As religiões.
De alguma forma o Ser humano está desde o inicio dos tempos ligado ao sagrado, tendo como objetivo principal o reencontro com a criação, com o subjetivo existente dentro de si. E foram muitos os caminhos e muitas as maneiras desenvolvidas, principalmente através de rituais.
No início, rumo ao sagrado, todas as
religiões apegaram-se aos fenômenos da natureza e com ela aprendeu que
todos os Seres, animados ou inanimados possuem vida. Desta forma,
reconheceu que em tudo na natureza existe um principio ativo, ou seja,
uma energia que rege o Universo. Para muitos, esta energia é denominada
de Deus, um Ser supremo que gera e comanda a tudo e a todos.
Todas
as religiões estão conectadas àquele Ser – divindade – que, por
questões culturais se diferenciam nos dogmas, nas ações ritualísticas,
nos objetos de culto, nos conceitos e tabus que são apenas formas
diferentes de se aproximar da divindade, isso porque, a própria
divindade ou divindades, não diferenciam o conceito de crença ou fé.
As religiões que possuem conceitos espíritas apenas se
diferenciam nas formas que se apresentam, são religiões que possuem o
principio da mediunidade, ou seja, o reconhecimento da existência de um
paralelo entre a matéria e o espírito. Neste paralelo está o significado
de um portal para um universo imaterial comandado por energias que,
estudadas e compreendidas, tornam-se fatores de orientação na vida.
Assim como o Cristianismo, o Hinduísmo, o Budismo e outras religiões se
difundiram pelo Mundo, as religiões espíritas também tiveram seus
caminhos. Aqui no Brasil o Espiritismo surgiu de forma importada através
de alguns estudiosos.
Por razões culturais e uma miscigenação da
população negra, via escravos no Brasil Império, desenvolveram-se formas
de cultos que passaram a ter um sincretismo com o catolicismo e, desta
forma, os primeiros passos se deram para um posicionamento, e por fim, o
surgimento de templos nos quais passaram a ser cultuados àqueles deuses
de origem africana, surgia assim o Candomblé. Mais tarde, com a
evolução e maior divulgação do Espiritismo surgiram as primeiras casas
de Umbanda.
Há de se saber que tanto Candomblé quanto a Umbanda são
religiões de origem africana, no entanto, o Candomblé se diferencia por
apresentar um universo de culto aos deuses africanos, enquanto a
Umbanda está mais próxima ao espiritismo. Isso, no entanto, não
significa que tanto uma quanto outra não possuam uma relação com o
sincretismo católico. Esta diferença está apenas no modo de se
apresentarem e na forma de culto.
Evidentemente e, por razões de não
haver uma liderança, um comando como em outras religiões, cada templo,
seja de Candomblé, Umbanda ou mesmo no Espiritismo, elas se diferenciam
nas formas de direção, nos posicionamentos em razão de haver
em cada templo uma liderança independente; isto significa que em cada
templo existe uma forma de diretriz.
Tanto no Candomblé quanto na Umbanda existem os
atos de iniciação, para tanto, existem preparativos através de cultos
específicos. Os indivíduos que optam em seguir o caminho religioso no
Candomblé não são escolhidos aleatoriamente, são indivíduos que, por
razões de uma determinada mediunidade, optam pelo
desenvolvimento para trabalhar sua espiritualidade naquela religião. Conforme
o desenvolvimento se expande e como essas religiões são “religiões de
possessão”, passam a receber incorporações de Guias, caso da Umbanda e manifestações dos Orixás no Candomblé. No entanto, na Umbanda, os Orixás são divindades
também pertencentes ao culto diferenciando-se apenas no tratamento dado a um e a outro.
Enquanto os
Orixás no Candomblé estão alinhados aos processos da natureza, em termos
ecológicos, para o desenvolvimento material e espiritual, a Umbanda
está mais próxima ao desenvolvimento espiritual com atos e demonstrações
de caridade. São dogmas diferentes apenas no tratamento com o sagrado.
Por esta razão, elementos constituídos em uma não desclassificam a
outra, e que, além disso, existe uma proximidade entre as duas religiões
por motivos culturais.
A existência de altares com santos
católicos nos templos de Umbanda estão relacionados aos conceitos
cristãos que, por uma questão histórica de sincretismo é perfeitamente
entendido, pois, as relações com a religião predominante no passado, o catolicismo, impulsionou a crença tanto nos santos católicos quanto aos
Orixás e Guias.
Significado da palavra candomblé.
O termo
Candomblé pode ser definido com algumas variações. A primeira deriva de
candombe, dança dos negros executada nas senzalas no tempo da escravidão.
Outra versão é a da relação existente com os tambores que, tocados com
varetas ou com as mãos, produzem um som para a dança. Outra versão é a
denominação Kandombile, cujo significado quer dizer culto e oração
constituído de um modelo de religião que congrega sobrevivências étnicas
da África, existem outras versões, porém estas são as mais conhecidas.
O termo macumba está relacionado com as reuniões feitas pelos negros
cumbas, negros feiticeiros e reconhecidos como indivíduos ruins, mas
nada dessa definição corresponde a uma realidade histórica, é preciso
muito estudo para entender as denominações e os verdadeiros propósitos
de um linguajar escasso dos vários povos vindo de África para o Brasil.
Daí a importância de um dicionário que esteja relacionado com a
religião pois, tanto o quimbundo, o umbundo e o ioruba são compostos
de muitos dialetos, os quais, mesmo pertencendo a uma mesma Nação, se
diferenciam tanto no vocabulário quanto nas formas fonéticas.
A
palavra candomblé também pode ser definida ou denominada como significando mais especificamente, culto à Orixá, que para alguns
neófitos corresponde aos deuses africanos, para outros o
culto tem significado mais amplo quando relacionado ao Ori (cabeça), e
ainda para outros como seres divinizados, mas esse é outro tema.
Alguns termos no linguajar usados nas casas de candomblé não guardam em
nada do idioma original, isso devido a muitos desvios do próprio idioma,
principalmente àqueles mais próximos ao português, assim como, também o
idioma português abrasileirado foi muito influenciado por outros
idiomas.
A comunicação entre membros do candomblé é dificultada
pelas variações promovidas pela própria estrutura da religião em relação
a cada Nação existente. No universo religioso, alguns vértices foram
criados devido a dificuldades de aprendizado nos idiomas, pois a forma
de ensino ainda é a mesma usada em tempos antigos, ou seja, de boca a
ouvido sem a devida interpretação, sentido e/ou tradução.