quarta-feira, 8 de julho de 2015

As Religiões.


As religiões.
De alguma forma o Ser humano está desde o inicio dos tempos ligado ao sagrado, tendo como objetivo principal o reencontro com a criação, com o subjetivo existente dentro de si. E foram muitos os caminhos e muitas as maneiras desenvolvidas, principalmente através de rituais.
No início, rumo ao sagrado, todas as religiões apegaram-se aos fenômenos da natureza e com ela aprendeu que todos os Seres, animados ou inanimados possuem vida. Desta forma, reconheceu que em tudo na natureza existe um principio ativo, ou seja, uma energia que rege o Universo. Para muitos, esta energia é denominada de Deus, um Ser supremo que gera e comanda a tudo e a todos.
Todas as religiões estão conectadas àquele Ser – divindade – que, por questões culturais se diferenciam nos dogmas, nas ações ritualísticas, nos objetos de culto, nos conceitos e tabus que são apenas formas diferentes de se aproximar da divindade, isso porque, a própria divindade ou divindades, não diferenciam o conceito de crença ou fé.
As religiões que possuem conceitos espíritas apenas se diferenciam nas formas que se apresentam, são religiões que possuem o principio da mediunidade, ou seja, o reconhecimento da existência de um paralelo entre a matéria e o espírito. Neste paralelo está o significado de um portal para um universo imaterial comandado por energias que, estudadas e compreendidas, tornam-se fatores de orientação na vida.
Assim como o Cristianismo, o Hinduísmo, o Budismo e outras religiões se difundiram pelo Mundo, as religiões espíritas também tiveram seus caminhos. Aqui no Brasil o Espiritismo surgiu de forma importada através de alguns estudiosos.
Por razões culturais e uma miscigenação da população negra, via escravos no Brasil Império, desenvolveram-se formas de cultos que passaram a ter um sincretismo com o catolicismo e, desta forma, os primeiros passos se deram para um posicionamento, e por fim, o surgimento de templos nos quais passaram a ser cultuados àqueles deuses de origem africana, surgia assim o Candomblé. Mais tarde, com a evolução e maior divulgação do Espiritismo surgiram as primeiras casas de Umbanda.
Há de se saber que tanto Candomblé quanto a Umbanda são religiões de origem africana, no entanto, o Candomblé se diferencia por apresentar um universo de culto aos deuses africanos, enquanto a Umbanda está mais próxima ao espiritismo. Isso, no entanto, não significa que tanto uma quanto outra não possuam uma relação com o sincretismo católico. Esta diferença está apenas no modo de se apresentarem e na forma de culto.
Evidentemente e, por razões de não haver uma liderança, um comando como em outras religiões, cada templo, seja de Candomblé, Umbanda ou mesmo no Espiritismo, elas se diferenciam nas formas de direção, nos posicionamentos em razão de haver em cada templo uma liderança independente; isto significa que em cada templo existe uma forma de diretriz.
Tanto no Candomblé quanto na Umbanda existem os atos de iniciação, para tanto, existem preparativos através de cultos específicos. Os indivíduos que optam em seguir o caminho religioso no Candomblé não são escolhidos aleatoriamente, são indivíduos que, por razões de uma determinada mediunidade, optam pelo desenvolvimento para trabalhar sua espiritualidade naquela religião. Conforme o desenvolvimento se expande e como essas religiões são “religiões de possessão”, passam a receber incorporações de Guias, caso da Umbanda e manifestações dos Orixás no Candomblé. No entanto, na Umbanda, os Orixás são divindades também pertencentes ao culto diferenciando-se apenas no tratamento dado a um e a outro.
Enquanto os Orixás no Candomblé estão alinhados aos processos da natureza, em termos ecológicos, para o desenvolvimento material e espiritual, a Umbanda está mais próxima ao desenvolvimento espiritual com atos e demonstrações de caridade. São dogmas diferentes apenas no tratamento com o sagrado. Por esta razão, elementos constituídos em uma não desclassificam a outra, e que, além disso, existe uma proximidade entre as duas religiões por motivos culturais.
A existência de altares com santos católicos nos templos de Umbanda estão relacionados aos conceitos cristãos que, por uma questão histórica de sincretismo é perfeitamente entendido, pois, as relações com a religião predominante no passado, o catolicismo, impulsionou a crença tanto nos santos católicos quanto aos Orixás e Guias.
Significado da palavra candomblé.
O termo Candomblé pode ser definido com algumas variações. A primeira deriva de candombe, dança dos negros executada nas senzalas no tempo da escravidão. Outra versão é a da relação existente com os tambores que, tocados com varetas ou com as mãos, produzem um som para a dança. Outra versão é a denominação Kandombile, cujo significado quer dizer culto e oração constituído de um modelo de religião que congrega sobrevivências étnicas da África, existem outras versões, porém estas são as mais conhecidas.
O termo macumba está relacionado com as reuniões feitas pelos negros cumbas, negros feiticeiros e reconhecidos como indivíduos ruins, mas nada dessa definição corresponde a uma realidade histórica, é preciso muito estudo para entender as denominações e os verdadeiros propósitos de um linguajar escasso dos vários povos vindo de África para o Brasil. Daí a importância de um dicionário que esteja relacionado com a religião pois, tanto o quimbundo, o umbundo e o ioruba são compostos de muitos dialetos, os quais, mesmo pertencendo a uma mesma Nação, se diferenciam tanto no vocabulário quanto nas formas fonéticas.
A palavra candomblé também pode ser definida ou denominada como significando mais especificamente, culto à Orixá, que para alguns neófitos corresponde aos deuses africanos, para outros o culto tem significado mais amplo quando relacionado ao Ori (cabeça), e ainda para outros como seres divinizados, mas esse é outro tema.
Alguns termos no linguajar usados nas casas de candomblé não guardam em nada do idioma original, isso devido a muitos desvios do próprio idioma, principalmente àqueles mais próximos ao português, assim como, também o idioma português abrasileirado foi muito influenciado por outros idiomas.
A comunicação entre membros do candomblé é dificultada pelas variações promovidas pela própria estrutura da religião em relação a cada Nação existente. No universo religioso, alguns vértices foram criados devido a dificuldades de aprendizado nos idiomas, pois a forma de ensino ainda é a mesma usada em tempos antigos, ou seja, de boca a ouvido sem a devida interpretação, sentido e/ou tradução.

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