                                  Os escravos.
      "O Comércio de escravos e o racismo: o berço do capitalismo” tem como fim dar uma descrição do comércio de escravos na África – a maior imigração da história da humanidade – e fazer que o leitor se interesse e continue a aumentar os seus conhecimentos sobre o tema. Esses conhecimentos são importantes para todo aquele que se quiser orientar nas lutas políticas do mundo em que vivemos e sobretudo na luta contra o racismo. O papel da igreja cristã aqui revelado é importante para a explicação da vitória dos negreiros e colonialistas, e do aparecimento do racismo no mundo.
                                      O Infante D. Henrique e as caravelas
Antes mesmo do ano de 1440 o comércio de escravos era um empreendimento comercial com bons lucros em todo o continente europeu onde os ricos compravam escravos fossem eles brancos ou negros, vindos do norte da África em caravelas para trabalhar nas propriedades rurais ou em serviços domésticos. Na Itália, mais precisamente em Veneza e em Gênova, eram vendidos escravos cristãos aos monarcas do Egito e outras nações do norte da África, uma forma de comércio bilateral.
Aquela forma de comércio, evidentemente interessava em muito, pois o empreendimento auferia grandes lucros aos reis de muitas nações e não havia interesse em terminar com o comércio de seres humanos. Tanto a igreja católica quanto a protestante incentivavam a venda de escravos cristãos. No entanto, uma tentativa feita pelo Papa Clemente V e Martinho V, ameaçaram com excomunhão, expulsão da igreja e do reino dos céus, a todos aqueles que vendessem escravos cristãos aos ”infiéis”. Mas, as ameaças dos papas não deram resultado.
      Em 1441 ocorreu algo que iria mudar o rumo da história para todo o continente africano. O príncipe Infante D. Henrique despachou de Portugal um navio sob o comando de Antão Gonçalves com ordens de velejar ao longo da costa atlântica da África, passar ao longo de cabo Bojador e encher os porões com peles e óleo de leão-marinho. A tarefa foi cumprida a contento e com boa margem de tempo. 
     Mas Antão Gonçalves não ficou por aí. Há tempos que desejava subir no conceito do seu amo, e por isso mesmo queria levar para Portugal algo especial para lhe dar como presente. Decidiu desembarcar na costa e aprisionar africanos para levar para Portugal como escravos. Desembarcando com nove homens da guarnição iniciou a procura mas, mesmo penetrando uma longa distância na terra africana não teve sucesso.
    Quando já tinham desistido da procura e voltavam para o barco avistaram finalmente um homem que vinha andando sozinho pela praia com o seu camelo. O homem foi rapidamente cercado pelos dez portugueses mas não se rendeu, lutou corajosamente armado com sua lança e só depois de dura luta e ferido foi aprisionado e levado para o navio. No entanto, antes de regressarem ao barco, Antão Gonçalves e seus homens aprisionaram também uma mulher que encontraram nas cercanias. E assim foi o primeiro encontro entre portugueses e nativos do continente africano.
     Ao voltar ao mar Antão Gonçalves encontrou um outro português, Nuno Tristão, comandante de uma grande caravela armada. Nuno Tristão tinha recebido ordens do Infante D. Henrique para aprisionar e levar para Portugal pessoas que fossem encontradas na costa da África. Gonçalves e Tristão aliaram-se em uma empreitada comum. À noite desembarcaram com uma grande força armada e tiveram a sorte de localizar um acampamento de pescadores a dormir. Os portugueses atacaram com toda a força. Uma parte dos nativos conseguiram fugir mas os portugueses mataram quatro e aprisionaram dez, entre homens, mulheres e crianças.
     Já em Portugal, este primeiro saque na África causou um enorme alvoroço nas Cortes do Infante D. Henrique. Pela façanha Antão Gonçalves foi promovido a Cavaleiro, recebendo a medalha da Ordem de Cristo. O Infante D. Henrique despachou imediatamente um embaixador especial ao Papa Eugénio IV com intuito de descrever a presa e revelar os seus planos de novas conquistas e empreendimentos de caça a escravos na África. O Infante D. Henrique queria a bênção e aprovação do Papa para as expedições. Do Papa recebeu o que solicitava, e não só isso, o Papa declarou também que a ” cada um que participar desta guerra deverá receber o perdão de todos os seus pecados”. Nada mal, quando sabemos que os pecados nesta guerra, então iniciada, eram assalto, escravidão, estupro e uma orgia colossal de assassinatos de crianças, mulheres e homens, numa extensão difícil de igualar. Os ”perdoados” antecipadamente, dos quais muitos vinham dos piores estratos da sociedade, criminosos com crimes inomináveis, muitos deles condenados à morte, não necessitavam do apoio papal para atacar populações indefesas, assaltar, escravizar e assassinar.
      A bênção e o perdão dos pecados, dados pelo Papa Eugénio IV, tiveram um resultado devastador para todo o futuro da África. Também os Papas seguintes repetiram o exemplo de Eugénio IV. Em todas as guerras de rapina ou empreendimento de saque no continente africano, os Papas declararam sempre o perdão dos pecados para os cristãos europeus.
                               A caça aos escravos como empresa comercial
        As caravelas portuguesas começaram então a velejar com destino a África na costa do Senegal para raptar homens e mulheres para vender como escravos. Os portugueses iam bem armados e chegavam em esquadras com vários navios. Normalmente desembarcavam à noite, atacavam as aldeias de pescadores sem defesa e transformavam os seus habitantes em escravos. Os negreiros tentaram também entrar no continente mas o risco de vida era muito grande. Os raptores permaneceram na costa atacando somente as vilas do litoral, mesmo assim o número de escravos africanos continuou a aumentar alcançando um valor extraordinário. Em 1444 iniciou-se a primeira expedição financiada e organizada compondo-se de seis navios que partiram de Lagos na costa do Algarve, ao sul de Portugal. O objetivo era aprisionar africanos em grande escala para posterior venda como escravos. Quando alguns meses mais tarde os navios voltaram a Lagos os porões estavam carregados com mais de 235 africanos. Os negreiros tinham iniciado uma guerra em menor escala onde muitos africanos foram mortos quando se defendiam dos ataques dos portugueses. Assim se estabeleceu a caça aos nativos africanos como empresa comercial transoceânica.
       De 1441 a 1448 os portugueses escravizaram mais de 1.000 africanos nas costas do continente. A partir do início da década de 1450 o número de escravos vendidos nos portos de Lagos e Lisboa aumentou para mais de 700 a 800 por ano. No entanto isto era só o começo do que viria a acontecer.
                                 O Vaticano e o ouro do comércio de escravos
O aumento do comércio de escravos originou um maior interesse da igreja cristã pelas expedições dos negreiros portugueses na África. Acordos econômicos entre Portugal e o Vaticano não estão publicamente documentados, pois como é do conhecimento, a investigação histórica nos arquivos do Vaticano não é permitida. No entanto, documentos históricos importantes demonstraram que tais acordos devem ter sido realizados. A partir do período do Papa Nicolau V, e por solicitação dos Reis de Portugal, foram promulgadas várias bulas papais, importantes ordens do Papa endereçadas a todos os cristãos que atribuíram à Coroa portuguesa direitos de exploração da África legitimando essas ações.
Três bulas papais tiveram grande importância para o futuro das relações entre a Europa e a África. A primeira, a Dum Diversas, foi promulgada em 18 de Junho de 1452, onze anos depois da expedição escravagista de Antão Gonçalves e Nuno Tristão. A bula papal Dum Diversas, autorizava o rei de Portugal a atacar, conquistar e submeter Sarracenos, pagãos e outros descrentes inimigos de Cristo, a capturar os seus bens e territórios e a reduzi-los à escravatura perpétua, transferir as suas terras e territórios para o Rei de Portugal e para os seus sucessores.
Mais claro do que isto não é possível dizer-se. A bula papal é bem concreta., no entanto, uma pergunta fica pendente: qual foi o interesse do Vaticano e dos altos dignitários da Igreja Cristã de dar tanto poder a um país como Portugal que, naquela altura era uma nação culturalmente e economicamente atrasada? A explicação só pode ser uma – o ouro. A proveitosa expedição de grande dimensão de que o Papa tinha a intenção de aproveitar pode ser deduzida do texto que dá ênfase a ”bens e territórios e escravatura perpétua”.
A mesma orientação segue-se nas bulas papais posteriores. A bula papal, Romanus Pontifex, de 8 de Janeiro de 1455, foi uma glorificação da história do imperialismo português. Com essa bula o rei de Portugal recebeu do Papa o monopólio da navegação, comércio e direitos de pesca nos mares da África, e de todas as conquistas futuras ao sul do cabo Bojador até à Índia. Este monopólio deu um poder enorme aos Reis de Portugal tanto no que se refere à extensão da região em questão como ao fato de que a bula era também uma proibição aos outros países cristãos de enviarem as seus barcos a África. Aqui se coloca novamente uma questão. Qual foi a parte que o Papa recebeu em troca?
 Na terceira bula papal, Inter Caetera, de 13 de março de 1456, o Papa Calisto III confirmou mais uma vez o monopólio que a Coroa Portuguesa recebera através da bula Romanus Pontifex, além disso, esta nova bula atribuiu à Ordem de Cristo, cujo chefe máximo era o Infante D. Henrique (o Navegador), todos os direitos exclusivos do cuidar das almas e das transações econômicas associadas à ”cura das almas” nas regiões conquistadas e outras que se viriam a conquistar, desde o cabo do Bojador à Índia. As bulas papais revestiam-se de grande significado na Europa desse tempo. As bulas materializavam no texto escrito a grande autoridade moral do Papa, diretamente vinda da vontade de Deus, o que possuía um grande poder de influência na ética e moral das pessoas. Quanto à parte econômica, deve-se admitir que também desta vez o Papa apostou no cavalo certo. Durante os primeiros cinquenta anos triplicou-se o comércio europeu de escravos de África.   
                                                    Infante D. Henrique
                                    Navegador ou o caçador de escravos?
O Infante D. Henrique morreu em 1460. Esta personalidade histórica tão conhecida através dos livros de história é apresentada como um visionário, um descobridor de mundos. Certamente o Infante D. Henrique foi um visionário, mas as suas visões tinham a ver com poder econômico. O jovem príncipe iniciou a sua carreira como conquistador planejando e executando várias cruzadas contra Marrocos e as Ilhas Canárias. Até mesmo Gibraltar D. Henrique queria conquistar à Coroa Espanhola. Se acreditamos nos livros de história, a grande causa da vontade de D. Henrique era a de propagar a fé Cristã, mas, note-se bem que Gibraltar e as Ilhas Canárias eram possessões espanholas e como tal igualmente cristãs como Portugal, nada a ”cristianizar”, somente pilhar e saquear.
Uma famigerada expedição de que muitos evitam falar. Contra Tanger em Marrocos em 1437, demonstra bem a moral do Príncipe. Um exército português, sob o comando direto do Infante D. Henrique desembarcou na costa do Marrocos, próximo a Tanger, com o objetivo de conquistar a cidade. Depois de dura batalha contra os soldados do Marrocos o exército português foi derrotado e cercado sem possibilidades de fugir para os barcos.
O fim de D. Henrique e muitos outros da fina flor da aristocracia portuguesa estava próximo. Os marroquinos ofereceram a livre retirada para os barcos se os portugueses prometessem devolver ao Marrocos a cidade de Ceuta que haviam conquistado alguns anos antes. Como segurança a este pacto os marroquinos queriam que o Príncipe D. Henrique, comandante em chefe dos portugueses, ficasse prisioneiro como garantia. Era uma oferta que os portugueses eram forçados a aceitar. A alternativa era a ameaça de extermínio.
Porém, D. Henrique não tinha planos para ficar preso. Convenceu então o seu irmão mais novo, Fernando, que estava sob o seu comando a tomar o seu lugar como refém. Dizendo de que era o melhor para o reino de Portugal e com a promessa de que o libertaria rapidamente, conseguiu persuadir o seu irmão a tomar o seu lugar na prisão. De volta a Lisboa o Príncipe Henrique rapidamente esqueceu a promessa feita. O jovem Fernando terminou os seus dias na prisão de Fez, de onde enviou muitos apelos ao irmão que nunca foram respondidos por D. Henrique. O Infante D. Henrique tinha outras ideias e preocupações. Sonhava em mandar barcos circundando o norte de África para entrar em contacto direto com o grande continente de que havia ouvido falar, e aí conquistar aos norte africanos o domínio das minas de ouro e o controle do comércio de escravos para a Europa.
As visões do Infante D. Henrique eram visões de ouro e escravos, na realidade o cognome caçador de escravos e ouro seria mais indicado para o Infante do que o de Navegador. O interesse de D. Henrique pela navegação foi um subproduto do seu interesse pela captura de escravos e pelo controle das minas de ouro na África.  
                                     As sociedades escravas na África.
Durante a última metade do século XV o comércio português de escravos africanos tornou-se uma empresa bem organizada na Europa e na África. Os primeiros anos de caça humana foram uma empresa perigosa com muitos portugueses mortos em guerra ou doenças. Um dos primeiros negreiros, Nuno Tristão, foi morto em 1446, junto com outros 18 no rio Gâmbia na sua quarta expedição de saque.
Um método mais simples era necessário para o sucesso do comércio. Os portugueses entraram em contacto com reis e outros potentados das regiões costeiras e gradualmente conseguiram arranjar parceiros comerciais, que em troca de tecidos e cavalos vendiam ouro, peles de antílope e até mesmo escravos.
O comércio com escravos é um negócio para reis, homens ricos e comerciantes notáveis”, assim se descreviam os negócios por um dos envolvidos.
É talvez chocante o facto de que potentados africanos venderam outros africanos a estranhos para serem levados para outras partes do mundo. Mas assim era no mundo então conhecido. Também os reis europeus vendiam escravos europeus a reis africanos. Todavia é importante conhecer os sistemas sociais na África do século XV para compreender o passado.
Quando os portugueses, e depois todos os europeus, pela via marítima fizeram os primeiros contatos com a África, por lá vivia o povo, tanto na Europa como na África, em sistemas políticos que muito se assemelhavam. O Feudalismo na Europa não era o mesmo que as organizações sociais africanas que comumente se define como ”Feudalismo Africano”.
 Na Europa durante a escravidão os escravos eram despojados de todos os direitos, inclusive ao direito a propriedade. Com a transição ao Feudalismo a escravidão transformou-se gradativamente em servidão e vassalagem, um sistema em si terrível para os trabalhadores e que teve a duração de vários séculos, em muitos casos nos limites da escravidão. No ano de 1775, Catarina II , endureceu as regras da servidão na Rússia e os grandes proprietários rurais tiveram o direito de vender os seus próprios camponeses como escravos.
Na África o ”feudalismo” tinha outro conteúdo. A velha estrutura de igualdade tribal deu com o tempo lugar a um sistema em que alguns estados que se desenvolveram fortemente submeteram povos mais fracos. Isto significava um gênero de servidão ou vassalagem para os povos vencidos a que os historiadores no geral chamam ”escravidão doméstica”.
As condições desses escravos africanos podiam variar muito dependendo do tempo e do lugar, mas um padrão geral pode ser descrito sem grandes deturpações da realidade.
O mais comum para os escravos na África, era o direito a um pedaço de terra onde tinham uma casa numa região de onde não podiam se ausentar. Os escravos eram obrigados a fornecer ao seu senhor uma parte da colheita e serviços pessoais, podendo gradativamente receber uma maior liberdade de movimentos. Alguns tornavam-se camponeses livres, outros artesãos, e a diferença entre estes escravos e os homens livres do povo dominante tendia a diminuir em conformidade com o tempo. Um escravo africano podia possuir propriedades, ser adotado como membro de uma família senhorial e até mesmo tornar-se o herdeiro do seu Senhor.
Existem exemplos de escravos que exerceram com sucesso o comércio, ficaram ricos e proprietário de escravos, homens importantes na sociedade e até mesmo eleitos como Rei. Isto dito para esclarecer a situação e posição dos escravos e as suas possibilidades nas sociedades africanas.
Naturalmente não existiam muitas alegrias na vida de um escravo. Um escravo podia por exemplo, ser dado como presente em alguma ocasião especial ou ser vendido posteriormente para satisfazer os interesses econômicos do Senhor. O importante neste contexto é entender que a posição social do escravo africano quando os europeus chegaram a África no século XV, em muito era igual à vassalagem, das grandes massas de homens e mulheres, que dominava a Europa.
A situação social dos escravos africanos de então não tinha nada em comum com a posterior escravidão nascida da necessidade dos europeus de força de trabalho barata para trabalhar nas colônias do novo mundo, quando os seres humanos eram tratados como gado, nos navios negreiros, nas minas e plantações.
Com base nestes fatos podemos fazer uma ideia de como um proprietário de escravos africanos raciocinava, quando ao mesmo tempo ele vendia para os europeus, ouro, marfim, peles de animais e também escravos. Para o proprietário de escravos na África não era mais estranho vender escravos para comerciantes europeus do que vendê-los para comerciantes africanos. Ele não sabia muito sobre as relações sociais dos escravos na sua nova terra e supunha certamente de que eram semelhantes às de África. Para ele, os escravos tinham o dever de estar na propriedade familiar do patrão e ali viver a sua vida, exercer as suas aptidões e iniciar a subida na escala social da sociedade, na tentativa de conseguir sua libertação.
Na realidade o pensamento do vendedor de escravos africanos não estava muito longe do que se passava. Naquela época, na segunda metade do século XV, os escravos eram tratados na Europa à semelhança do tratamento na África. O escravo não era um ser destituído de todos os direitos, pelo contrário tinha um lugar num sistema de deveres recíprocos entre os escravos e a sociedade escravagista.
Deve-se no entanto salientar alguns fatos decisivos e importantes para poder entender o desenvolvimento das relações entre a Europa e a África. Os reis africanos ou os chefes tribais que vendiam escravos para os europeus nunca poderiam antever que este primeiro e relativamente limitado comércio de escravos iria no futuro tomar proporções tamanhas que arruinaria a estabilidade dos seus reinos. Eles não podiam prever que esta futura instabilidade levaria a uma situação em que os europeus dominassem totalmente a África. Uma situação em que os europeus sendo a parte ativa e mais forte no comércio de escravos por razões de superioridade de armamentos, sempre deveriam obter os maiores lucros e as maiores vantagens. É também importante lembrar que durante aqueles anos o comércio de escravos era apenas em uma parte menor dos negócios entre a África e Europa, ainda que para Portugal e depois para a Espanha o comércio de escravos representasse a maior parte de todas as transações comerciais.
                            O Comércio de Escravos expande-se.
Até à segunda metade do século XV o comércio escravagista destinava-se principalmente preencher as necessidades da aristocracia em Portugal e Espanha, e de uma limitada exportação para Itália e França. Este mercado não era grande e manifestava uma tendência ao enfraquecimento. A Inglaterra e a França, por exemplo, duas das grandes potências no começo do século XVI, não comercializavam em geral com escravos, mas tinham desenvolvido um comércio com a África que se baseava em mercadorias como marfim, ouro e papel.
O comércio de escravos compreendia, até meados do século XVI, alguns milhares de escravos africanos que foram vendidos à países europeus, e poderia ter passado para a história como um acontecimento reprovável, mas limitado a uma determinada época. Um outro mais valioso comércio, como foi dito, começava a desenvolver-se e a tornar-se mais importante.  
Todavia não foi assim, pois a viagem de Colombo às Antilhas em 1492 e a travessia de Cabral ao Brasil em 1500 modificou tudo. Depois destas datas os barcos portugueses e espanhóis viajavam cada vez mais para o ocidente em direção ao novo continente americano recém-descoberto. Com grande quantidade de soldados bem armados, com guerras e traições, conquistaram sucessivamente as Índias Ocidentais – as ilhas da América Central – e grandes extensões de terras na América do Sul. Os povos dessas regiões foram escravizados e forçados a trabalhar em minas e plantações de cana de açúcar. Na busca de riquezas, os conquistadores foram brutais na exploração de índios que foram transformaram em escravos. A população indígena desapareceu durante a escravidão. Em algumas regiões foi totalmente exterminada. Em Cuba, onde Cristóvão Colombo aportou em 27 de Outubro de 1492, desapareceram mais de 100 mil nativos num período de menos de 50 anos. Não é possível descrever aqui a tragédia dos indígenas americanos durante a exploração colonial. Para isso seria necessário um texto que de uma forma completa descrevesse esse drama.
A procura de força de trabalho para substituir os indígenas massacrados nas novas colônias na América aumentou de maneira extraordinária a partir do começo do século XVI. Os conquistadores começaram a importar escravos da Espanha, Portugal e Norte de África. É bom ressaltar que estes escravos eram tanto brancos quanto negros, e em parte eram cristãos.
Pode ser de interesse histórico saber que a exportação de escravos cristãos continuou até o final do século XVII. Existem documentos da Coroa Espanhola em que os Reis Católicos (assim chamados pelo Papa!) autorizavam a exportação de mulheres escravas brancas da Espanha para o México, onde tomavam lugar nos prostíbulos da classe dominante.
Em 1515 a Espanha recebeu o primeiro barco com um carregamento de açúcar de cana plantada por escravos nas Índias Ocidentais. Estes escravos tinham sido aprisionados na África e transportados para Espanha e da Espanha tinham sido vendidos para as plantações nas Índias Ocidentais. Até essa altura os escravos aprisionados na África tinham que ser trazidos à Europa, Espanha ou Portugal, e só depois podiam ser vendidos para trabalhos na América. Mas a grande carência de força de trabalho originada pelos massacres dos indígenas e as novas explorações de minas e plantações exigiam uma outra e mais completa solução do que a importação de escravos a partir da Europa.
No início da exploração da América tanto os portugueses como espanhóis estavam indecisos em utilizar escravos africanos. Estes tinham-se mostrado muito rebeldes e em alguns casos tinham-se revoltado e causado morticínio nos navios negreiros e nas Índias Ocidentais. Mas o desenvolvimento conduziu os acontecimentos nessa direção. Os Reis da Espanha e Portugal estavam economicamente dependentes do comércio de escravos onde tinham feito grandes investimentos. Ao mesmo tempo a necessidade de força de trabalho – grandes quantidades de escravos para as minas e plantações – só poderia ser satisfeita a partir do continente africano. A solução encontrada pelas casas reais da Espanha e Portugal foi aumentar a violência e a opressão contra os povos africanos.
Em 1518 partiram primeiros navios espanhóis com cargas de escravos diretamente da África para as Índias Ocidentais. Este acontecimento iniciou nova época, quando as monarquias na Europa autorizavam os comerciantes de escravos em comprar escravos em determinadas regiões da África e posterior exportação para as colônias no continente americano.
Milhões de pessoas foram caçadas, aprisionados e vendidas como escravos. Tanto as monarquias europeias, as Igrejas Católica e Protestante e as demais classes dominantes se tornaram violentamente ricas neste negócio abominável. 
O comércio de escravos para a América iniciou-se em Portugal e Espanha, que foram seguidos rapidamente pela Inglaterra, Franca, Holanda, Prússia, Dinamarca, Suécia e mais tarde, também por dois novos países no continente americano, Brasil e Estados Unidos. As relações entre os países escravistas, nas costas africanas eram de quase estado de guerra, todos preparados em apossar-se de toda a presa sem querer repartir com ninguém. Começou com a guerra entre Portugal e Espanha. A monarquia portuguesa, tinha sem dúvida, recebido o monopólio do comércio na costa africana do Papa, no entanto, correndo o risco de ser excomungado pelo Papa e cair no inferno, a Coroa Espanhola, em 1475 começou a mandar os seus navios mais abaixo nas costas africanas. Os Reis Católicos de Espanha enviavam uma frota de trinta navios à Guiné.
O Rei de Portugal João II não cerrou os olhos a esta afronta e, de acordo com determinações do Monarca português, os comandantes de barcos portugueses, que na África se encontrassem com ”navios de qualquer gente da Espanha ou doutro qualquer”, não fizessem prisioneiros mas logo os botassem borda fora, “para que a eles sejam pena por atentarem e quererem fazer uma cousa tão defesa e vedada, e, aos que o ouvirem e souberem, bom exemplo”. Porém um negócio tão lucrativo como este não poderia ser mantido só para um rei. Dentro de alguns anos as costas ocidentais da África estavam cheias de navios espanhóis e até mesmo naus piratas  de outros reinos.
Um pirata que passou para história como o primeiro contrabandista do comércio de escravos foi o inglês John Hawkins. Financiado por comerciantes londrinos, Hawkins adquiriu três barcos em 1562 com uma guarnição de 100 homens, navegou da Inglaterra para as Costas da Guiné. Através de guerra e saques, Hawkins conseguiu, após algum tempo na costa, aprisionar mais de 300 pessoas. Após o que navegou com destino as Índias Ocidentais onde vendeu os prisioneiros como escravos e comprou mercadorias para vender na Europa.
A coroa inglesa, em princípio, não queria saber nada das aventuras de Hawkins e também nada do comércio de escravos, mas quando a Rainha Elisabeth I tomou conhecimento da contabilidade de Hawkins, depois da primeira viagem, houve uma mudança radical. Transformando-se rapidamente a Rainha investiu na caçada de escravos de Hawkins. John Hawkins recebeu da Rainha Elisabeth um navio negreiro batizado de ”Jesus” (!) destinado a sua segunda expedição escravista na África. Mais tarde foi concedido a John Hawkins o título de nobreza por serviços prestados à Grã Bretanha, e escolheu como símbolo o escudo d’armas, um negro escravo algemado e de joelhos!
Durante os séculos XVI e XVII o comércio de escravos continuou a expandir-se a ritmo acelerado. O monopólio exercido por Portugal foi destruído quando o país entre 1580 e 1640 ficou sem Rei, e então o Rei da Espanha Filipe I, o herdeiro mais próximo do rei de Portugal, assumiu o trono até 1640, quando explodiu uma revolta em Lisboa e um novo Rei português foi coroado, o país tornou-se numa província espanhola e foi rebaixado como poder naval.
    A partir do início do século XVII muitos países apossaram-se de grande parte do comércio de escravos, que neste contexto se constituía nos maiores negócios em todos os mares. O estado de beligerância entre estes países era a relação mais comum em todos os oceanos. A cobiça e a inveja sobre os lucros do comércio escravista não conhecia fronteiras. O poder naval da Inglaterra cresceu fortalecendo-se em todo o período. Este país de segunda categoria no que diz respeito ao comercio de escravos, começou a produzir mercadorias para vender para a Espanha e Portugal, o que lhe deu acesso ao ouro e a prata proveniente do comércio escravista e das colônias na América. Este fato criou as condições para um processo de industrialização na Inglaterra que a transformou em uma das potências da Europa.
O momento decisivo de quem deveria tomar a liderança sobre o comércio  com a África, naquele momento quase exclusivamente de escravos, surgiu com a guerra de sucessão do trono espanhol entre 1702 e 1714, após a morte de Carlos II. O império Espanhol naquela época era o maior do mundo, com posses na Holanda, Itália, América, África e Ásia. A pérola deste império era o ”assiento”, o contrato que dava ao possuidor o direito a todo comércio de escravos entre a Espanha e as possessões na América, deu origem de riquezas enormes.
Felipe de Anjou, o Duque francês escolhido por Carlos II, tornou-se Rei Felipe V da Espanha com apoio do avô, o Rei da França, Luís XIV. Após o seu coroamento Felipe V concedeu o direito de “assiento” ao seu avô Luís XIV, o que este havia exigido anteriormente. A monarquia de Inglaterra sentiu-se roubada das grandes riquezas, e então uma grande guerra se tornou realidade. Durante 12 anos na Europa e em todos os lugares onde as duas partes se encontravam era uma matança mútua. O primeiro Tratado de Paz foi realizado em abril de 1713 com a Paz de Utrecht, entre a Espanha  Inglaterra e seus aliados.
A decisão de Paz pôde ser assinada pelo fato de que a Espanha e Inglaterra, um mês antes, haviam acordado num tratado de Comércio, O Convênio do Assiento, que concedia à Coroa da Inglaterra o monopólio de exportação de escravos da África para a América Espanhola. Com base neste Convênio do Assiento, a Inglaterra desenvolveu-se enormemente durante o século XVIII para se transformar no maior poder imperialista do mundo, uma posição que a Inglaterra manteve durante no mínimo duzentos anos.
                                     50 milhões desapareceram da África
Quantos milhões de pessoas desapareceram da África por causa do comércio de escravos, entre os anos de 1400 e 1900? Esta questão tem sido objeto de muitos estudos mas não pode ser respondida de forma unívoca. Nunca existiu uma estatística exata, somente estimativas baseadas em dados incompletos.
Mesmo os números existentes estão errados por razões do extenso contrabando. O comércio de escravos era taxado com impostos pesados pelas Monarquias europeias e pela Igreja que viviam deste negócio. Os comerciantes de escravos tentavam quase sempre evitar o pagamento de deveres alfandegários subornando os funcionários alfandegários dos mercados de escravos. Estes permitiam aos comerciantes de escravos utilizarem-se das marcas das diferentes Companhias Escravistas com as quais marcavam os escravos que passavam assim sem pagar impostos ou taxas de alfândega. O contrabando de prisioneiros vendidos como escravos é estimado ser uma terça parte de todas as carga.
Mas, quantos eram eles, na sua grande totalidade? Nos círculos de pessoas que dedicaram a vida a estudar a história do continente africano, avalia-se a cifra de 15 milhões como um mínimo absoluto e 50 milhões como a mais plausível quantidade de escravos vivos que chegaram à América. Somente em Cuba desembarcaram durante um período de 50 anos, entre 1791 e 1840, um milhão de escravos.
 Esta estimativa de número de escravos que chegaram vivos a América é evidente não a mesma quantidade que foram embarcados nos navios negreiros. Muitos morriam durante a viagem, calculados um mínimo de 20 por cento. Muitas vezes estas cifras eram muito maiores.
A estes trágicos números devemos acrescentar todos aqueles que foram assassinados durante as expedições de saques e nas guerras promovidas pela caça ao escravo, que passados vários séculos abarca grandes regiões no continente africano. Chega-se à conclusão que o comércio de escravos, calculado por baixo, deve ter custado a África no mínimo 50 milhões de vidas humanas. Alguns investigadores calculam em 100 milhões, o que corresponde à quarta parte da população negra da África em meados do século vinte quando estes estudos foram realizados.

                O comércio escravista liquidou as estruturas sociais na África.
Em meios dos anos do século XVII (1600) as colônias europeias no recém descoberto continente americano conheceram um renovado e poderoso desenvolvimento. Enormes quantidades de escravos africanos foram para ali transportados afim de tomar parte na produção das minas de ouro e prata, nas plantações de cana de acucar, tabaco, algodão e muitas outras.
Não menos necessitava-se constantemente de novos escravos uma vez que a capacidade dos escravos era utilizada sem escrúpulos tendo como consequência muitas mortes. A mortalidade na colônia Holandesa de Surinã, nas Índias Ocidentais, era tão alta que toda a população sadia de escravos, cerca de 50 mil pessoas, era exterminada totalmente cada 20 anos!
Quando a procura de escravos aumentava na América, intensificava-se também a caçada humana dos mercadores de escravos no continente africano.  Os comerciantes de escravos conseguiam escravos de três diferentes maneiras: ataque pirata, alianças de guerra e parcerias pacíficas. O ataque pirata eram expedições de pilhagem e guerra onde os negreiros tinham as suas bases nos navios. O ataque pirata transformou-se rapidamente em parceria de guerra. Os europeus desembarcavam em terra com grupos armados de soldados para apoiar um rei africano contra os seus rivais. Em regra os comerciantes europeus de escravos recebiam como espolio de guerra o direito de compra sobre os prisioneiros dos povos vencidos, que eram transportados para a América como escravos.
Este gênero de parceria dos primeiros mercadores de escravos foi feita pela primeira vez pelo inglês John Hawkins. Na sua quarta viagem, quando ele estava na costa da Guiné e tinha capturado mais de 150 prisioneiros, ocorreu algo determinante para o futuro do comércio de seres humanos. Nas Costas de Serra Leoa Hawkins foi contatado por um chefe tribal que desejava o apoio na guerra contra outros reis na região. Como forma de pagamento Hawkins deveria receber todos os prisioneiros que fossem capturados na guerra. Sob o comando de 300 ingleses, Hawkins desembarcou, e junto com o chefe e seus homens, iniciou a batalha contra os inimigos. A destruição e mortandade causada pelos homens de Hawkins que se utilizavam de armas de fogo foi terrível. Mas os ganhos foram muito ao gosto de Hawkins. Ele levou consigo mais de 300 prisioneiros, que resultou em grandes lucros no momento da venda no Caribe.
Com o passar do tempo os europeus aprenderam a provocar rivalidades entre os povos africanos e a utilizarem-se delas para levar a um estado de guerra para conseguir mais escravos. Nestes casos, os europeus apoiavam uma das partes fornecendo armas em troca do direito de comprar os escravos entre os prisioneiros. Dessa forma, e atraídos pelas mercadorias dos europeus que os comerciantes de escravos pagavam, alguns reis africanos tornaram-se gradualmente parceiros dos mercadores de escravos da Europa.
Mas a parceria transformava-se na maioria dos casos na dependência dos reis africanos para com os mercadores de escravos. Se alguém desejava alguma mercadoria europeia que os comerciantes de escravos tinham a oferecer, existia somente uma forma de consegui-la - fornecer mais escravos. A perseguição para obter escravos expandiu-se para maiores regiões e mais profundamente no interior do continente.
Os comerciantes de escravos pagavam inicialmente, na maioria das trocas, com cavalos, utensílios de cobre e tecidos, mas gradualmente estes foram substituídos quase na totalidade por armas de fogo e álcool, armas de fogo; o mosquete, transformou-se numa necessidade absoluta para os povos de Africa que queriam garantir a sua liberdade. Sem armas de fogo, que apenas poderia ser conseguida em troca de escravos, os reinos fortes transformavam-se numa presa fácil para reinos mais fracos.
Finalmente, em muitas regiões do continente africano, todos os povos foram obrigados a adquirir armas de fogo. Em consequência todos estavam obrigados na busca de escravos. Durante muitos séculos, do começo do século XV (1400)  ao final do século XIX (final de 1800), espalhou-se em grandes regiões da África a instabilidade e a insegurança. Quase em todas as partes existia o risco iminente de alguém ser raptado e vendido como escravo para os mercadores europeus. A estrutura das sociedades entraram em decadência e destruíram-se, as pessoas foram degradados e brutalizados pelos negócios sem escrúpulos.
Este fenômeno pode ser observado no desenvolvimento da arte, de formas muito sofisticadas no século XV, para exposições mais duras a partir do final do século XIX. O desenvolvimento Social foi paralisado em muitas regiões da África e velhas nações e culturas desapareceram. Os poderes tradicionais dos reis, tradicionalmente dependentes de um sistema de conselheiros e hierarquias, modificou-se para se tornar despótico e sem fronteiras. Um resultado desta nova situação foi que a oposição política e a rebeldia podia desaparecer pela venda para os mercadores de escravos. A insegurança aumentou gradativamente e as pessoas foram obrigadas a refugiar-se em regiões inacessíveis. A produção da sociedade diminuiu ao mínimo, a agricultura foi destruída em grandes regiões, pois qual o camponês que queria plantar e trabalhar uma terra que não sabia se iria colher?  
                                        O comércio com seres humanos
O comércio de escravos foi uma dura e impiedosa perseguição até o profundo interior da África. Os homens e mulheres raptados e aprisionados eram obrigados pelos seus captores a longas marchas em direção à costa para os mercados de escravos ou navios negreiros. Isto significava várias semanas ou meses a pé com carência de comida e agua. Os prisioneiros eram originários principalmente da parte ocidental da África, do Senegal, ao norte, a Angola ao Sul. Durante o Século XIX (de 1800) vieram também muitos escravos da África oriental. 
Na chegada ao mercado de escravos os prisioneiros eram encarcerados em barracões ou prisões onde ficavam até que os europeus entrassem em acordo sobre o preço de uma “pièce de Inde”, o preço normal de um escravo sadio de 20 anos. Dois homens de trinta anos correspondiam em geral ao preço de uma pièce, da mesma forma que dois rapazes de 10 ou 15 anos ou duas mulheres.
Após muitos dias de caminhada a pé, algemados, os prisioneiros chegavam geralmente extenuados. Acrescente-se o fato de que muitos também tinham lutado pelas suas vidas, talvez presenciando a morte de entes queridos e vendo as suas casas serem queimadas pelos caçadores de escravos. A mortalidade nas prisões dos mercados de escravos era por essas razões muito alta.
No dia em que os prisioneiros iam ser vendidos para os europeus, eram retirados para fora das prisões e levados a um pátio aberto, completamente nus, homens mulheres e crianças eram expostos. Eram então examinados minuciosamente por um médico de bordo dos navios. Os que estavam acima da idade de 35 anos, cabelos brancos ou de alguma forma demonstrassem sintomas de doença, eram colocados de lado. Só os melhores eram eram aceitos para serem negociados. 
Todos os prisioneiros comprados eram marcados no peito ou nos braços com um ferro em brasa, imprimindo as diferentes marcas das companhias de escravos. A Companhia Afro Britânica tinha a marca DY, Duke of York, a definição formal da monarquia Britânica. A monarquia de Portugal usava uma cruz de Cristo, a grande Sociedade Bíblica, The Society for Propagation of Gospel, marcava seus escravos com as iniciais SPG. A firma inglesa Companhia da Guiné utilizava as iniciais GHC.
Após serem marcados os prisioneiros eram levados de volta à prisão, onde esperavam até serem levados para os navios negreiros que esperavam no porto. A viagem podia ser para uma fortaleza ou depósitos de escravos, construídas pelos países europeus ao longo da costa da África ou diretamente para a América. As primeiras grandes fortalezas nas costas ocidentais da África chamavam-se São Jorge da Mina, mais tarde batizada de El Mina. Foi construida pelos portugueses entre os anos de 1481 a 1489, a uma distancia de 50 quilômetros ao sul do Cape Coast no atual país Gana. O Rei de Portugal, D. João II que decidiu construir o forte enviou navios com 500 soldados, 100 trabalhadores de construção e tudo que era necessário em material de construção. O forte foi provido com torres altas, fosso cavadas na rocha e armado com 400 canhões.  O forte El Mina foi construido para manter no cativeiro mil escravos. O tamanho e as propriedades da fortaleza demonstram claramente os grandes negócios com escravos que se planificavam. O rei D. João II recebeu do Papa Xisto IV o perdão de todos os pecados, para todos os cristãos que morressem em S. Jorge da Mina.
A viagem para a América era para os prisioneiros uma viagem para o desconhecido, e nenhum dos escravos sabia o que aconteceria e muito menos nunca tinham visto o mar. A bordo dos navio de escravos a vida era um inferno indescritível. Os escravos eram aprisionados com algemas de ferro nas mãos e nos pés e abrigados nos porões do navio. Eram postos muito juntos, em um espaço pouco maior do que o próprio corpo ocupava. Os Porões eram separados em vários pisos, com uma altura, no geral, de mais ou menos 80 centímetros, nunca mais de um metro onde eram obrigados a estarem deitados ou assentados. No navio negreiro inglês Brooks, a altura dos pisos onde os escravos eram encerrados era de 78 centímetros. O espaço para cada escravo masculino, no navio Brooks, era de 183 cm de comprimento por 40 cm de largura. Para as mulheres 175 x 40 cm, para rapazes 152 x 35 cm e meninas 137 x 30 cm. Em muitos navios negreiros os escravos era também presos com algemas em volta ao pescoço.
A mortalidade nos navios negreiros era mito alta,  20 a 30 porcento dos prisioneiros morriam durante a travessia. Ás vezes os escravos faziam motim contra este terrível destino e algumas vezes conseguiram tomar os navios. Na maioria dos casos os comerciantes de escravos derrotavam os escravos revoltados que eram punidos em banhos de sangue sádicos.
                                           O Triângulo do Comércio.
Quando alguém para e reflete através da incrível quantidade de seres humanos que foram vendidos como escravos, principalmente durante os anos 1650 a 1850, pode-se compreender que isto era uma parte de um processo muito grande. Milhões de pessoas foram compradas na África como escravos em troca de mercadorias europeias, como armas de fogo, tecidos, barras de ferro, utensílios de cobre ou aguardente. Essas pessoas foram transportadas posteriormente para as Américas, onde trabalhavam gratuitamente para os proprietários de minas ou plantações e criaram no continente americano poderosa riqueza em mercadorias como açucar, tabaco, algodão, rum, ouro, prata e pedras preciosas. Essas mercadorias eram transportadas por sua vez para a Europa e vendidas de forma muito lucrativa. Uma parte do lucro dessas transacões era reinvestido nas fábricas na Europa e novas mercadorias européias eram transportadas para a África para a compra de mais escravos. A este comércio, usa chamar-se de o Triângulo do Comércio ou o Círculo do Comércio.
O papel especial dos escravos neste ciclo de criação de riqueza não deve ser esquecido. Os escravos não eram negros ignorantes e preguiçosos que só serviam para serem utilizados como simples ferramentas, como dizem historiadores racistas. Os escravos eram na verdade gente trabalhadora que tinham sido raptados, eram camponeses e artesãos com um espectro muito amplo de conhecimento profissional. Os seus conhecimentos em diferentes profissões foram na realidade muito decisivo para o progresso nas minas e plantacões. Eles trabalhavam como carpinteiros, pedreiros, agricultores, calcetadores, ferreiros, pintores, marceneiros, ourives, artistas e muito mais. A destreza e o conhecimento básico profissional tinham eles trazidos das suas terras de origem.
Detrás do Triângulo do Comércio estavam as monarquias europeias, a igreja e em parte outros financiadores. Os reis vendiam autorizações para a prática do comércio de escravos ou financiavam esse comércio com dinheiro próprio. Por outro lado membros das classes superiores, nobreza ou a classe burguesa, formavam companhias com a bencão da Casa Real, compravam a licença real e entravam no negócio do comércio de escravos. Muitos deles eram proprietários de navios ou estaleiros de barcos, fabricantes de armas ou tecidos na Europa e proprietários de minas e plantações nas Américas.
                   O industrialismo nasceu do Triângulo do Comércio.
O Triângulo do Comércio era um negócio muito lucrativo, um comércio com lucros triplicados. A receita da Grã Bretanha proveniente do Comércio das Índias Ocidentais, ao término dos anos de 1700, foi quatro vezes maior do que a renda do comércio desse país com todo o resto do mundo. Os lucros eram grandes e o comércio expandia-se rápidamente. A quantidade de navios que traficavam pelos mares do mundo aumentou enormemente durante um tempo relativamente curto. No porto de Liverpool, no ano de 1719 estavam registrados 18.371 toneladas de navios. No ano de 1792 a quantidade de tonelagem registrada era de 260.382.
O crescimento era necessário porque o transporte de mercadorias aumentou consideravelmente durante estes setenta anos. Como um exemplo pode-se utilizar os números de importação do açúcar para a Inglaterra e a exportação da Grã Bretanha de produtos de algodão. A Inglaterra importou meio milhão de tonelada de açúcar no ano de 1720. Ao final de 1700 a importação anual era cinco vezes maior. Em 1701 a Grã Bretanha exportou produtos de algodão no valor de 23.000 libras. No ano de 1800 a exportação foi de 5,5 milhões de libras!
A cidade de Liverpool cresceu com a construção de navios, Manchester e Lancashire cresceram com a fabricação de tecidos baratos de algodão para a compra de escravos, e Birmingham cresceu com as forjas de armas e a exportação de milhões de mosquetes para a África.
A rápida expansão economia do Triângulo do Comércio criou as condições para a revolução industrial da Inglaterra. A necessidade de maiores quantidades de mercadorias de consumo baratas conduziu a novos inventos na indústria que por sua vez levou a um crescimento e renovação da produção. Especialmente nota-se isto na indústria têxtil nos finais do século de 1700, onde se sucediam uma após outra, as invenções de novas máquinas.
Desta maneira surgiu uma nova classe de grandes comerciantes e magnatas da indústria subindo ao topo da sociedade. Essa classe era enormemente rica, esbanjava dinheiro com muito gosto e comprava para si poder político nas cadeiras no Parlamento Inglês, de onde podia exercer influência nos negócios do país e nas condições para o Triângulo do Comércio.
Mas toda essa riqueza que foi criada no Triângulo do Comércio tem uma outra face, uma face muito suja. Na África, o comércio de escravos causou a miséria e destruição de reinos e culturas e a estagnação de grande parte da produção tradicional e artesanato, que aos poucos foi diminuindo e quase desapareceu totalmente. Um exemplo, foi a fabricação africana de tecidos, famosa por sua boa qualidade e que os países da Europa realmente importavam antes do comércio de escravos, sucumbiu e desapareceu quando o tecido barato vindo da Europa invadiu os países africanos.
Com o aumento do poder opressor dos países europeus a situação tornou-se muito pior. Os europeus obrigaram ao fim da produção e desenvolvimento das sociedades na África para conservarem o seu poder e seus mercados. A transferência de novas técnicas europeias para países da África era totalmente excluída, apesar de que isto foi prometido pelos monarcas e homens de negócios europeus, e apesar dos pedidos de ajuda dos reis africanos no que diz respeito a médicos, carpinteiros, professores, padres, construtores de barcos e tudo que eles achavam necessário para abrir novos caminhos para o futuro da África.
Também na Europa o Triângulo de Comércio gerou filhos, o industrialismo, uma miséria nunca  antes observada. Para as grandes massas de operários industriais a vida era uma verdadeira miséria. Tanto para adultos como para crianças a jornada de trabalho era quase infinita, acima de 16 horas, o pagamento era terrivelmente baixo e as condições de trabalho inconcebíveis. A pobreza nas cidades industriais da Europa era pior que nunca. As riquezas do Triângulo de Comércio eram acessíveis somente aos ricos. Para os pobres na Europa as transformações da sociedade causadas pelo Triângulo do Comércio foi como uma nova escravidão.
                                   A Suécia e o comércio de escravos
As riquezas da África também atraiu a classe dominante sueca. Em meados do Século de 1600 começou uma luta por colônias, nas Costas dos Escravos ou Costa do Ouro, nos mares do país que se chama atualmente Gana,  para encher com ouro, do comércio de escravos, os cofres da classe dominante sueca. Tudo iniciou, no ano 1647, quando Louis de Geer tomou conhecimento das possibilidades econômicas que o tráfico da África poderia dar. Louis de Geer comprou da Rainha sueca Kristina uma carta de navegação real que dava direito a transitar para a África e viajar com dois navios na caça a escravos, ouro e marfim. Como meio de pagamento Louis de Geer utilizava-se de mercadorias, utensílios de latão, anzóis de pescar e aguardente.
Estes primeiros lastros dos barcos deram grandes dividendos, o que levou ao próximo passo. No ano de 1649 fundou-se a Companhia Sueco/Africana com Louis de Geer como o principal proprietário. O objetivo, desta vez, não era o negócio de troca simples. A Companhia foi formada para tornar realidade o sonho de uma colônia sueca.
Como líder da primeira expedição da Companhia foi nomeado um aventureiro alemão, Hendrik Carlof, com experiência da Costa da Guiné, onde havia prestado serviços sob o comando holandês. No ano de 1650, Carlof chegou ás costas marítimas de Gana, onde, como chefe da expedição sueca acordou um tratado com o rei de Ketu, um reinado junto a Costa. Chegaram-se a um acordo da construção de duas fortificações e algumas estações de comércio. O forte, de nome Carlsborg, começou a ser construído juntamente com uma parte das estações de comércio ao longo da costa, e o outro forte, Christiansborg, em Accra, na atual Gana. A vida para a guarnição sueca não foi pacífica, pelo contrário cheia de combates contra holandeses e ingleses que queriam a mesma presa. Isto foi uma desvantagem para o comércio e para os lucros da Companhia.
Após a morte de De Geer a Companhia Sueco/Africana foi reorganizada no ano de 1654 sob a direção dos filhos de De Geer. Foi uma mudança nos destinos da Companhia. Carlof não se entendia com a direção da  Companhia com os filhos de De Geer, que tentaram engana-lo em questões de dinheiro. Ele desertou e refugiou-se na Dinamarca onde conseguiu arranjar uma autorização de corsário com objetivo de conquistar a possessão sueca na Costa da Guiné para a Dinamarca.
Em 1658 Carlof aportou novamente na Costa da Guiné e com ajuda de um chefe tribal africano conseguiu vencer o comandante da guarnição de Carlsborg, o sueco Von Krusenstierna e tomar o forte, as estações de comércio e Christiansborg. Em consequência a Companhia Sueco/Africana perdeu todas as possessões e a história do poder colonial sueco deveria ter chegado ao fim.
Uma última tentativa existiu, todavia, o chefe tribal africano que ajudou Carlof contra os suecos, invadiu Carlsborg, que os dinamarqueses neste altura já tinham vendido aos Holandeses, oferecendo a venda do forte para a Companhia Sueco/Áfricana. A companhia comprou mais uma vez Carlsborg muito caro em troca de moeda de ouro e os negócios recomeçaram funcionar como antes. Mas o sucesso da presença colonial da Companhia não durou muito tempo, os holandeses atacaram Carlsborg pouco tempo depois e o forte caiu após 13 meses de cerco. A aventura colonial sueca na África Ocidental chegou a um fim definitivo.
Aqui a narrativa histórica divide-se. Alguns historiadores suecos gostam de afirmar que os suecos jamais negociaram com escravos. Isto, no entanto, não é verdade. Fazendo um exame detalhado dos livros da Companhia Sueco/Africana pode-se constatar que a companhia possuía escravos como força de trabalho nas fortificações e nas estações de Comércio. Estes escravos foram comprados pela companhia. Além disso, foram mandados para a Suécia em navios suecos, escravos africanos destinados ao trabalho nos feudos da nobreza sueca. Com respeito ao comércio de seres humanos para as Américas é um fato que o tráfico se fazia em navios suecos e dinamarqueses, escravos que vinham da costa ocidental da África para as Índias Ocidentais por iniciativa de empresas suecas e dinamarquesas.
 Porém a verdadeira erupção do comércio organizado de escravos ocorreu somente a partir do século XVIII em 1700. No ano de 1775 a Dinamarca comprou três ilhas nas Índias Ocidentais, chamadas de ilhas virgens Saint Croix, Saint Thomas e Saint Jan. Nas grandes plantações destas ilhas a Dinamarca utilizou escravos vindos das suas colônias na África.
A Suécia não queria ser pior do que os seus vizinhos e providenciou em conseguir para si uma colônia nas Índias Ocidentais. Em julho de 1784 o Rei Gustav III comprou a ilha de Saint Bartélemy da Franca em troca de privilégios comerciais na cidade de Gotemburgo. Em março de 1875 a ilha de Saint Barthélemy foi posta sob a direção do comandante sueco Salomon von Rajalin. Ao mesmo tempo organizava-se na Suécia a Companhia das Índias Ocidentais, que recebeu grandes direitos comerciais e poder em Saint Barthélemy.
O Rei Gustavo III declarou a ilha porto franco, porto livre, aberto para todos os navios do mundo. Esta medida veio a revelar-se de grande proveito. Ao final do século XVIII, final de 1700, surgiu um período de muita perturbação nas Índias Ocidentais com guerras constantes entre a Inglaterra, França, Holanda e América do Norte. A guerra não diminuiu, no entanto a necessidade de contatos comerciais entre os capitalistas dos países beligerantes e o contrário, a necessidade do comércio tornou-se maior. A política de neutralidade sueca juntamente com a declaração de Gustavo III de porto livre, fez de Saint Barthélemy, principalmente a capital Gustavia, um ponto de convergência para comerciantes e transações comerciais nas Índia Ocidentais.  
Um outro fator que foi decisivo para o sucesso econômico foram as modificações feitas na legislação que legalizaram o comércio de escravos. Por proposta do Comandante Rajalin, o Conselho de Governo e o rei Gustav III determinaram no ano de 1785 que o comércio de escravos seria permitido em Saint Barthélemy afim de que os habitantes da ilha pudessem participar do Comércio de escravos. ”Uma situação necessária para o cultivo da ilha e a ampliação das plantações”, foi dito na ocasião.
Gustavo III foi para a história como um Rei que introduziu o comércio de escravos num país que 500 anos antes havia abolido a escravidão. Como privilégio da Companhia das Índias Ocidentais, a partir de outubro de 1786, a Companhia obteve o direito de fazer negócios de comércio de escravos na costa da África. O fato é que o comércio de escravos foi sancionado oficialmente sem que nenhum membro do Conselho de Governo se opusesse.
É interessante notar que a unanimidade absoluta entre os representantes da classe dominante tinha muito pouco apoio entre o povo. Neste período a opinião contra o comércio de escravos começou a crescer fortemente em todo o mundo e os ventos de mudança espalharam-se até à Suécia e ganharam a maioria do povo sueco.
Em Saint Barthélemy a situação era tal que a nova legislação implicou que o comércio de escravos foi um dos grandes comércios da ilha sueca. O comércio com seres humanos em navios suecos, partia da África Ocidental, Guiné e Angola para Saint Barthélemy e as Ilhas Virgens, posseções da Dinamarca. Os africanos que não podiam ser vendidos para os proprietários das plantações dessa ilhas, eram aprisionados em Saint Barthélemy para serem oferecidos para venda em outras plantações nas Índias Ocidentais. Para este fim existia um depósito de escravos na rua Östra Strandgatan em Gustávia, que era propriedade do mais bem sucedido empresário de Saint Barthélemy, Adolf Hansen, representante da  Companhia das Índias Ocidentais na ilha. Hansen era também proprietário de navios de escravos.
Tem-se debatido se a Companhia da Índias Ocidentais oficialmente participava do comércio de escravos. As formalidades jurídicas são por vezes difíceis de compreender, mas, para além do fato de que o representante da Companhia era um dos mais ativos no comércio de escravos na ilha, existem outras provas, pois um dos maiores acionistas da companhia, o maior era o príncipe herdeiro Gustav Adolf, depois rei Gustav IV Adolf. O diretor executivo Lars Rejmers P:son, dedicava-se ao comércio de escravos para Saint Barthélemy e posteriormente para outras ilhas nas Índias Ocidentais, inclusive Havana. Rejmers participou em parceria com vários empresários da ilha utilizando-se da administração da companhia para as transações econômicas relacionadas com o comércio de escravos.
 Tais eram negócios de muitos êxitos neste local para todos os contrabandistas e países em guerra. Durante o período de guerra na região, Gustávia teve um progresso indescritível. De ter sido quase inabitada em 1785, Gustávia com seus 5.000 habitantes transformou-se no ano de 1800 numa das maiores  cidades da Suécia depois de Estocolmo, Gotemburgo, Karlskrona e Norrköping, comparado-se a Gävle com 5.400 habitantes ou Uppsala com 5.105. O maior negociante na ilha era, como foi dito, a Companhia Sueca das Índias Ocidentais fundada em 1786. No ano de 1806 os negócios da Companhia passaram a ser propriedade do estado sueco para seis anos mais tarde, em 1912, passarem à propriedade da Casa Real Sueca.  
As receitas comerciais de Saint Bartélemy foram transferidas após o ano de 1812 para a Fundacão Barthélemy, de propriedade pessoal dos reis suecos e a partir de 1818 do rei Karl XIV Johan fundador da atual dinastia, os Bernadottes. Os rendimentos proviam também das taxas alfandegárias e impostos portuários, que na maior parte eram dos barcos negreiros e dos impostos do comércio de escravos. Até mesmo o dinheiro proveniente da venda de escravos fugidos de outras ilhas ou negros e mulatos sem documentos de identidade, os quais eram aprisionados por ordem do governador e vendidos no mercado de escravos eram pagos à Fundacão Barthélemy.
Com o passar dos anos as guerras existentes na região foram acabando, Saint Barthélemy, a cidade e o porto de Gustavia deixaram de ter  interesse para a realização de negócios pouco claros. Além disso o comércio de escravos estava a acabar, tendo a França proibido o comércio em 1794 e a Inglaterra em 1807, sendo os barcos dos negreiros confiscados pela marinha inglesa a partir desta data.
A casa real dinamarquesa foi também obrigada a proibir o comércio de escravos. Esta medida teve efeitos contraditórios e foi a última tábua de salvação dos negreiros suecos e dinamarqueses. Em março de 1792 saiu o decreto do governo dinamarquês a proibir o comércio de escravos a partir do 1 de Janeiro de 1803, o que deu origem a uma revolta dos donos de plantações nas ilhas dinamarquesas. Para evitar este problema a coroa dinamarquesa decidiu dar empréstimos a juros muito baixos para os donos das plantações poderem comprar grande número de escravos antes da lei contra a escravatura entrar em vigor. O resultado foi uma grande compra de escravos num curto período de tempo, negócio que foi feito por negreiros suecos e dinamarqueses. Mas, apesar disto o comércio em Saint Barthélemy começou a cair até desaparecer quase completamente.
O último golpe veio em 1831 quando a Inglaterra abriu os seus portos nas Índias Ocidentais aos barcos americanos. A redução de lucros que veio daí, originou pela parte da coroa sueca a decisão de vender a ilha de Saint Barthélemy, que veio mais tarde a voltar para a posse da França.
Antes da venda ser efetuada foi feito um plebiscito entre os habitantes sobre a preferência de a ilha ser sueca ou francesa. Este plebiscito foi certamente para a história como um resultado único. Todos os habitantes menos um votaram pela França. Assim ficou demonstrado que a propaganda de que os habitantes tinham um amor pela Suécia e a casa real sueca era uma mentira total.
O plebiscito foi o fim da história das possessões coloniais suecas nas índias ocidentais. Em 16 de Março de 1878 a ilha de Saint Barthélemy voltou a ser francesa, 94 anos depois de a Suécia a ter comprado. 
                                  O racismo e o comércio de escravos.     
Os efeitos do comércio de escravos e do comércio do triangulo nos países europeus e africanos e mais tarde nos países no continente americano, põem questões importantes sobre a natureza dos contatos entre as pessoas aí existentes. De que maneira se viam as pessoas de diferentes continentes umas as outras? Como era o contacto entre negros e brancos e mais tarde entre estes e os índios no continente americano? Sem nos aprofundarmos no tema, o que requereria uma explicação extensa fora das possibilidades deste texto, podemos no entanto fazer algumas apreciações históricas.
Os primeiros contatos entre os europeus e os africanos, feitos pelos portugueses, foram principalmente a caça ao homem, a caça aos escravos impulsionada pela sede da riqueza.
Os portugueses começaram por roubar e saquear, mas quando os reis portugueses encontraram os seus irmãos de classe na África começaram a comercializar com esses reis africanos num intercâmbio entre partes iguais. As classes dominantes branca e negra viam-se uma à outra mais ou menos da mesma maneira, uma mistura de curiosidade e medo e ao mesmo tempo uma oportunidade de fazer bons negócios e aumentar a sua riqueza. A classe inferior nos dois continentes era para ambas as classes dominantes, o que sempre tinham sido simples atributos de trabalho. No início dos contatos entre portugueses e africanos ao sul do deserto do Saará o racismo era uma ideia desconhecida.
Com passar dos tempos e depois de muitos anos de comércio de escravos a maneira como os europeus viam os africanos modificou-se totalmente. Uma mentalidade de gente dominante cresceu entre os brancos e os negros deixaram de ser considerados como pessoas. O comércio de escravos foi a causa desta transformação impulsionada, por um lado pela caça ao homem na África e por outro pelo interesse comercial dos europeus e a tentação dos grandes lucros.
Vejamos o que significava isto na África. O reis e chefes negros que tinham começado a vender escravos aos europeus em troca de mercadorias europeias, eram no início deste comércio, senhores altivos que dominavam sociedades estáveis e com um certo bem estar. Mas para poderem continuar a mostrar o luxo que as mercadorias europeias davam às suas cortes, eram obrigados a vender aos europeus cada vez maior número de escravos.
Este gênero de venda de escravos sem limites fez com que as sociedades africanas se tornassem instáveis e os seus reis e chefes cada vez mais dependentes dos europeus.
Quando os europeus começaram a vender arcabuzes aos reis e chefes africanos este problema aumentou de maneira notável. Adquirir este tipo de arma, dominante sobre armas tradicionais, tornou-se uma necessidade imperiosa, tanto para a caça aos escravos como para a própria defesa, e isto também, porque os europeus faziam ativamente intrigas políticas entre os reis africanos para provocarem novas guerras que poderiam resultar em muitos prisioneiros, os quais os europeus poderiam comprar como escravos. A igreja cristã estava sempre comprometida com este tipo de provocação às guerras, e como sempre era um dos apoios principais das casas reais europeias. Deixemos aqui dois exemplos de como este processo criminoso era feito.
O primeiro vem do reino do Congo, um reino aproximadamente do mesmo tamanho que o reino de Portugal, com o qual os portugueses estabeleceram contatos em 1482 quando as caravelas chegaram ao estuário do rio Congo. Passado anos, em 1506, o reino do Congo tinha um monarca de nome mani-congo Nzinga Mbemba o qual em 1490 depois de ter estado em contato com os portugueses se tinha convertido a fé cristã e mudado o nome para Dom Afonso. Este rei Dom Afonso reinou durante quarenta anos. 
Em Portugal estão arquivadas as cartas entre os reis de Portugal e o rei Dom Afonso, sendo por isso as relações entre estes reis bem conhecidas. Estas relações começaram com o comércio e com ajuda portuguesa em caso de guerra. O pagamento de Dom Afonso aos portugueses eram  com mercadorias africanas e um número reduzido de escravos. Um grande rei como o mani-congo que enviava alguns escravos a outro rei, seu igual, não era nada de especial, era uma parte da tradição.
As cartas entre os reis mostram que existia uma igualdade de trato entre o irmão real em Portugal e o todo poderoso rei mani-congo. Mas Dom Afonso não podia prever as consequências que o comércio de escravos iria produzir. Nessa altura iniciou-se um processo no qual os chefes locais do país de Dom Afonso ganhavam enormes riquezas, aumentando assim o comércio de escravos até chegar a um ponto onde já estava fora de qualquer controle. A fé cristã dos portugueses não ajudou o irmão cristão no Congo.
Os pedidos de ajuda que Dom Afonso enviou por carta ao rei de Portugal, para acabar com o comércio de escravos e desenvolver o país com técnica europeia nunca receberam resposta. Dom Afonso foi inclusive obrigado a criticar padres e missionários, pedindo que não comprassem tantos escravos e ”vendo o seu devassamento, por amor de nosso senhor Jesus Cristo que, se comprassem algumas peças (negros), que fossem escravos e que não comprassem nenhuma mulher, por não darem mau exemplo nem fazerem o rei ficar em mentira com sua gente”. Isto referia-se ao voto de castidade que os padres e missionários não respeitavam ao contrário do que Dom Afonso tinha ensinado ao seu povo. Para não serem descobertos no seu pecado e crime os padres ameaçavam com a excomunhão a quem relatasse o que se estava a passar.
Durante muitos anos os comerciantes de escravos portugueses continuaram a escravizar todas as pessoas que conseguiam raptar no Congo, inclusive jovens pertencentes casa real consulesa, que eram enviados para Portugal para estudar para padre ou outras profissões, e que em vez disso, eram vendidos como escravos. A ajuda técnica de Portugal ao Congo nunca foi dada, sendo as únicas mercadorias que os congeles receberam de Portugal produtos de consumo que depois de consumidos obrigavam a compra de mais e novos produtos, sempre pagos com mais escravos.
No ano de 1526, Dom Afonso fez uma tentativa para restabelecer o controle do comércio de escravos com o fim de diminuir ou mesmo acabar com o comércio. Dom Afonso escreveu, a este respeito, uma carta ao rei de Portugal na qual denunciava os comerciantes portugueses como ladrões sem consciência que aprisionavam os filhos e filhas da terra de tal maneira que, ”a nossa terra se despovoa toda”. E Dom Afonso continua:
”E para isto evitarmos, não temos necessidade desses Reinos mais que de padres e algumas poucas pessoas para ensinarem nas escolas, nem menos de nenhumas mercadorias, somente vinho e farinha para o Santo Sacramento, por que pedimos a vossa alteza nos queira ajudar e favorecer neste caso. Em mandar a seus feitores que não mandem cá mercadores nem mercadorias, porque nossa vontade é que nestes Reinos (do Congo) não haja trato de escravos nem saída para eles”.
Mas o comércio de escravos era uma importante receita para os reis portugueses e foi em vão que Dom Afonso tentou pôr fim a estas transações. O comércio de escravos continuou a aumentar, e nos fins de 1540 quando Dom Afonso morreu, o Congo tinha-se transformado numa sociedade em decadência.
Foi a esta altura que os portugueses pela primeira vez começaram a fazer planos para ocupar o país com uma invasão militar.
Para esse efeito era necessário acabar com o sistema de vassalagens e alianças que existiam entre os países na região do Congo e, em especial separar o Congo do seu aliado e vassalo ao sul, o rei Dongo que tinha o titulo de Ngola (de onde vem o nome Angola).
Romper alianças fortes feitas pela tradição não era missão fácil, sendo os encarregados de o fazer, os padres jesuítas que se tinham estabelecido na ilha de São Tomé com grandes plantações de cana de açúcar a custa do trabalho de escravos. Os jesuítas eram também grandes comerciantes de escravos, sendo a ilha o maior depósito de escravos para exportação de toda a costa ocidental africana.
Os padres jesuítas de São Tomé trabalhavam para si próprios, esperando com a quebra do poder do monarca do Congo um aumento substancial da venda de escravos e de lucros.
Através de intrigas conseguiram que o Ngola em Dongo cortasse relações com o mani-congo no ano de 1556. O mani-congo não podia permitir este corte de relações que lhe diminuía o prestigio na região enviou um exército para submeter Ngola. Era o que os jesuítas pretendiam. O Congo era um país em total decadência e o seu exército estava fraco, longe de ser o que tinha sido em tempos antigos quando podia pôr em campo 80.000 soldados bem armados e equipados. O exército do Ngola ganhou a guerra e o poder do Congo ficou para sempre perdido. Aproveitando esta ocasião, os portugueses instalaram-se pela primeira vez no continente africano com uma força militar.
Passado nove anos os portugueses venceram o resto do exército do mani-congo e iniciaram a ocupação de toda a costa africana ao sul do rio Congo. Foi uma guerra suja e prolongada contra vários reis, onde os canhões e as espingardas modernas juntamente com os padres e os missionários foram os instrumentos para matar, intrigar, desestabilizar e conquistar. Mani-Congo e outros reis e chefes vencidos pelos portugueses, conservaram os seus postos depois destas guerras mas desprovidos de poder, somente como marionetes dos portugueses.
As consequências da vitória portuguesa foram enormes e terríveis, foi um saque e um morticínio sem limites. No ano de 1576 numa carta do padre jesuíta Garcia Simões, um comerciante de escravos que no passado tinha comprado escravos ao mani-congo Dom Álvaro, lamentava-se este pelo grande número de mortos entre os escravos, mais de 30% o que reduzia o lucro esperado. Mas apesar disso exportaram-se desta região durante os próximos 120 anos, até ao ano 1680 mais de 1,5 milhões de escravos!
A soma de todos os escravos que vivos foram levados desta região está hoje avaliada em mais de 5 milhões de pessoas o que é um pouco mais que a população de Angola por volta de 1960.
Brutalidade e humilhações foram impostas às populações negras, aumentando sempre os maus tratos com os anos. Foi desta maneira que o pensamento racista de ser dominante se foi implantando no homem branco. 
                             A costa oriental africana e os portugueses.
O caminho marítimo para as Índias foi estabelecido pelos portugueses ao mesmo tempo que os acontecimentos dramáticos no Congo davam origem à total decadência do país. A primeira viagem de Vasco da Gama iniciou-se em 1497, passando o Cabo da Boa Esperança no sul da África em dezembro de 1497, a costa oriental africana em 1498 para chegar finalmente a Calcutá em 20 de Maio de 1498. À casa real portuguesa foi então dada, através de uma bula papal, o monopólio das ligações à Índia por mar. Ao fazer o reconhecimento da região para o relatório a enviar ao rei de Portugal, Vasco da Gama encontrou cidades na costa oriental africana, cujas casas eram construidas em pedra e com portos cheios de barcos de mercadores e cidades que eram dominantes a muitas das cidades europeias desse tempo no que diz respeito ao bem estar da população. Essas cidades, entre elas Kilwa, Mombassa, Zanzibar, Brava, Quelimane e outras, eram o produto de muitos anos de intercambio comercial e cultural entre africanos, árabes, indianos e até mesmo mercadores provenientes da China.
No ano de 1502 Vasco da Gama regressou à costa oriental da África. Desta vez trazia ordens do rei de Portugal para tomar conta de todo o comércio desta região, não permitindo a mais nenhum mercador comprar as mercadorias das índias, dos árabes e dos africanos, estabelecendo assim um completo monopólio português, desta forma estava estipulado na bula papal que o rei de Portugal tinha obtido.
Em primeiro lugar vinham as mercadorias e especiarias da Índia que o rei de Portugal queria para vender na Europa. A missão de Vasco da Gama era a de submeter todas cidades importantes e centros de civilização na costa oriental africana e tomar o poder na Índia.
Os portugueses sob o comando de Vasco da Gama foram de uma barbaridade sem limites. Possuidores de armas muito mais avançadas, utilizaram canhões e armas de fogo para destruir e submeter as cidades na África oriental e na costa da Índía.
Quando Vasco da Gama chegou à Índia na sua segunda viagem, impôs um ultimato ao príncipe de Calcutá, exigindo que este pusesse fim a todas as relações comerciais com os mercadores árabes e que estes fossem expulsos da cidade.
O príncipe de Calcutá fez uma tentativa para negociar mas Vasco da Gama exigia total submissão. Os portugueses aprisionaram no porto uma quantidade de pessoas que levaram para os barcos onde foram todos mortos e cortados aos pedaços sendo as partes dos corpos penduradas nos mastros dos barcos de Vasco da Gama. Uma parte dos pedaços dos corpos dos assassinados foram, por ordem de Vasco da Gama, metidos num saco e enviados ao príncipe de Calcutá com a mensagem de que era para o príncipe fazer arroz de caril.
Árabes e indianos tinham estabelecido relações comerciais civilizadas a mais de 1400 anos e uma tal violência era totalmente desconhecida. Nos seguintes dez anos os portugueses utilizaram-se dos métodos mais brutais numa agressão sem limites e destruíram cidades que tinham levado centenas de anos para construir. 
                                                   A conquista de Kilwa.
A discrição da conquista de Kilwa, uma pérola africana no oceano Índico, pode ficar como testemunho da violência dos portugueses. O sangrento massacre de Kilwa foi feito por um dos seguidores de Vasco da Gama, o almirante Francisco de Almeida. A esquadra de Almeida entrou no porto de Kilwa e ocupou toda a zona portuária sem encontrar nenhuma oposição da parte dos habitantes espantados com tantos soldados. Atrás dos soldados vinham os padres e os frades franciscanos com uma grande cruz em procissão cantando um Te Deum. À frente do palácio do rei de Kilwa foi elevada a cruz e o almirante Almeida leu em seguida uma série de orações para os soldados, padres e frades.
Quando as orações terminaram começou o saque de Kilwa onde foram roubadas todas as riquezas e alimentos, sendo os habitantes que não conseguiram fugir vítimas de uma violência sem limites com a pena de imediata decapitação para todos os que opusessem a mínima resistência. Passados dois dias de saque os portugueses deitaram fogo na cidade. Este ataque bárbaro, assim como outros saques e morticínio na África e na Índia, era considerado pelos saqueadores portugueses como um ato totalmente legal. No fim das contas tinha sido o próprio papa que deu a autorização, e os portugueses tinham mesmo antecipadamente já recebido o perdão por todos os pecados cometidos.
Os portugueses ganharam a guerra e açambarcaram o comércio das mercadorias no oceano Índico, alegria que pouco durou, uma vez que a guerra provocou o colapso e desaparecimento do desejado comércio. Depois desta catástrofe os portugueses foram incapazes de iniciar de novo o comércio de mercadorias e as cidades e civilizações na costa oriental africana caíram em decadência, muitos dos seus habitantes desapareceram no comércio de escravos para o continente americano. Os europeus de diferentes países que depois de muitos anos novamente invadiram esta região, não encontraram restos da civilização passada e fizeram um juízo dos seus habitantes como sendo seres incivilizados e inferiores. As causa desta falta de provas de civilização nunca interessaram aos colonialistas europeus.
                           A classe dominante europeia e o racismo.
A primeira casa real europeia que saiu pelos mares à caça de escravos foi a portuguesa. Logo depois estavam todas as outras vindo de Espanha, Holanda, Inglaterra, França, Alemanha, Dinamarka e Suécia com grandes investimentos no comércio com a África que quase na totalidade era o comércio de escravos.
As casas reais europeias e outras instituições poderosas, como a igreja cristã, exigiam o pagamento dos lucros sobre os investimentos o que significava um aumento constante do comércio de escravos aumentando sempre o número de barcos negreiros que cruzavam o oceano Atlântico e mais tarde também o Índico. A caça aos negros na África aumentou de uma maneira enorme, causando uma catástrofe social sem limites nas sociedades africanas. Ao mesmo tempo os investidores europeus ficavam riquíssimos.
Enfrentando a história do comércio de escravos hoje, podemos ser levados a pensar que tudo o que aconteceu fez-se sem problemas para os que detinham o poder nos países europeus, que a classe dominante na Europa não encontrou resistência contra o comércio de escravos entre os povos europeus. Esta visão da história não corresponde há realidade.
A concepção de que os brancos como grupo se uniam contra os negros, a concepção de que na Europa não existia oposição ao comércio de escravos é geralmente aceita, mas na realidade é totalmente falsa. Esta concepção é um produto do que nos fazem aprender nos livros escolares.
Em que país que no passado se dedicava ao comércio de escravos, existem hoje livros escolares que de uma maneira justa contam esta história terrível? Quando dão ao comércio de escravos a importância central que teve desde o ano 1500 até ao fim de 1800 durante o desenvolvimento da sociedade capitalista em que vivemos hoje? Hoje em dia o comércio de escravos só é normalmente referido em pequenas observações como tratando-se de um pequeno acontecimento sem importância.
Em Portugal tem-se, por exemplo, festejado nos últimos anos os 500 anos dos chamados ”descobrimentos” portugueses. Tem havido festas, discursos, conferencias, exposições, livros novos sobre o tema, etc. Padres, doutores e professores participam em debates e palestras e escrevem artigos nos jornais. Mas do comércio de escravos quase nunca se fala, e quando é referido e como se se tratasse de um fenômeno sem importância e sem consequenciais para a sociedade em que vivemos hoje.
Qual é então o conhecimento que o povo português nestas comemorações obtém sobre os acontecimentos na África durante esses 500 anos? Um conhecimento histórico totalmente falso!
Da mesma maneira é o comércio de escravos tratado pelos governantes de todas os países europeus. A classe dominante hoje existente é a herdeira cultural da classe dos comerciantes de escravos do passado, e por isso tudo faz para esconder a verdade ao povo, quer dizer a nós próprios. Há que ter cuidado de não ir nas mentiras da classe dominante e investigar qual é a verdade sobre o passado. Há que ter cuidado com os que nos querem fazer acreditar que todas as pessoas na Europa tinham um interesse comum no comércio de escravos, que todos são culpados pelos crimes contra os povos da África.
A Europa na idade média era uma sociedade de classes onde existiam diferentes ideias e concepções sobre o desenvolvimento social, ideias e concepções essas dependentes da origem de classe. A razão porque nós hoje só conhecemos a concepção da classe dominante do passado, também a respeito ao comércio de escravos, é que a classe dominante de então tinha todos os meios e poderes necessários para propagar a sua ideologia e opiniões, e faze-las impor na sociedade. Ao seu serviço tinham policias, padres, militares, prisões, juízes e propagandistas de todos os tipos, enfim, tudo o que fazia parte do poder estatal. Tudo isto dominou a sociedade durante muitos anos e deixou uma herança funesta.
Mas na realidade existiam também os que eram contra o comércio de escravos e contra a opressão que dominava na Europa. Essas pessoas tinham poucas possibilidades de dar a conhecer as suas opiniões e foram esquecidas na investigação histórica, sendo hoje um capitulo desconhecido do público em geral. Até mesmo na classe dominante do passado, entre a nobreza e o clero, existiram pessoas que se opuseram a guerra e ao comércio de escravos na África, e que desta maneira foram contra o seu interesse de classe.
Ao contrário do povo, que era analfabeto e por isso mesmo não nos deixou as suas opiniões, a não ser em passagens nos contos da classe dominante, os oponentes provenientes da classe dominante, embora também muitas vezes analfabetos, tinham a possibilidade de mandar escrever as suas opiniões e pareceres o que nos chega até hoje.  Deixemos aqui um exemplo, talvez um dos primeiros opositores contra a matança que as classes dominantes europeias estavam a fazer na África, o seu nome era Infante D. João, sobrinho do Infante D. Henrique. O escrivão Rui de Pina foi encarregado de escrever as opiniões do Infante D. João sobre a guerra que os portugueses faziam contra os mouros na África, para onde a nobreza enviava os seus chefes e tropas em oposição ao povo português que não queria deixar as suas casas e quintas.
O Infante D. João pensava que se a guerra era ao serviço de Deus ”todos não iriam com tal intenção que uns por honra, outros riqueza e ganancia, besteiros, peõs e tôda outra gente, vão renegando, ainda que lhe preze; e quem mata Mouro com tal intenção não peca menos que matar Cristão; pois que serviço de Deus é dar tantas almas ao demo? Certamente mais se pode dizer desserviço que serviço”. Sem dúvida é este testemunho de muito interesse e só é pena hoje não sabermos o que pensavam o povo trabalhador que não queriam deixar as suas casas para ir fazer a guerra na África.
A classe no poder combatia toda a oposição e utilizava o aparelho de estado para fazer propaganda das suas opiniões. Por esta razão é muito importante conhecer o papel que estes propagandistas das classes dominantes tiveram no aparecimento do racismo. Esses propagandistas, que eram dirigidos diretamente pelas casas reais e pela oligarquia financeira, encontravam-se entre os professores nas escolas e universidades e nos prelados da igreja cristã, de onde os preconceitos racistas se espalhavam com uma capa científica e moral. 
                                    A igreja cristã espalha o racismo
Uma das primeiras fontes que por escrito e com imagens descreveu a vida na África aos europeus, é um livro do frade Cavazzi, um missionário italiano da ordem dos Capuchinhos, publicado em Bolonha em 1687.
No seu livro, o frade Cavazzi dá a sua aprovação a todas fantasias e preconceitos que dos tempos longínquos existiam na Europa sobre o continente africano e aumenta inclusivamente essas falsidades. Por exemplo, conta o frade Cavazzi com todos os pormenores como os africanos são gente que gosta de carne humana e inclui também um desenho com uma cena de canibalismo em que se vê um grupo de africanos a cortar pessoas aos pedaços que são postos a cozer numa panela enorme para a refeição.
Além disso conta-nos o frade Cavazzi que os africanos são gente sempre envolvida em guerras com muitos mortos. O frade Cavazzi escreve que: ”A dança, entre estes bárbaros, não tem qualquer motivação no talento virtuoso de exibir movimentos corporais ou agilidade de pés, mas apenas objetivos de satisfação depravada de apetites libidinosos”.
É fácil de compreender o impacto negativo que um livro destes teve na Europa do passado.
Mas na realidade o padre Cavazzi não foi o primeiro a fazer tal propaganda. Os primeiros que desde o início foram os propagandistas do racismo e do comércio de escravos foram os papas no Vaticano. Como já contámos foram os papas, que utilizando a sua grande autoridade moral, através das bulas, deram os direitos à classe dominante da Europa de na África ”atacar, conquistar e submeter sarracenos, pagãos e outros descrentes inimigos de Cristo; a capturar os seus bens e territórios; a reduzi-los à escravatura perpétua”. Além disso os papas deram a todos os que participavam nas guerras e conquistas na África ”a absolvição total de todos os seus pecados” passados e futuros!
Talvez pense o leitor que este tipo de decreto papal foi somente feito por papas no anos de 1400. Mas não foi assim. Antes de todas as guerras, saques e massacres, as chamadas conquistas portuguesas, os papas voltaram a repetir a ”absolvição de todos os pecados” que fossem cometidos. Estas declarações marcaram as ações de padres, frades, militares e todos os outros europeus na África e pelo mundo fora durante séculos. Na realidade nenhum dos cinquenta e seis papas que existiram de 1947 até hoje, anulou ou pelo menos criticou as bula papais que fizeram do homem negro da África um objeto de caça que se podia matar ou condenar a escravatura perpétua. Na realidade, se considerarmos as formalidades da igreja cristã, ainda hoje essa bulas criminosas são válidas!
No passado as declarações dos papas tinham uma importância muito grande nos conceitos e ideologias dos europeus. Mas a importância das declarações dos papas na vida e atividades dos religiosos na África e na sua maneira de considerar os africanos eram ainda mais importante. Quem estudar a verdadeira história da África vai encontrar uma história das atividades das igrejas e os missionários que é completamente diferente da história que as igrejas hoje pretendem impingir.
Os padres e frades andaram sempre de mão dadas com os saqueadores conquistadores e tiveram sempre os mesmos preconceitos raciais que estes tinham. Entre os religiosos na África existia desde o principio dos anos 1500 a concepção geral de que a ”melhor pregação” era feita com ”a espada e a barra de ferro”.
Assim explicava numa carta em 1563, o padre jesuíta Anchieta que em 1980 foi beatificado, declarado santo, pelo papa João Paulo II, os métodos que os religiosos no Brasil utilizavam contra os índios. O santo Anchieta escrevia que ”…para este gênero de gente não há melhor pregação do que a espada e vara de ferro, porque para esta gente, mais que qualquer outra, tem que ser compelle eos intrare”. Anchieta faz aqui uma citação da bíblia, Lucas XIV 23 – compelle eos intrare – significa obrigar as pessoas a entrar, obrigar as pessoas a converterem-se à igreja cristã.
A missão das igrejas cristãs na África 
O padre jesuíta Garcia Simões escreveu de Luanda ao Provincial jesuíta, a 20 de Outubro de 1575 dizendo que em Angola ”quase todos concordam que a conversão destes bárbaros não se alcançará por amor, senão que só depois que por armas forem sujeitos a vassalos do Rei Nosso Senhor”. Um outro jesuíta, o padre Francisco de Gouveia, escreveu que ”estes selvagens bárbaros não podem ser convertidos por métodos de persuasão pacífica… O cristianismo em Angola deve ser imposto pela força”.
Na realidade estes conceitos racistas marcam as atitudes dos missionários cristãos em todo o mundo, com exceção dos países em que os colonizadores não tinham o poder militar nas suas mãos. Na Índia, por exemplo, os padres e frades utilizaram os mesmos métodos violentos na África para converter as pessoas ao cristianismo. A opressão religiosa contra hinduístas, budistas e muçulmanos quando os cristão conseguiram a supermacia militar é uma história impressionante de violencia, opreção e racismo. O melhor de todos os cristãos, o santo Francisco Xavier, cujo mausoléu grandioso ainda hoje se encontra guardado na igreja de Bom Jesus em Goa, tinha um método especial para converter os pescadores que habitavam na sua jurisdição. Todos os que não se convertiam ao cristianismo eram ameaçados com violência física e, o que ainda era pior, eram-lhes tirada a autorização de pescar e vender peixe, ou seja, ficavam sem sustento.
O racismo dos padres contra as pessoas negras na África marcou todo o período do comércio de escravos e o tempo do colonialismo que se seguiu. O racismo e o tratamento repugnante que davam às pessoas negras, aumentou com o deterioramento da estrutura social pelo comércio de escravos que deixava as pessoas sem proteção.
No Congo teve este racismo religioso consequenciais improcedentes. Quando os portugueses começaram a se infiltrar no Congo e Angola, os missionários eram pagos, de maneira muito generosa, pelo mani-congo, o rei do Congo. Mas com o decorrer dos tempos e o deterioramento da sociedade consulesa, o Congo foi obrigado a aceitar uma quantidade muito maior de missionários. No fim dos anos 1700 já não havia dinheiro que chegasse para pagar a todos estes padres parasitas. Mas os padres não desistiram. Arranjaram um sistema em que eram pagos diretamente pelos negreiros, sendo todos os negreiros obrigados a pagar um ”imposto de batismo” aos padres por todos os presos que metiam nos navios negreiros. Além disso, o Bispo de Luanda cobrava um ”imposto de batismo” pessoal por cada preso!
Os padres tinham por isso interesse pessoal no aumento do comércio de escravos. Quanto mais pessoas se vendiam, tanto maior era o pago dos padres. Aqui está a verdadeira imagem da missão cristã. Claro está que estes parasitas defendiam a sua atitude nos contatos que tinham com a Europa falando dos africanos como seres de condição baixa, os padres tornaram-se num dos melhores aliados das classes dominantes para espalhar as ideias racistas.
Até aqui temos falado da igreja cristã sem fazer diferença entre católicos e protestantes, sendo as questões levantadas, na sua maioria, de origem católica. Assim foi porque os portugueses católicos foram os primeiros a chegar na África e são esses primeiros caçadores de seres humanos que nós temos descrito.
Mas na realidade a diferença entre as duas partes da igreja cristã no que diz respeito às opiniões racistas dos padres e missionários e o tratamento que davam aos africanos, não era grande. Em princípio era na questão da existência da alma que católicos e protestantes se diferenciavam. Os católicos consideravam as pessoas negras como pessoas subdesenvolvidas, mas com alma, que por causas biológicas associadas à cor negra da pele, não podiam tornar-se pessoas verdadeiras, ou seja, pessoas brancas. Os protestantes consideravam que as pessoas negras não tinham alma e que portanto na realidade eram como animais com parecer humana.
Na prática esta diferença pouca importância tinha, porque tanto católicos como protestantes tratavam as pessoas negras pior do que os seus animais.
Mas às vezes, em questões relativas à sociedade burguesa, tomava a questão da existência ou não existência da alma uma importância definitiva em juízos de caráter econômico. Isto acontecia, quando por exemplo, os escravos vivos eram atirados ao mar dos barcos de negreiros, muitas vezes às centenas em caso de doença ou quando era preciso diminuir a carga do navio em avarias graves ou mar bravo. Nos processos jurídicos que se seguiam sobre a indenização econômica pela carga viva perdida, a questão da alma tinha uma importância vital.
A questão, segundo os contratos de seguro era a seguinte. Se os escravos não tinham alma eram a considerar como uma mercadoria qualquer. Eram atirados ao mar, mortos ou vivos e o prejuízo era do armador. Mas se os escravos tinham alma então eram considerados como pessoas o problema era diferente. Se eles morressem a bordo, o seu valor humano estava acabado e não dava direito à indenização do seguro, mas se fossem atirados ao mar vivos, eram pessoas que se perdiam, o que dava direito a indenização do seguro. Claro que a última possibilidade era caso de assassinatos mas juridicamente legal.
A conclusão é que os armadores, tanto católicos como protestantes, lutavam em tribunais para que fosse reconhecido a concepção católica, de que as pessoas negras eram pessoas verdadeiras com alma. Se o tribunal aceitasse esta concepção, os armadores recebiam a indenização do seguro pelos africanos atirados ao mar. Do outro lado da barra lutavam os capitalistas de seguros, católicos e protestantes, para que o tribunal considerasse as pessoas negras como não tendo alma, como animais de pareceres humana para não terem que pagar o dinheiro do seguro.
Mas dos africanos assassinados ninguém se importava, nem armadores ou seguradores, católicos ou protestantes, ou mesmo a própria justiça na Europa civilizada. Não esqueçamos que tudo isto teve lugar na Europa de1700 e 1800. Esta era a situação dos africanos raptados, presos e escravizados nas mãos dos lacaios da classe dominante europeia.
Todos estes acontecimentos não impediam os padres de aprovar a escravatura e considera-la positiva. Assim o fez por escrito o padre protestante Thomas Thompson em 1778 num panfleto com o titulo ”The Áfrican Trade for Negro Slaves Shown to be Consistent with the Principles of Humanity and the Laws of Revealed Religion” – ”O comércio Áfricano de escravos negros demonstra-se ser compatível com os princípios de humanidade e as leis da relegião verdadeira”. Thompson foi um dos primeiros professores europeus na Costa da Guiné e sabia muito bem o que lá se passava. Não é difícil de compreender que tipo de interesse este Thompson tinha no comércio de escravos.
Um outro exemplo, vindo dos cristãos protestantes na África nos anos de 1600 e que tem consequenciais até aos dias de hoje, é também importante conhecer.
No ano de 1652 a Companhia Holandesa da Ásia Oriental deixou um grupo de homens no extremo sul da África, perto do Cabo da Boa Esperança, para aí construirem uma estação de reabastecimento para os barcos da Companhia na rota para o Extremo Oriente. O trabalho desses homens era plantar vegetais e produzir carne para as tripulações dos barcos nessa rota. O grupo era relativamente pequeno mas foi sempre crescendo com a chegada de novos colonos, e a pequena colônia da cidade do Cabo tornou-se com o tempo numa expansiva colônia autônoma de camponeses. Os habitantes, que eram profundamente religiosos, conservadores e confessos da igreja protestante holandesa, deixaram de se chamar holandeses e passaram a usar o nome de Boers.
Estes Boers resolveram o problema do aumento necessário da força de trabalho reduzindo à  escravidão os povos africanos Bushman, Nana e outros, com quem tinham feito contatos durante a expansão da colônia para o interior. Os Boers tinham armas modernas, espingardas e canhões e não excitavam em as utilizar para subjugar os africanos.
Escravizar outros povos era, segundo os Boers, um direito que lhes tinha sido dado na Bíblia, no conto dos filhos de Ham, do qual se concluía que todos os Boers tinham recebido de Deus o direito de ter escravos como força de trabalho.
O conto dos filhos de Ham está na Biblia no primeiro livro de Moisés, capitulo nove, 18 e seguintes. O conto resume-se ao seguinte. Ham, um dos filhos de Noé, tinha uma vez visto o seu pai nu e embriagado no chão da sua tenda. Quando Noé já sóbrio veio a saber que o filho o tinha visto nesse estado, castigou Ham com uma maldição em que todos os descendentes de Ham estavam condenados a ser escravos.
Este conto bíblico tem sido utilizado muitas vezes pelos cristãos em diferentes ocasiões históricas para explicar a existência da escravatura ou a existência das grandes massas que são obrigadas a viver uma vida na miséria. São os descendentes dos filhos de Ham!
Para nós, que não acreditamos nos fetichismos religiosos, este conto dos filhos do Ham é totalmente inaceitável. Mas para os Boers com a sua fé na Bíblia, era evidente que as pessoas negras tinham um valor inferior aos brancos e que tinham sido postas por Deus na África para servir os brancos quando eles aí chegassem!
Nas cores simbólicas da igreja cristã o negro sempre foi e ainda é relacionado com o inferno, morte, pecado, maldade, traição, sujidade, decadência, feio e muitas outras particularidades negativas.
A concepção dos Boers sobre as pessoas das regiões por eles conquistadas era um produto de tudo isto. Em tempo moderno explicavam a escravatura dizendo que ”essa gente trabalha para nós para pagar por os deixarmos  viver na nossa terra”. Este conceito espalhou-se na África do Sul onde os europeus tinham o poder e existe ainda hoje em muitos lugares.
Durante os aos de 1800 os ingleses proibiram a escravatura na colônia do Cabo e os Boers foram obrigados a relacionarem-se com as pessoas negras de outra maneira. Já não era permitido ter as pessoas negras como escravos, mas a exploração, por outro lado, podia continuar. Eram necessárias teorias novas que pudessem justificar uma forma nova de exploração.
Os Boers da igreja protestante holandesa começaram então a fazer propaganda para que os brancos e os negros vivessem separados. Os Boers diziam agora que se Deus tinha feito pessoas brancas e negras era para que elas vivessem separadas. Se Deus quisesse que todos vivessem juntos tinha feito todos da mesma cor.
Com este tipo de conceito os Boers ganharam adeptos na sociedade branca na África do Sul  para dividir o país numa parte branca e numa parte negra – o Apartheid. A parte negra servia como um grande campo de concentração, como um depósito de força de trabalho a utilizar pela sociedade branca. Durante centenas de anos o fanatismo cristão que aprovou a escravatura e o apartheid, teve um efeito terrível e desastroso na vida de milhões e milhões de pessoas na África do Sul.


                        Abolição da escravatura e ocupação militar da África
Durante os primeiros anos de 1800, a opinião pública e o movimento organizado contra o comércio de escravos e a escravatura começaram a tornar-se fortes e a ter importância política em vários países da Europa. A opinião que crescia tinha como causa principal o fato de que o verdadeiro tamanho do comércio de escravos e a maneira miserável como era feito começou nessa altura a ser amplamente conhecido nos países europeus. Tudo começou nos fins de 1700 na Inglaterra, país que dominava o comércio de escravos. Homens e mulheres corajosos e decididos opunham-se aos negreiros, mostravam a verdadeira face desse comércio e conseguiram fazer da libertação dos escravos uma das grandes lutas políticas do tempo.
Em 1807 a Inglaterra proibiu finalmente o comércio de escravos em navios britânicos e à armada britânica foram dadas ordens para abordar os navios negreiros britânicos, confiscar os barcos e libertar todos os escravos os quais, em geral, eram levados para Sierra Leone na costa ocidental da África. Pouco tempo depois a armada britânica passou também a atacar os navios negreiros de todos os outros países. Como resultado, o comércio de escravos transoceânico diminuiu notavelmente durante o ano de 1800.
A proibição da escravatura foi uma parte do desenvolvimento da sociedade humana que, por um lado foi muito importante a atividade desenvolvida pelas pessoas que se dedicaram a combater a escravatura e o comércio de escravos e por outro lado, a transformação dos processos de produção na maior parte dos países da Europa exigia um outro sistema social nos países produtores de matérias prima.
Esta grande transformação foi feita em primeiro lugar na Inglaterra, um país agora industrialisado com grande necessidade de matérias prima e grandes mercados para vender os seus produtos. O triângulo do comércio com latifundiários e escravos deixou de ter importância para as novas indústrias na Inglaterra. Raptar milhões de pessoas, transporta-las pelo Atlântico para depois as vender, já não era negócio interessante para banqueiros e capitalistas. O importante era obter matéria prima para as industrias fabricantes de produtos baratos para vender em todo o mundo. E de onde viriam as matérias prima?
No início dos anos de 1800 a resposta a esta questão de uma importancia fundamental para o desenvolvimento dos países europeus, era em grande parte desconhecida. Agora sabemos que as matérias prima mais importantes existiam na África, mas nessa altura este conhecimento era quase inexistente.
A exploração da África começou a ser preparada nos fins dos anos de 1700, em especial pela British African Association formada em 1788 com o fim específico de investigar o interior do continente africano, desenvolver o comércio e apoiar a igreja cristã na África. As atividades das missões cristãs começaram também com a formação da British Church Missionary Society em 1804. A ação missionária começou nas costas da África, não havendo quase nenhum sítio desconhecido dos missionários no fim dos anos de 1800.
Os missionários das igrejas cristãs eram na realidade quem maior conhecimento tinham das pessoas e riquezas no interior da África e também das matérias primas de interesse para a Europa. Foi através desses missionários que os capitalistas europeus obtiveram as informações necessárias para alcançar as fontes de matérias prima. Nessa altura, na segunda metade do século XIX, começaram a ser preparados em todas as capitais europeias planos imperialistas para ocupar extensas regiões na África, dando origem a alianças e ameaças de guerra entre as nações europeias. Tudo era possivel por um pedaço de terra na África.
Nos fins do século XIX iniciou-se a ocupação da África em grande escala, todos os países europeus queriam os melhores bocados para si mesmos causando confrontos graves e aventurando toda a empresa imperialista europeia. Nesta ocasião a invasão do Congo pelo rei da Belgica Leopoldo II, foi determinante para o futúro da África.
Leopoldo II já tinha obtido várias estações de comércio nas margens do rio Congo, mas não se dando por satisfeito com a exploração enviou tropas para ocupar uma região enorme na África Central, o Congo Kinshasa de hoje, como sua propriedade pessoal. A esta região que era 75 vezes maior que o reino da Belgica, foi dado o nome de Estado livre do Congo, um país em que não existiriam fronteiras nem alfândegas para os europeus interessados em aí fazer negócio.
A ocupação do Estado livre do Congo causou discórdia com outros imperialistas que exigiam direitos iguais e mostrou a necessidade de um pacto que establecesse uma determinada ordem no processo imperialista. O ministro de estado alemão Bismarque tomou então a iniciativa de organizar uma Conferência dos estados europeus em Berlim em 1884 onde participaram a Inglaterra, França, Alemanha, Italia, Portugal, Espanha e o rei belga Leopoldo II a título pessoal.
Um dos resultados da Conferncia foi que o rei Leopoldo II conservou o Estado livre do Congo como sua propriedade pessoal. A conferencia decidiu também a divisão da África pelos países representados, o que foi feito com uma régua em cima do mapa unindo pontos determinados simplesmente por longitude e latitude sem a mínima consideração dos diferentes povos, nacionalidades, culturas ou condições geográficas. Em muitas fronteiras entre os estados africanos ainda hoje se vê a política da régua da Conferência de Berlim. Uma outra desisão da Conferência foi que nenhum país europeu podia ocupar novas regiões sem primeiro informar os outros e obter a sua aprovação. 
Assim começou a ocupação massiva da África feita por exércitos bem equipados e armados com armas modernas, vindos de todos os lados, entrando em todos os países destruindo e eliminando sem piedade qualquer tipo de oposição. Depois de 400 anos de comércio de escravos a estrutura das sociedades africanas estava muito fraca em quase todos os lados, e os africanos não tinham quase nenhumas possibilidades de defender os seus países. O comércio de escravos não tinha implicado sómente o desaparecimento de pessoas jovens e as esperanças do desenvolvimento. O comércio de escravos produziu também uma estagnação no desenvolvimento da produção na África. A causa desta estagnação foi a monopolização do comércio africano pelos europeus e a consequente diminuição de produtos africanos, uma vez que pessoas feitas escravas era só o que os europeus aceitavam nas trocas comerciais.
Depois da ocupação da África, a classe dominante europeia submeteu os povos africanos a uma exploração e opressão sem precedentes, por vezes pior que o comércio de escravos. Todos os colonialistas dos países europeus tomaram parte nesta barbaridade sem terem grandes problemas. E quando dizemos todos os colonialistas significa todos! Desde as velhinhas belgas com muito boa educação, dos ingenheiros inglêses com qualificações universitárias, dos tenentes franceses bem perfumados, dos investigadores alemães de línguas, dos camponeses senhoriais portuguêses, até aos soldados, polícias, padres e missionários de todos os países da Europa. 
Para dar ao leitor uma visão concreta do que foi a colonização da África, vou deixar aqui o testemunho do missionário sueco E. V. Sjöblom sobre a sua estadia no Estado livre do Congo. A citação é longa mas necessária. Veja o leitor também qual foi a reação de Sjöblom aos acontecimentos que presenciou relacionados com a recolha obrigatória do caucho, o látex da borracha.
”Continuando o meu caminho fui saudando os indigenas amigávelmente. Como habitualmente consegui afastar o medo e, pelo menos em parte, ganhar a sua afecção. Alguns jovens seguiram-me e quando chegámos ao acampamento já lá estávam um grande grupo de pessoas. Outros indígenas iam voltando do trabalho de ir buscar cauchu à floresta. Pouco tempo passado estavam já várias centenas de pessoas reunidas à minha frente.
De repente um dos soldados – também indígena mas de outra aldeia – agarrou um homem de idade e amarrou-o. O soldado virou-se para mim e disse:
-          Eu vou matar este homem porque ele não trousse nenhum cauchu.
Eu respondi: Na realidade eu não tenho nada a vêr com isso e não tenho direito de te impedir. Mas eu desejaria que tu não o fizesses na minha presença, quando estão tantas pessoas aqui para ouvir a palavra de Deus.
Ele respondeu: Se nós não matamos os que vêm sem cauchu, os oficiais do estado livre matam-nos a nós. É melhor matarmos outros do que sermos mortos.
Assim que ele disse isto, dirigiu-se ao homem velho como um tigre atiçado. Arrastou-o alguns passos para fora do grupo, apontou a espingarda à cabeça do homem e matou-o. De seguida pôs outra bala na espingarda e apontou ao grupo de pessoas que desapareceu rápidamente. Estava com medo de ser atacado e queria meter medo aos que estavam reunidos.
Durante alguns minutos estivemos todos calados. O grupo tinha fugido e eu e os meus homens estávmos calados. Em seguida o soldado mandou um menino de nove anos cortar a mão direita do morto. Esta mão com muitas outras mãos, que tinham sido decepadas pelo mesmo motivo, tinham que ser entregues ao comissário como um sinal da vitória da civilização”. 
A razão desta coleção de mãos decepadas é que por cada cartucho utilizado pelos soldados tinha que ser entregue uma mão direita decepada aos oficiais do exército do Estado livre do Congo. Nenhuma bala podia desaparecer, todas tinham que ter um equivalente em mãos decepadas. Às vezes acontecia que os soldados se utilizavam das espingardas na caça e para darem conta das balas aos oficiais, agarravam uma pessoa viva e cortavam-lhe a mão direita. Dezenas de milhares de cartuchos sem balas eram entregues regularmente aos oficiais do estado livre com o mesmo número de mãos direitas decepadas de pessoas mortas ou vivas.
Mas o número de mortos era maior do que as mãos entregues. As crianças eram muitas vezes assassinadas pelos soldados a golpe de pancada com as espingardas. No ano de 1919 uma comissão oficial belga chegou à conclusão que a população do Estado livre do Congo-Congo Belga, tinha diminuido para metade depois da ocupação europeia em 1884. Uma diminuição para metade em 35 anos! Trata-se de pelo menos 10 milhões de pessoas mortas!
Os soldados inculpados neste morticíno estavam incluídos numa força especial de legionários negros comandada por corpo de oficiais brancos sob as ordens do general-major Emile Janssen. Janssen deu ordem aos chefes das aldeias de lhe mandarem os piores elementos, os quais foram incorporados com uma ”disciplina absoluta” durante um periodo de sete anos, uma lavagem ao cérebro com o nome de ”Boula Matari”, ou seja o nosso rei ”soverano na Belgica e no Congo, dois reinos unidos para sempre”.
Segundo o próprio general-major Janssen esses homens eram treinados para terem uma lealdade absoluta para com o rei e o país colonizador. Segundo ele tinham ”todos os meios disponiveis sido utilizados: escolas, jornais, radio, apoio social, controle da polícia politica G2, oficiais de inteligencia e informação” nesta lavagem cerebral.
Durante a segunda guerra mundial aumentou a repressão e a exploração colonial do povo do Congo que foi obrigado a pagar as dividas de guerra da Belgica. Citamos agora o senhor Goddin, Secretário colonial do governo belga em exílio em Londres durante a segunda guerra mundial. ”Durante a guerra, o Congo pagou todos os custos do governo belga em Londres, incluindo os do serviço diplomático e os custos das nossas forças armadas na Europa e na África, num total de 40 milhões de libras inglesas. Com os recursos do Congo o governo belga em exilio em Londres nunca precisou de pedir um shilling ou um dólar emprestado e as reservas de ouro belgas foram totalmente  conservadas”.
Os acontecimentos no Estado livre do Congo não são episódios locais, foram repetidos em todas as ocupações coloniais independetemente de qual o país europeu que tinha o poder. O conceito dos colonialistas sobre os povos colonizados exprime-se nas palavras do general alemão von Trotha sobre a repressão aos povos Herero e Nama na África do Sul, que von Trotha comandou às ordens do milionário alemão Lüderitz.
Von Trotha escreveu o seguinte sobre a exterminação dos Herero e Nama:
”Eu conheço bem estas tribos africanas. São todas iguais. Só respeitam a força. Mostrar essa força com um terror brutal ou até mesmo cruel foi e é o meu dever. Eu extermino as tribos revoltadas com correntes de sangue e dinheiro. Só assim poderá crescer algo novo, algo que ficará para o futúro”. 
No ano de 1441 chegaram os primeiros europeus em barcos no continente africano ao sul do deserto do Sahara, depois desta data o continente Africano sofreu modificações profundas que o seus povos não puderam decidir ou dominar. O povo Pendel, que é original da costa de Angola e que foi obrigado no século XVI a fugir dos portuguêses para o interior, para perto do rio Kasai, conserva nas suas tradições a memória da conquista portuguesa. ”Desde esses dias até aos dias de hoje os brancos só nos trousseram guerra e miséria”. Sem dúvida um juizo simples e justo da exploração europeia de África.
Mas hoje os tempos mudaram radicalmente. Depois de quinhentos anos de exploração e repressão é chegado o momento de os africanos travarem a luta final para tomarem o poder do seu continente!
O capitalismo mundial não quer perder o controle da África e tudo fará para impedir o desenvolvimento das sociedades no continente. Mas os ventos de mudança são fortes e não é possivel travar a luta de libertação da África contra o colonialismo e o neocolonialismo!
Mário Sousa - autor:  texto copideskado por J. Dal`Ln.
Bibliografia
Basil Davidson Mãe Negra, 1978. (Black Mother, 1961) --África in History, 1968 --Angola’s People, 1972 --The Politics of Armed Struggle, 1976 -- Can África Survive? 1974 -- Charles R. Boxer The Portuguese Seaborne Empire 1415-1825, 1969 -- Race Relations in the Portuguese Colonial Empire 1415-1825 Walter Rodney -- West África and the Atlantic Slave-Trade, 1967  -- How Europe Underdeveloped África, 1972 -- José Capela Escravatura. Conceitos. A Empresa de Saque, 1978 -- Imposto de Palhota, 1977 -- O Vinho para o Preto, 1973 -- Moçambique pelo seu Povo, 1974
Ludo Martens -- Pierre Mulele ou la second vie de Patrice Lumumba, 1985  -- Zurara  Crónica da Guiné, 1453 -- Younès Nekrouf, A Batalha dos Três Reis, 1984



 
                              




      


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