domingo, 30 de dezembro de 2012

Tambores que falam.

TAMBORES QUE FALAM

Existe uma lenda que tem origem nas savanas africanas contando que quando os animais ouvem tambores tocando todos eles silenciam, não por temer os homens, mas pelo respeito aos Deuses, e dessa forma, os homens também procedem quando dos primeiros sons ecoados por tambores. É um momento sagrado, pois no ressoar do espaço vazio algum portal se abre formando um caminho dando passagem aos Deuses e espíritos para que se manifestem no mundo material. No entanto, não se trata de sons aleatórios, a cada batida diferente em ritmo e cadencia, trata-se de sons determinantes para uma ação especifica. Essa cultura ultrapassou fronteiras e se expandiu pelo Mundo, abraçando, influindo em muitas civilizações e em muitas religiões.

O ressoar dos ritmos nos rituais sagrados conclamando os Deuses e espíritos, assim como agradavam a estes, também agradavam aos homens, passando desta forma a fazer parte de festividades e comemorações em determinadas épocas, que no principio eram em épocas de colheitas nas primeiras lavouras ou grandes caçadas. Esta foi a forma encontrada tanto para agradar aos Deuses quanto à satisfação humana.
O santuário.
Logo ao entrar pela porteira defronta-se com uma cruz colocada logo adiante, aos seus pés oferendas postas, velas e fitas coloridas com predominância ao preto e ao vermelho. Pequenos recipientes com comidas votivas, velas acesas e várias imagens traduzem a crença em espíritos desencarnados. De longe o som de tambores, os atabaques denunciam a presença de fiéis e, pelo caminho, aqui e ali, outras oferendas e mais velas acesas. Em distintos lugares, cercados por frágeis cercas de bambu, os sons se misturam, porém, a ressonância das batidas dos tambores, elemento sonoro, torna-se em um elemento comunicador, mensagens dirigidas aos Orixás e aos espíritos.
Em uma sequência espontânea, Orixás se manifestam e espíritos incorporam através de transes, os fiéis acompanham com palmas, gingas de um bailado e cantigas determinado pela batida nos tambores. Pés descalços e uma dança em círculos é comandada por sacerdotes e sacerdotisas. Aos poucos, toques dos tambores vão amainando e logo em seguida tem continuidade a uma batida especifica, pois, o espírito incorporado ou Orixá manifestado ali presente, tem suas preferências no bailado, não só por preferência, mas também pela historia e pelos caminhos percorridos no Universo.
O som dos tambores não apenas servem para conclamar os Orixás e espíritos, são indutores na psique dos “médiuns”, estes, servem como suporte das energias conclamadas aos rituais.
Um santuário criado à partir das necessidades dos rituais, seja da Umbanda ou do Candomblé,  advém da própria estrutura dos cultos afro brasileiro, o culto é todo direcionado aos elementos da natureza, pois dessa forma é que os Orixás e espíritos determinam.
Todas as energias emanadas da natureza estão consubstanciadas ao elemento sonoro dos tambores e de cantigas ou batidas com a palma das mãos, e por isso o uso do som é primordial para alcançar e abrir o portal de um Universo paralelo ao mundo material.
Pelos arredores do santuário são dispostos, em forma de altares, imagens de santos católicos objetivando um sincretismo consumado pelas várias crenças, é uma profusão de valores religiosos que invade tanto o misticismo quanto a fé real. São valores profundos dos fiéis através de uma iconografia demonstra conteúdos de crenças diversificadas.
O murmúrio das águas do riacho que bailam sobre rochedos mistura-se ao som dos atabaques, tambores que falam com a natureza. Muitas oferendas aos Deuses e Deusas das águas doces. A cachoeira, vista a distancia parece um fio, uma linha de espuma que rasga a terra dominada pelas forças e energias de um Orixá, Oxalá mora lá, dizem Oxúm mora lá. No céu, nuvens passam, flutuam ao sabor do Tempo, Orixá que tudo comanda.
Velas acesas iluminam, acompanham as oferendas, banhos em águas límpidas acompanhados de gestos de pedidos ou agradecimentos, flores a flutuar ao sabor da correnteza, uma forma de enviar pedidos ou agradecimentos. Assim é a forma de atender aos Orixás, Deuses de um Olimpo subjetivo e real ao mesmo tempo.
...E nada é perdido, tudo das oferendas é transmutado em energias, transformando-se desta forma em um elo entre o mundo material e espiritual. Do aroma existente nas oferendas está o alimento daqueles que intermedeiam entre os homens e Deuses. Nas cores está o simbolismo e a representação de cada energia, nas cantigas a alegria festiva/sagrada de momentos de crença e fé e, no verde das florestas está a esperança, assim como no batuque cultural está a espontaneidade da religiosidade nos cultos afro brasileiro.
Nos cultos, sejam destinados aos Orixás ou aos espíritos, os tambores são também considerados a representação de um determinado Orixá, e além de possuírem uma energia especifica para determinadas finalidades, são eles anunciadores de festividades e de iniciações ao culto. O sonoridade dos tambores é uma das bases fundamentais para o acontecer do culto. São instrumentos consagrados de forma específica, e seus tocadores, os Alabes, iniciados para esta finalidade, tornam-se os guardiões da cultura musical e das cantigas ditadas, seja pela mitologia cosmogônica ou pelos fundamentos da religião.
O som percutido, com as mãos ou com varetas, é transmutado em energia que percorre tempo e espaço cobrindo distancias torna-se mágico, ultrapassando até mesmo as fronteiras de um Universo desconhecido.
Tambores são usados há pelo menos 40 mil anos em todas as culturas. Nas religiões xamânicas são utilizados, principalmente para curas quando do chamado de divindades representadas por animais de poder ou mesmo no resgate de almas perdidas. Nesta dimensão, o som dos tambores saem numa viagem de busca de visões e conhecimento.
Os sons dos tambores têm o poder de conexão com mundos interiores e exteriores. No mundo interior pode ir do êxtase ao relaxamento, pode produzir tanto equilíbrio quanto a ampliação da consciência, proporciona a conexão com os ritmos planetários alcançando níveis cósmicos universais.
Seja nos santuários a céu aberto ou em templos, o som dos tambores produzem efeitos na psique humana, traduzindo sentimentos em cada povo, em cada etnia possuidora de uma cosmovisão religiosa diferente.
Acompanhados de outros instrumentos de percussão em rituais são a identidade das expressões das liturgias, são expressões de uma arte integrada nas religiões e na espiritualidade humana. Além disso, a música e a dança sempre foram os principais fatores dessa comunicação com os Deuses. 
Essa forma utilizada para se chegar aos conhecimentos místicos em religiões primitivas esteve sempre associada ao êxtase, um transe provocado pelo toque do tambor. Esse instrumento seria então o responsável pela comunicação entre o homem e as divindades – seres responsáveis pelo comando da Natureza em nosso planeta.
Descobertas científicas afirmam que na pré historia o ser humano acreditava que a  pele de um animal resultante de uma caçada, seca e esticada sobre troncos ocos de árvores,  produzia o som do lamento do animal abatido, e foi com tal sentimento que, como forma de gratidão, o ser humano passou a consagrar o animal abatido. De certa forma esta foi uma das primeiras manifestações religiosas produzida pelo homem. 
Numa fase mais primitiva as religiões tinham como principal base o contato com divindades através do transe, a música e a dança sempre foram os principais formadores dessa comunicação. Nas religiões antigas, o toque de tambores não foi somente usado para o culto às divindades, mas também para um contato com espíritos dos antepassados. 
Em algumas culturas o toque do tambor revelava a arte de conectar-se com a mãe Terra e com o eu interior, as batidas, acreditavam os antigos, que reproduziam as batidas do coração e as pulsações do Planeta além de formalizar uma viagem ao mundo invisível, constatando a ancestralidade e a todos os reinos da Natureza.
Na África, em diversas culturas do continente ainda é a tradição oral que prevalece, é o método pelo qual as historias, lendas, mitos e a religiosidade é transmitida e, uma parte integrante da tradição é a dança e o canto, sempre acompanhados do toque dos tambores, instrumento essencial na formação cultural daquele povo.  
No Brasil, onde houve influência do povo africano na formação cultural, o tambor está ligado às religiões denominadas de afro brasileiras, ou seja, nos Candomblés e em casas de Umbanda, pois, através dos toques, sejam com as mãos ou com varetas, é um dos instrumentos principais nas cerimônias religiosas.
Considerados instrumentos sagrados nas religiões afro brasileira, a orquestra é formada pelos tocadores que, após uma iniciação, tem permissão para “tocar os instrumentos”. Cada tambor  - atabaque -  recebe uma denominação: o rum, o maior de todos, o rompi, tambor intermediário, e o lê, o menor de todos, cada um deles é consagrado a um Orixá determinado pelo jogo divinatório dos búzios. A orquestra ainda tem outros instrumentos: o agbé, um piano de cuia – o adjá, uma campânula de metal e o xére, um chocalho usado nas festas do Orixá Xangô. O Alabê, chefe da orquestra, é o responsável por toda a evolução musical e das cantigas invocadoras nos diversos rituais.
Existem ainda outros tambores pertencentes à religião, o Djembe é o mais influente e a base de tantos outros tambores africanos; é um tambor sagrado utilizado em cerimônias especiais de cura, em rituais de passagem ou mesmo em rituais aos ancestrais.  

Contudo, os tambores nem sempre foram utilizados para estimular sentimentos religiosos, houve época em que tambores anunciavam guerras ou proporcionavam alegria em festas.  Nas terras da Morávia – Europa Central – datado de 6000 anos aC, em tempos remotos, já existiam os tambores confeccionados em argila. No Egito, em escavações feitas, foram encontrados tambores com mais de 4000 anos aC. Na Suméria uma escultura em forma de tambor foi encontrada com data aproximada de 3000 aC. Na Índia em um dos templos, existem tambores com aproximadamente 2000 anos aC.
Na Bíblia, o livro do Cristianismo, existem muitas citações referentes aos tambores. Em um vaso grego antigo e em relevo, mostra a figura de várias mulheres dançando ao som dos tambores. Os tambores Taiko são estimados em mais de 2000 anos, tambores chineses e coreanos provavelmente são mais antigos.
De origem africana os tambores Batá, mais recentes, têm pelo menos 500 anos e sua historia sobreviveu com a religião do povo ioruba. Utilizado em rituais de santeria em Cuba recebeu influência de outros grupos étnicos de língua bantu das regiões do Congo. A a confecção desses instrumentos requer alguns rituais que os distinguem pela força espiritual que é inserida nele, ao ser consagrado passa a ter o nome de ayàn,
             Nas culturas dos índios americanos os tambores são objetos sagrados usados somente pelos xamãs – lideres espirituais das tribos – em cerimônias de cura, quando não usados torna-se um símbolo de proteção ao ambiente onde se encontram.
No Xamanismo, cada Ser humano possui um animal de poder que o acompanha por toda a vida e, para descobrir qual é o animal de cada um é feito o ritual da jornada xamânica onde, ao som do tambor e após um relaxamento, a pessoa visualiza a imagem de um animal que, após essa descoberta, deverá ser pintado no tambor.
   No xamanismo o toque do tambor está associado as batidas do coração da mãe Terra que dá acesso vital através do ritmo.  Metaforicamente é o instrumento, comparando a uma embarcação, que leva o Ser ao Universo espiritual, é o instrumento que faz a comunicação entre o Céu e a Terra; além disso, é o instrumento, cujos sons, ativam curas espirituais alinhando-se com a vibração do coração humano ao da mãe Terra. Com som único a cada instrumento é usado também, além de cerimônias religiosas, em festividades para celebrar algum evento importante.
Tambores xamânicos existem há pelo menos 40 mil anos em todas as culturas do Mundo e estão associados a vários elementos, muitos xamãs o utilizam, não somente para curas, mas também, através de rituais específicos, como fazer uma viagem ao mundo dos espíritos para resgates ou mesmo em busca de visões do autoconhecimento.
Batidas cadenciadas e com ritmos específicos os tambores xamânicos facilitam a conexão com o mundo interior produzindo um relaxamento promovendo o equilíbrio e ampliando a consciência, proporcionando uma conexão harmoniosa com os ritmos do Universo.
            No passado o som dos tambores não só serviam para acompanhar rituais religiosos como também para orientar as batalhas ou comemorar vitórias.  Em situações de guerras tribais os tambores eram usados na preparação e iniciação dos guerreiros. Na Europa e nas Américas os tambores tiveram uma função diferente dos tambores tribais, nas guerras civis eram com eles que seus tocadores transmitiam as ordens de batalha.
              Na cultura chinesa o tambor ocupa lugar de destaque, muito embora sua origem ainda seja discutível, a literatura antiga mostra que é tão antiga quanto a historia chinesa. A mais antiga documentação possui registros de 1.600 aC – dinastia Shang - esculpidas em cascos de tartaruga e ossos de animais.
            Não só como uma forma antiga de arte, na China, o tambor encontrou aplicações em muitos aspectos da vida social e cultural, incluindo cerimônias de sacrifício e adoração como também na agricultura e na guerra.
           No sul da China e sudoeste da Ásia muitos artefatos arqueológicos foram encontrados, entre eles os tambores de bronze, instrumentos que possuíam uma relação constante na vida social e religiosa do povo. Esses tambores possuem decorações apropriadas a cada função. Decorados com vários motivos determinava afiliações étnicas e geográficas que incluíam várias espécies de animais, pássaros e figuras geométricas. Algumas figuras, ainda nos dias atuais, refletem o costume de adorar nuvens e trovões.
            No Japão, em algumas ocasiões, os tambores são também instrumentos considerados sagrados, o taiko, que tem sua origem num passado remoto, pelo seu volume e peso, era transportado em um carro de bois para o centro das batalhas como um estimulador para o combate devido ao som que produzia e, em caso de derrota, seus tocadores eram executados por não terem afugentado o inimigo. Na rotina dos vilarejos a vida era centrada no templo xintoísta, onde o tambor permanecia e, identificando pela batida, a comunidade e os limites geográficos, pois, tais limites eram determinados pela distância que os aldeões podiam escutar o som do grande tambor.
           O tambor sempre esteve diretamente ligado à historia sagrada do Japão ao culto do xintoísmo. O xintó, que significa – caminho dos deuses – está baseado num sincretismo mágico religioso cercado de significados próprios em que são consideradas todas as coisas vivas e inertes, ou seja; árvores, pedras, água, animais e tudo o mais são habitados por espíritos universais. São os kami, que para os quais não existe representação, sabendo-se apenas de sua presença.
           Não há duvidas que o tambor apresenta uma relação mística com funções que provocam o êxtase no ser humano. Sentimentos a parte, o som produzido por este instrumento, dependendo do ritmo apresentado, induz a determinados processos em organismos vivos, e um exemplo é o processo da indução à manifestações mediúnicas em algumas religiões.
          Também, o uso dos tambores em bandas marciais e o retumbar de outros instrumentos provoca na assistência euforia, quando não um sentido de patriotismo. Na musica popular provoca entusiasmo na cadência e nos movimentos musicais um sentido instintivo em cada cultura. Os sons dos tambores traduzem em compasso os passos da humanidade, pois, em todos os tempos, em todos os povos, as batidas repetitivas do tocador copiam fielmente a pulsação do Universo.  




ESPIRITUALIDADE.



                                         
                                     
                                                ESPIRITUALIDADE
                                        Entendendo matéria e espírito.
No passado da historia humana o objetivo de todas as religiões era a de estimular os indivíduos a ter um reencontro com um universo subjetivo onde a vida teria continuidade, e que após a morte, presumiam ocorrer outra vida em uma dimensão paralela ao mundo dos viventes. Um julgamento da alma no entanto seria feito por deuses no qual benesses ou castigos iriam ser adotados e, conforme o peso dos erros as almas seriam destruídas, porém, se os acertos tivessem sido maiores a alma reencontraria a múmia de seu corpo e viveria pela eternidade.
 Na babilônia, após a morte as almas eram julgadas por deuses tribais ou por Marduk, o deus realizador e destruidor de vidas. Na Grécia, depois de uma comunhão entre os deuses, Zeus tornou-se onipotente e passou a julgar todos os mortais. Este era o pensamento da maior parte dos Seres humanos durante os milhares de anos desde as primeiras manifestações religiosas.
No antigo Egito, até mesmo os faraós que eram considerados a encarnação de um deus, depois de mortos eram julgados. Com o surgimento do cristianismo, há dois mil anos, esta ideia foi reforçada. O faraó tinha seu coração pesado por Anúbis para verificar o peso, pois nele estavam suas virtudes e erros realizados em vida.
Na Roma antiga todos os deuses eram juízes com poderes de castigar ou absolver, tudo ficava na dependência de oferendas dos ainda viventes, e todos eram vigiados pelos Manes, os guardiões da moral.
No mundo árabe os gênios comandavam a vida e a morte até o surgimento do profeta Maomé com primícias de um inferno e um céu paraíso, revelações feitas por anjos vindos do céu.
Enquanto as religiões ditas pagãs evoluíram pra uma convivência filosófica, o mundo conhecido, até então, recebia de profetas mensagens de um deus único, Jeováh. Chegava a era do cristianismo primitivo, e com ele, surgia também novos conceitos religiosos. Mais tarde, as religiões e crenças se transformaram diante de parábolas ditas por um salvador de almas e com promessas de vida eterna. A espiritualidade no Ser humano aflorou diante de um “sacrifício”, e a cruz em um calvário transformou todas as estruturas religiosas até então apregoadas.
Porém, na Índia, território longínquo para aquela época, continuava com seus deuses e sua filosofia religiosa intocada e determinada pelos livros Védicos. Deuses e humanos conviviam juntamente em um universo profundamente místico, bem como, outras civilizações orientais. No Japão, o budismo, dominou mentes e corpos obedientes ao Sutra, livro sagrado, no qual determinava que as almas em julgamento atravessassem um rio no sétimo dia após a morte e, de acordo com a proporção de erros cometidos, demônios os atormentavam e os encaminhavam à um inferno, porém, apenas aqueles que tinham alcançado a “iluminação” desfrutariam de um paraíso com a possibilidade de reencarnação.
Nas ilhas perdidas em um oceano chamado Pacífico, habitantes cultuavam deuses feitos em pedra, os grandes totens que guardavam silenciosamente toda a religiosidade com conteúdo de sacrifícios em oferenda, fazendo com que o vínculo mágico se concentrasse entre as imagens e os antepassados que permaneciam presentes em espírito. No grande arquipélago, tantas quantas ilhas existissem, também eram o número de deuses cultuados, onde feiticeiros e xamãs atuavam através de espíritos consagradores das atividades religiosas.
Nas ilhas Ciclades no mar Egeu a religiosidade estava impregnada de mitos sobre minotauros e deuses alados, deuses que podiam castigar ou premiar as almas, porém, a deusa das serpentes assegurava a ressurreição.
No Irã, o Masdeizmo apregoava um céu paraíso com a morada da luz ou um inferno sombrio, onde as almas dos hereges aguardariam pelo final do mundo, e os viventes continuariam a lutar com espíritos malignos e a cultuar Masda o deus da luz.
No Japão doze deuses nasceram dando origem a um arquipélago, porém, somente três governaram o mundo onde os homens nasceram por último, juntamente com os primeiros imperadores; uma ressurreição estava garantida a todos.
Pontilhadas, ainda no oceano Pacífico, em dezenas de ilhas, máscaras e outros objetos representavam ancestrais em cultos aos mortos. As esculturas representavam os ente queridos idos, os quais espalhavam proteção sobre os vivos, além de, também contarem com protetores divinos. Tangaroa, o criador dos homens e dos deuses, tinha sua representação com aparência humana, isto, quem sabe, para não haver um distanciamento entre o sagrado e o profano.
Na antiga Germânia, distante dos ventos quentes do pacífico a super vivência totêmica reforçava o culto aos animais, além da crença em espíritos da natureza; os  elfos, trols, niksos, gnomos e outros deuses tribais, e Odin, deus supremo, cercado pelas Valquirias, comandava tudo de um palácio celestial onde recebia os mortos e os julgava, principalmente as almas dos guerreiros.
No Cáucaso a religião era refletida nas ações dos cultos familiares clãnicos, existindo até mesmo uma deusa protetora dos afazeres femininos; porém, um deus protetor foi convertido em antagonista do deus cristão, e com ele, conceitos de céu//inferno prevaleceram.     
 Na civilização etrusca pouco era falado do processo inferno/paraíso, pois, os sacerdotes impunham sob pena de ameaças e sofrimentos terrenos, mais que esperanças de clemências. Oferendas com sacrifícios humanos eram constates, e quase sempre com intenções de salvar um parente ou um amigo, e o sacrificado era quase sempre prisioneiros de guerra. Configurados aos deuses as divindades etruscas permaneciam, porém, as forças espirituais comandavam os destinos humanos, esta era a crença.
Na diversidade dos povos americanos o misticismo dividia com as divindades a força das crenças, porém, sacrifícios humanos e sangrentos eram feitos para aplacar a ira dos deuses, mas nem por isso, todo o povo estava salvo, pois, feras infernais consumiriam as almas dos desobedientes às leis, tanto sagradas quanto humanas.
                                          **********************
                                      Criação ou evolução?
                                 Somos Seres híbridos, todos filhos das estrelas.
E eis que a polêmica surge quando o assunto está em relação ao principio de tudo, Criacionismo e Evolucionismo são, em tese, os dois conceitos discutidos.
A maior parte da humanidade acredita na teoria do criacionismo, teoria sim, pois, nada de concreto existe para afirmar com absoluta certeza ou clareza, de que haja tido mesmo num passado remotíssimo um “Deus” criador; este conceito é meramente religioso baseado em escritos, alguns, tidos como “sagrados”, outros, no entanto, fazem parte de históricos mitológicos de todos os povos da antiguidade.
Por outra vertente do pensamento humano encontramos a teoria da evolução de autoria do notável cientista Charles Darwin que viveu no Séc. XIX; autor da teoria da evolução das espécies, através da seleção natural que é revelada através das ciências e das pesquisas, algumas confirmadas outras apenas especulativas, principalmente pela física, na qual, cientistas da atualidade procuram o elo perdido, elo que faria a ligação entre a matéria e o que poderíamos chamar de “grande espírito” ou Deus propriamente dito. Estudos ainda em andamento definem como Bóson de Higg a partícula inicial, portanto, o principio de tudo, de todo o Universo e da vida. No entanto, existe também a teoria da Panspermia, teoria que supõe a existência de “esporos de Vida”, e que, através de uma Geração espontânea, explica que a vida veio de fora e em estágios de desenvolvimento, tendo sido “semeada no planeta” e trazida até aqui por ventos solares abrigadas em cometas ou mesmo em meteoros e meteoritos; teoricamente esses “esporos” conteriam códigos que regeriam o desenvolvimento.   
Sabemos, desde nosso tempo de estudantes, que existem milhares de Galáxias no Universo, o que nos faz pensar em possibilidades do “não estarmos sós” na imensidão deste Universo; teoricamente isso também é possível, e possível  também uma intromissão externa por seres de outros planetas.
Mas, o que podemos pensar do antes de tudo; afinal, se o universo é infinito em dimensão, pode-se pensar também que ele, Universo, é infinito no tempo, tanto no passado quanto para o futuro; portanto, o tempo dessa forma, como elemento subjetivo para o Universo, nada mais é que um instante, um momento qualquer.
E foi “num momento qualquer” que tudo começou. Falam em bilhões de anos, outros em milhões quando o assunto está relacionado ao ser humano. Mas, em que momento da historia do nosso Planeta ocorreu o surgimento do homem na face da terra? Em que momento o “espírito humano” aflorou no hominal? Teriam sido eles ancestrais da raça humana ou por uma “ação divina” o Ser humano, corpo e espírito, teria sido criado?
Segundo o principio evolucionista a vida surgiu na face da Terra através de uma evolução natural, ou seja: combinações de elementos associados a energias produzidas pelo Universo, clima e temperatura acamaram seres minúsculos dando origem à vida até chegar aos seres mais complexos e, através de um processo de hibridês todos os s Seres viventes iniciaram uma grande jornada.
Conforme a proposição de Alexander Oparim, em 1936, ele explica, através de uma hipótese, que na atmosfera primitiva da Terra existiriam gases como metano, amônia, hidrogênio e vapores de água; sob altas temperaturas na presença de centelhas elétricas e raios ultravioleta, tais gases teriam se combinado originando aminoácidos que ficavam flutuando na atmosfera. Com a saturação de umidade na atmosfera começaram a ocorrer as chuvas. Os aminoácidos, arrastados para o solo e submetidos a aquecimento prolongado, os aminoácidos combinavam-se uns com os outros formando proteínas. As chuvas lavavam as rochas e conduziam as proteínas para os mares, surgia então uma "sopa de proteínas" nas águas mornas dos mares primitivos; as proteínas dissolvidas em água formavam colóides; os colóides se interpenetravam e originavam os coacervados; os coacervados englobavam moléculas de nucleoproteínas que depois se organizavam em gotículas delimitadas por membrana lipoprotéica, daí surgindo as primeiras células. Porém, essas células pioneiras eram muito simples e ainda não dispunham de um equipamento enzimático capaz de realizar a fotossíntese. Eram, portanto, heterótrofas. Só mais tarde, surgiram as células autótrofas, mais evoluídas, permitindo o aparecimento dos seres de respiração aeróbia. Diante de tudo isso, podemos concluir que a evolução passou por vários períodos de transformação e adaptação resultando na genética humana.
Contudo, algumas observações, mesmo para um leigo, fica claro que o nosso Planeta, a Terra, ainda está em evolução; a Terra, ainda está em formação geológica, nada está pronto, terminado, pois vulcões ainda derramam lavas e terremotos indicam movimentos das placas tectônicas, sem contar com outros fenômenos, ditos naturais, que ocorrem constantemente; por conseguinte, o Ser humano também ainda não é um “Ser terminado”, segue, juntamente com o Planeta Terra sua evolução natural. Esta é a mais fantástica prova de que tudo no planeta contém vida e movimento. E vai permanecer assim durante muitos milhões de anos.
E como surgiu o Espírito neste Ser em evolução?
Apesar de a Terra e o Ser Humano estarem ainda no processo evolutivo, a natureza encontrou meios de aglutinar energias que, desde a formação da vida, denominada “animalização da matéria” até chegar aos seres possuidores de cérebros demorou mais de três bilhões de anos. Através do processo evolutivo toda matéria “animalizada” foi constituída pelos elementares que, após muitas etapas evolutivas, adquiriu um cérebro e posteriormente o raciocínio.
Uma dessas etapas está relacionada aos animais, neles, o principio da inteligência é elaborado e individualizado; de certa forma, uma preparação onde, na sequência, o principio inteligente torna-se um Espírito individualizado, é então o momento onde começa o período da humanidade. Allan Kardec, em “O livro dos Espíritos” afirma que: “É nesses seres (os animais) que o princípio inteligente se elabora, se individualiza, e pouco a pouco, ensaia para a vida. É, de certa maneira um trabalho preparatório, como o da germinação, em seguida ao qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna um espírito. É, então, que começa, para ele, o período da humanidade e, com esta, passa a tomar consciência de seu futuro, a fazer a distinção entre o bem e o mal e se torna responsável por seus atos”.
Emmanuel, em O Consolador, informa sobre o assunto: “A vida do animal apresenta uma finalidade superior que constitui a do seu aperfeiçoamento próprio através das experiências benfeitoras do trabalho e da aquisição em longos e pacientes esforços dos princípios sagrados da inteligência. Os animais são os irmãos inferiores do gênero humano. Eles também, como nós, estão vindo de longe, através de lutas incessantes e redentoras, e são como nós outros, seres humanos, candidatos a uma posição brilhante na espiritualidade”.
André Luiz, em O Mundo Maior, descreve o processo: “O princípio espiritual, desde o obscuro momento da criação, caminha, sem detença, para frente. Afastou-se do leito oceânico, atingiu a superfície das águas protetoras, moveu-se em direção à lama das margens, debateu-se no charco, chegou à terra firme, experimentou na floresta copioso material de formas representativas, ergueu-se do solo, contemplou os céus e, depois de longos milênios, durante os quais aprendeu a procriar, alimentar-se, escolher, lembrar e sentir, conquistou a inteligência... Viajou do simples impulso para a irritabilidade de sensação... Da sensação para o instinto... Do instinto para a razão... Nessa penosa romagem, inúmeros milênios decorreram sobre nós... Estamos em todas as épocas abandonando esferas inferiores a fim de escalonar as superiores. O cérebro é o órgão sagrado da manifestação da mente em trânsito da animalidade primitiva para a espiritualidade humana”...e acrescenta: “O mineral é atração. O vegetal é sensação. O animal é instinto. O homem é razão. O anjo é divindade. Busquemos reconhecer a infinidade dos laços que nos unem nos valores gradativos da evolução e ergamos, em nosso íntimo, o santuário da fraternidade universal”.
Por força de conceitos criados por religiões e por uma “imposição de doutrina”, espiritualistas definem o inicio de tudo como uma criação divina, porém, diante dessas declarações, de ilustres personalidades, podemos concluir que no animal há o princípio inteligente, contudo, ainda não é espírito. Eles ainda não possuem consciência, e a inteligência é extremamente limitada e comandada pelos instintos.
De acordo com a dissertação descrita na Bíblia sobre a “Criação” (vide êxodos) e o conceito “evolucionista”, certificado pela ciência, encontramos nos últimos três parágrafos acima a união, o entendimento sobre e como tudo começou, que em principio, a divindade está relacionada ao Anjo, que pode estar a um propósito mais que religioso ou um mistério a ser desvendado.
Todo esse entendimento tem por principio o simbolismo; o “anjo símbolo” princípio da compreensão do Ser humano em relação ao sagrado, e daí o surgimento dos conceitos religiosos, nasce o mito e, em uma gnose coletiva, aparecem esporadicamente nas primeiras comunidades humanas as divindades e, juntamente com as divindades, os primeiros sacerdotes e sacerdotisas, Os mitos aparecem sempre relacionados com "histórias" fantásticas sobre deuses e semideuses, havendo nesse momento a criação de rituais nas primeiras manifestações religiosas definindo a crença e o posicionamento da fé em relação àqueles deuses.
Todas as religiões são baseadas e sustentadas por mitos, e os ritos sustentam a crença, a fé passa então a ser o sustentáculo individual em relação às divindades.
A fé, como elemento consubstanciado ao indivíduo, através dos valores e graus do pensamento, irradiam vontades e desejos de realizações. Este princípio está baseado na força do pensamento humano criando no intimo de cada um imagens capaz de transformar sentimentos e produzir sensações. 
Este processo até ter sido completo demorou alguns milhares de anos e os protagonistas da historia, os Seres humanos, também criaram dentro de si escudos protetores denominados “anjos da guarda” que, fortalecidos pela ação da fé passaram a ter papel fundamental no “Espírito humano” resultante da própria evolução do cérebro e consequentemente do pensamento e do raciocínio.
Contudo, o “Espírito humano” precisou evoluir também, igualmente a matéria vivente. Corpo e mente se fundiram. O Espírito, agora como energia latente ao Ser humano, descobriu a sobrevivência, a necessidade de interação com outros Seres, tendo por consequência a universalização das crenças, crenças formalizadas por cada cultura, por cada povo.
Quando falamos de Criacionismo/Evolucionismo não podemos deixar de falar da relação direta no contexto de deus ou deuses, dos mitos relacionados a eles e da composição cultural em todos os povos.
A história da humanidade, independentemente a qualquer cultura ou povo, sempre foi ligada aos fatores naturais; as intempéries amedrontavam assim como os animais ferozes na escuridão das noites. No principio, nas primeiras manifestações de grupos familiares, o Ser humano, muito temeroso àqueles fenômenos, se refugiavam em cavernas, grutas escuras onde o imaginário primitivo já esboçava a criação dos “fantasmas”, o medo os dominava, o receio de uma morte súbita aniquilava qualquer reação de defesa. Nos grandes rios e mares infindáveis, monstros apareciam e desapareciam no sabor das marés; em terra firme, grandes feras com dentes pontiagudos e garras afiadas podiam ser a caça ou os caçadores. Mas, o Ser humano por ter sido o primeiro animal a conquistar o raciocínio sobreviveu, seu Espírito evoluiu criando as barreiras de proteção.
Do imaginário humano surgiram as primeiras tentativas de se relacionar com um universo não material, para tanto, na solidão das cavernas, admirados com suas sombras projetadas nas paredes de pedras diante da luz de fogueiras, os primeiros “desenhos mágicos” apareceram.  A descoberta da “alma”, projetada, ficou evidente e reconhecida apesar dos mistérios.
As imagens nas cavernas contribuíram para o inicio da formação cultural e religiosa dos primeiros povos, pois nas pinturas rupestres estavam suas rotinas, principalmente cenas de caça e lutas contra feras, mais tarde, cenas de guerras foram incluídas. Juntamente surgiram também os símbolos que demarcariam territórios ou a presença de algo ligado a alguma crença em Seres magníficos, surgia assim também os primeiros mitos relacionados ao universo espiritual. Desde o paleolítico o Ser humano criou mitos, historias que foram transmitidas de geração em geração.
O “Espírito”, já existente, evoluía de conformidade ao crescimento do cérebro que, a cada raciocínio, a cada experiência vivida, absorvia mais conhecimento. Desta forma passamos pela idade dos metais, época em que os primeiros deuses surgem e recebem denominações nas formações tribais.
Os deuses criados a partir da necessidade humana com o objetivo de esclarecer fenômenos naturais deram impulso ao que podemos chamar de “Mentalização à Divindade”, pois, a cada ocorrência de fenômenos naturais, o Ser humano recorria à sua divindade criada um pedido de socorro e ao qual era sempre acompanhado de oferendas. A cada deus criado as oferendas eram especificas e complementadas por rituais primitivos.
Com a mente evoluída o Espírito foi então dimensionado à um mundo paralelo, ou seja, um universo subjetivo criado a partir do reconhecimento dos fenômenos naturais. Desta época também surgem os primeiros deuses demiurgos, deuses protetores da família e dos clãs existentes.
Existem outros argumentos em relação ao surgimento do “Espírito”, a teoria dos “Exilados de Capela. Tal teoria afirma que o Espírito veio habitar os primeiros corpos nos primórdios da raça humana. Além dessa teoria, a Bíblia nos dá relatos em Êxodos da “criação do Espírito”.
Mas, atentemo-nos para fatos concretos: o criacionismo, por ser uma teoria religiosa, é uma teoria um tanto falha em relação ao conteúdo espiritual, pois, não leva em consideração a própria evolução natural, tanto do corpo carnal quanto ao Espírito propriamente dito, ou mesmo aos fenômenos espirituais.

Dos fenômenos espirituais.       
Do antigo Egito temos relatos históricos de que muitos faraós possuíam mediunidade com grau elevado e, sem mesmo perceberem eram incorporados por “deuses”; isso vem constatar que, mesmo sem terem conhecimento do mecanismo que dominava os corpos e mentes, o transe acontecia com frequência, chegando ao ponto de os próprios faraós se considerarem deuses.
A mente humana é responsável pelos próprios fenômenos espirituais, existe nela um “elo de ligação”, um portal criado com o universo paralelo possuidor de energias capaz de produzir os fenômenos mediúnicos. Funcionando como um rádio, como órgão receptor, o cérebro é capaz de captar energias fluídicas, energias de Seres habitantes das dimensões extracorpóreas, espíritos existentes e criados a partir da própria vivência terrena através da própria evolução natural; mas também, como órgão emissor, o cérebro irradia energias das quais, a crença e a fé se desenvolveram no Ser humano. Este fato está relacionado com a lei de causa e efeito, lei determinada pelo equilíbrio do Universo.
O “Grande Espírito” ou “Grande Energia” são elementos fragmentados, pois cada elemento existente, vivente ou não, possui uma parcela do todo ou de todas as energias do Universo, e o conjunto equilibrado dessas energias resulta na estrutura espiritual de todo e qualquer indivíduo.
O Grande Espírito pode ser denominado de deus, arquiteto Universal, criador, a grande energia e tantos outros epítetos, são formas culturais e religiosas de definir a complexidade de toda a existência, porém, todas as civilizações encontraram formas de representar, através de símbolos ou figuras, todos aqueles Seres fantásticos que, transmutados em energias, foram nominados. Dessa crença surgiu a fé que tonou-se um conceito de esperança e de realizações. A fé ultrapassa todas as fronteiras físicas, religiosas e culturais de qualquer povo. A fé passou a criar valores morais e acrescentou o intelecto humano a favor da espiritualidade, proporcionando bem estar e conforto e, subsequentemente as conquistas do progresso material.
O “Tempo” então imprimiu no Ser humano condições naturais em relação à crença e a fé nas Energias universais. O Espírito, produzido pela evolução natural, tomou dimensões de um “Ser” formado pela energia inteligente advinda da própria evolução natural e com a capacidade de se desprender da matéria quando esta não possui mais o suporte da vida, tornou-se desta forma “outra vida” em um universo etéreo.
Este Universo etéreo é um universo paralelo ao terreno denominado universo espiritual, nele existem dimensões formadas pelas próprias energias universais, dimensões estas que filtram as energias regressivas, ou seja, energias não benéficas para a evolução do próprio Universo. Espíritos regressivos ou não evoluídos permanecem ligados ao Mundo terreno; no entanto, esta ligação permite-os a evoluir, seja por meio do reconhecimento da regressão quando de estadias na matéria ou retornando em outro Ser, ao qual podemos denominar de reencarnação. Estas idas e vindas a um corpo físico são as oportunidades de evolução que o espírito tem para alcançar as dimensões de energias mais equilibradas para sua própria evolução e, consequentemente a evolução do próprio Universo.
Muitos dos Espíritos desprendidos da matéria permanecem ligados ao mundo terreno, são àqueles que, por opção ou determinação de energias superiores, fazem parte de um grande exército lutando a favor das energias evolutivas. No entanto, juntamente com este exército existem outros que permanecem na escuridão, são os espíritos que a cada reencarnação chegam a regredirem ao irracional, perdendo por completo toda a formação genética espiritual, retroagindo assim ao hominal.   
Da mesma forma que um Ser humano possui a carga genética material, o Espírito tem e si a carga genética de quando do seu desprendimento da matéria, um arquivo permanente de todas suas ações, hábitos, cultura, feitos e sentimentos durante as vidas anteriores.
Quando um Espírito reencarna traz consigo toda a carga genética espiritual adquirida anteriormente com a vivência de outras reencarnações, ou seja, de outras vidas, daí o processo evolutivo do próprio espírito humano; não raro temos exemplos de personagens na historia da humanidade com habilidades extraordinárias.
O cérebro humano criou mecanismos receptivos a determinados fenômenos aos quais, alguns deles, foram denominados de mediunidade. A mediunidade é a capacidade que um indivíduo possui de incorporar “outro espírito” sem prejuízo ao seu próprio, é uma faculdade humana que consiste na sintonia espiritual entre dois seres, e é uma ocorrência de ordem natural. É um processo físico espiritual de manifestação de energias já vivenciadas ou por um histórico ancestralizado.
Tratado pelas ciências e religiões espíritas têm em cada ramificação uma denominação à aqueles espíritos. Obedientes a uma hierarquia, devido ao seu grau de evolução, possuem missões a serem cumpridas. Porém, alguns espíritos ainda em desalinho com as energias equilibradas aproveitam “brechas” em um corpo físico para se manifestarem, estes são os espíritos que ainda não encontraram a Luz ou não foram resgatados, suas memórias, agora espirituais, ainda não reconheceram que não mais pertencem ao mundo material.
O caminho da Luz é o caminho do equilíbrio Universal e, aqueles espíritos, possuidores de missões, são os responsáveis em resgatar àqueles que, porventura, tenham se desviado ou se perdido ao se depararem no Universo espiritual.
Quando se fala em “caminhos da Luz”, pode-se entender que a Luz é o alimento do espírito, sem ela o espírito não progride, não alcança o equilíbrio Universal. A Luz, como energia primordial, é o inicio de tudo. A Luz poderíamos dizer que é a semente da “divindade” e o portal a ser ultrapassado na caminhada do espírito para a evolução.    
A existência de fenômenos mediúnicos podem ter outras descrições. A clarividência, a intuição e a psicografia são alguns, e todos pertencentes ao que podemos chamar de “comunicação com o plano espiritual”
       Na Bíblia, em Êxodo, alguns capítulos reportam incontáveis passagens desde que os espíritos alcançaram condições na caminhada evolutiva e são identificadas desde os mais remotos tempos. Moisés, Abrahão, José e o próprio Jesus. Muitos outros profetas experimentaram os fenômenos espirituais por possuírem grande mediunidade. No novo testamento, estão vários relatos em relação a mediunidade, em grande parte dos apóstolos e seguidores de Jesus. Nos livros sagrados do Hinduísmo também encontramos muitos passagens relacionados com a mediunidade. São muitas citações em todas as culturas de todos os povos primitivos. Também, mais precisamente nas culturas orientais, há a existência de grandes médiuns, porém com características determinantes a cada cultura local.
Outra ocorrência das leis naturais para a evolução é a “Lei da atração”. Assim como todos os planetas possuem uma atração natural, o Ser humano também a possui ao seu redor, aquilo que muitos determinam como áurea; esta, por sua vez é determinante no atrativo das energias circundantes que, fazendo parte essencial da espiritualidade, funcionam como filtros das energias pessoais, daí, surgindo as ditas “empatias”, uma das formas de defesa do espírito.
Assim como existe no Universo as leis naturais da atração para manter em equilíbrio todos os Planetas, no Ser humano existe o que podemos denominar como lei de “causa e efeito”, ação e reação, lei que determina outra lei a qual denominamos de “Lei do Retorno”.
A Lei do retorno para o espírito humano funciona de conformidade às ações, palavras gestos e pensamentos; portanto, tudo aquilo que o Ser humano emana de si alcança objetivos.
Estas leis naturais advém do próprio Universo em forma de energia, pois, cada palavra, gesto, pensamento ou ação que o Ser humano produz são transportados por átomos imateriais, partículas de energias de pensamentos, que provocam um movimento orbital em torno dele próprio e, como esse movimento é circular e espiralado, sempre retorna ao ponto de partida. A energia produzida pela fé pode ser citada como exemplo.
Como vemos, de fato existe uma semelhança entre o Universo material e o Universo espiritual, a diferença está apenas na dimensão da existência de energias no espaço e tempo.
Assim como o Ser humano necessita estar agregado a uma sociedade, a uma cultura, modo de vida, etc. e respeitar as leis que regem o grupo convivente, o espírito também possui, no universo imaterial, leis de convivência as quais têm que ser respeitadas. Isso é determinante para a evolução que, da mesma forma com a qual o Ser vivente está no universo material para cumprir uma caminhada para a evolução, obedecer as leis naturais desses dois universos é uma prerrogativa diante do livre arbítrio.
O livre arbítrio aparece diante dos Seres humanos como “escolhas de caminhos”, que poderão ser benéficos ou não, pois, como seres viventes desconhecem o futuro, porém, para os espíritos essa escolha é mais temerosa, pois são conhecedores dos resultados implicando em retornos ou em retrocessos.
Não existe Espírito livre de uma determinada hierarquia no universo espiritual, todos os espíritos são subordinados a espíritos mais elevados os quais comandam as energias do próprio universo espiritual. Da mesma forma que os Seres humanos são subordinados à leis naturais e sociais impostas para o crescimento e para a evolução, daí as escolhas perante ao livre arbítrio.
O universo espiritual foi criado pela própria evolução do espírito humano com energias evoluídas e concentradas aos propósitos, o da sobrevivência e da continuidade. O universo espiritual é determinante para a eternidade com a expansão das próprias energias, ou seja, do próprio Universo como um todo, pois tudo é energia.
Não existe materialidade de um deus no Universo espiritual, esta “materialidade“ é um processo exclusivo nos Seres humanos sob forma de símbolos e elementos representativos de uma cultura e de uma  crença.
Uma das leis naturais mais importantes existente no Universo é a “lei do movimento eterno”, no entanto, esta lei nos deixa uma brecha para um conceito, o do “Ponto Zero”, conceito que dispõe a existência em algum lugar do Universo, que nos apresenta como a morada de deus ou um portal para outros Universos. Este “Ponto Zero” pode estar em qualquer lugar, pois, pela grandeza do Universo, próximo ou distante, não podemos imaginar a dimensão de espaço e tempo do todo universal.
A existência de um ponto fixo no Universo nos faz pensar em algo demandador de todas as energias, ou seja, de um Ser absoluto. No antigo Egito o deus Rá era simbolizado pelo sol, astro maior e centro da nossa galáxia, irradiador de luz. Porém, indo mais além da estrela maior, o sol, astro luminoso em nossa galáxia, podemos encontrar outros mundos e outros sóis. Para o Universo, um ponto fixo ou um ponto ao qual chamamos de Ponto Zero torna-se muito subjetivo, tão quanto em acreditar que neste ponto está a morada de uma divindade. 
Portanto, é na atividade e no pensamento religioso que a divindade se apresenta. Toda atividade religiosa funciona como uma conexão com o universo espiritual, o culto em si é uma das bases de comunicação com uma ou mais divindades ou Seres espirituais.
Divindades e seres espirituais não estão afastados da Orbe terrestre, estes Seres estão mais próximos dos seres viventes do que podemos imaginar e, por conseguinte, o afastamento de uma atividade religiosa, da crença, e principalmente da fé, implica no afastamento, tanto da divindade quanto daqueles Seres espirituais de luz que nos cercam. Desprotegidos pela falta de crença e fé o ser humano fica a deriva em todas as suas atividades como uma nau perdida em um oceano revolto.
Como em todo o Universo existe uma hierarquia e um equilíbrio entre todos os planetas, equilíbrio este proporcionado pela atração e movimentos orbitais, no Universo espiritual existe também normas de convivência entre os Espíritos que, em forma de “energia consciente”, estão nas esferas espirituais e nas diversas subdivisões vibratórias do mundo dos espíritos trabalhando em prol dos, ainda seres viventes, trazendo paz e conforto, não obstante das reencarnações de mentes privilegiadas que vem em missões para o constante desenvolvimento da humanidade.
Uma comprovação da existência do espírito advindo da “dimensão espiritual” é a proporcionada pela incorporação em médiuns ou mesmo outros fenômenos decorrentes de processos, nem sempre religiosos; tais fenômenos ocorrem espontaneamente devido ao DNA espiritual que possui sua graduação.
Além da espontaneidade, dando uma maior importância à receptividade, a conexão espiritual proporcionada pela ação da crença e da fé, torna-se sempre um ato de contemplação ao universo desconhecido da espiritualidade. A presença de “espíritos incorporados” prova definitivamente a existência de um universo maior, paralelo e possível de ser alcançado.
No entanto, nem sempre os espíritos necessitam incorporar para estarem presentes ao universo material, pois, espíritos são energias fluídicas conscientes, esta forma de apresentação ao mundo dos vivos não é percebida facilmente, há que haver uma conexão espiritualizada de um indivíduo com aquele espírito em questão, são os casos dos paranormais e de médiuns muito bem preparados. A paranormalidade é um fenômeno paralelo os fenômenos espirituais, daí dizer-se dos dons paranormais em indivíduos que não têm a mínima noção ou conhecimento de sua própria espiritualidade..
Todos aqueles espíritos que ainda fazem moradia ou permanecem nas camadas mais densas e próximas aos viventes, costumam manter suas individualidades e características de quando estavam encarnados, portanto, quando “incorporados” mantêm suas características culturais de vivência terrena, isso ocorre pela capacidade de manter a memória espiritual recente produzida na ultima reencarnação.
Este e outros fenômenos podem ser observados nas seções em centros Umbandistas ou em reuniões espíritas, ou ainda em processos de xamanismo em determinadas culturas. Nelas, os espíritos se apresentam em manifestações de forma muito variada, mas sempre com suas características individuais.
A evolução de um espírito que ainda está em orbe terrestre sempre está atrelada à uma convivência com um médium, pois, sem um “corpo físico” aquele espírito não tem como interagir com seus conhecimentos ou suas necessidades. No entanto, nem sempre espíritos conviventes nas camadas mais densas permanecem nessas camadas, transitam apenas para poderem dar sequência à sua evolução participando de um trabalho conjunto com outros espíritos nas mesmas condições, daí dizer-se das falanges espirituais. Nessas falanges existem os espíritos que fazem resgates, são eles que encaminham os espíritos desencarnados recentes, ou mesmo espíritos que permanecem na escuridão do tempo e do espaço para uma dimensão de camadas menos densas e esclarecedoras. Porém, para esses espíritos de resgate, o livre arbítrio é respeitado, assim como em todas as camadas existentes no plano espiritual, nada é imposto para que um espírito evolua; este processo é um processo individual que o espírito, como energia racional, decide aceitar ou não uma nova caminhada.  
A natureza e a sabedoria universal encarregaram-se por si só da evolução, tanto material quanto espiritual de todos os Seres vivos, o tempo auxiliado pelo movimento do Universo encarregou-se de formar estruturas que, nem sempre compreendidas pelos humanos, vai continuar eternamente a produzir uma infinidade de energias.
Para podermos entender a mecânica do Universo no sentido da evolução espiritual é necessária a prática e uma conexão no trato com espíritos desencarnados e evoluídos, no entanto, muitos espíritos se passam por evoluídos para poder penetrar em orbes menos densas, contudo, existem os guardiões, espíritos guerreiros evoluídos e preparados para uma batalha entre as energias positivas e negativas.
Todo este universo criado a partir do desejo humano de não estar só desde os primórdios tempos, tornou-se real devido a emanação da energia produzida pelo pensamento, resultado da evolução do próprio cérebro que criou mecanismos para que o raciocínio funcionasse como forma de conexão entre o real e o abstrato.
Sabe-se hoje que a ciência desenvolveu o que denominamos de nanotecnologia, processo destinado a produzir desde aromas até dados para softwer no uso da informática, processo este que pode também produzir movimentos através de impulsos elétricos ou de partículas microscópicas e movimentos por rádio comunicação, desta forma, podemos analisar também a formação de todo o Universo, e nele, tudo que existe materializado, tornando-se assim, todo o Universo em um infinito laboratório, e do qual, nós humanos fazemos parte, somos todos elementais nas mãos do Tempo.
Um espírito não possui forma alguma, constituído de energia guarda dentro de cada elemento formador, partículas infinitamente minúsculas daquela energia, o DNA, características individuais de bilhões de anos de evolução e, a materialização torna-se possível pelo acúmulo daquelas energias.
No entanto, nada é perfeito enquanto não forem equalizadas as energias, o equilíbrio entre as energias positivas e negativas devem estar em medidas exatas, porém, nem sempre são conseguidas, isso por “N” fatores.
Discute-se muito das possibilidades universais, de como tudo começou e, por princípios religiosos, morais e éticos, cada civilização ou povo procurou uma forma de explicar a existência de deus e os ditos fenômenos subjetivos universais, incluindo aqui a presença do espírito nos Seres vivos.
Mas, independente de qualquer crença religiosa ou principio filosófico, o ser humano absorveu de toda sua evolução a maior e imprescindível energia, a energia da fé. Esta energia transmuta pensamentos em realizações. Gerada pela capacidade de raciocínio, tem o poder de emitir, sob forma de fluidos, mensagens aos mais diversos Seres espirituais evoluídos, mesmo àqueles habitantes ainda em orbes mais próximas ao mundo material ou camadas mais densas. Desta forma, e através da crença e da fé, a comunicação determinada pela força gerada pela energia do pensamento humano alcança o universo espiritual.
Em busca de um prolongamento da vida terrena o Ser humano criou, através das religiões, espaços independentes no universo espiritual, desta forma surgiu o paraíso e o inferno, conceitos baseados para premiar os bons e castigar os maus, um espaço denominado limbo para a depuração e espera da caminhada para um universo mais contemplador ou purificador da “alma”. Tal conceito é a projeção da imaginação e do espírito humano e das próprias vicissitudes vivenciadas materialmente. Da mesma forma, o cérebro humano trata o conceito da aproximação com o sagrado esperando pela salvação do espírito.
A construção do universo espiritual passa pela mente humana; cada Ser com a capacidade e grau de evolução possui suas características individuais adquiridas do processo da formação do DNA espiritual e do DNA material que são adquiridas pelo processo do universo material e com influências do contexto social e das vivencias nas diversas encarnações.
Dessa forma podemos reconhecer que a existência do universo espiritual, portanto, um universo paralelo, é o principio básico para a própria evolução espiritual, nele os conteúdos de uma energia viva permanece com suas individualidades. O processo de evolução humana fica então na dependência do livre arbítrio.
Espíritos decaídos por escolhas mal feitas são estimulados por energias de baixa intensidade evolutiva, influenciando ainda mais a ter atitudes menos favoráveis ao crescimento; porém, pela ação do livre arbítrio houver o reconhecimento de falhas nas escolhas, aqueles espíritos passam a ter estímulos de energias espirituais mais evoluídas, e dessa forma, são recompostos através de reencarnações aos caminhos para a evolução. Como exemplo, pode ser citado o caso de um indivíduo considerado “mau caráter” pela sociedade. Tal indivíduo não dá importância aos conceitos básicos de uma boa convivência, este indivíduo é estimulado a cometer mais e mais deslizes com intenções de prejuízo a outrem. No entanto, se este mesmo indivíduo reconhecer que suas atitudes não estão sendo compatíveis com o meio em que vive, a luta entre as energias é iniciada e, energias benéficas vão lutar a favor da evolução daquele indivíduo.
A luta entre as energias positivas e negativas vão ao extremo, pois, a dominação das energias negativas é mais abrangente, coabita constantemente com os seres menos evoluídos espiritualmente pertencentes às orbes mais densas.
Este processo, constante desde o principio da formação do Universo, é o responsável pela própria evolução na formação material humana, e consequentemente pela evolução do espírito que continuará pela eternidade.
Essa questão, entre energias positivas e negativas, está relacionada ao espírito conquanto sejam "Energias/Espíritos", pois, a existência no universo imaterial não comporta aglomeração de matéria densa, ou seja: formação de elementos consubstanciados.
O corpo humano, portanto material, após ter passado milhões de anos em evolução ainda continua a evoluir, este é o sustentáculo, do então agora espírito, também resultado de uma evolução espontânea com as idas e vindas no processo de reencarnação desde o início da formação racional no hominal.
 Em caminhadas lentas, avançando degraus sobre degraus, o espírito humano vai galgando um espaço infíndo através do Universo e, na sua imensidão, conforme o ciclo evolutivo, pode alcançar outras orbes de constelações, ou mesmo fazer parte, através da transmutação Energia/Matéria, formar novas estrelas, pois delas emanam a eternidade da energia formadora de tudo e de toda sabedoria Universal.
                                         

                                  


Sobre religião e mItologia - crença e fé.



                                           Da mitologia surgiu a crença e a fé.
Na antiguidade o Ser humano não conseguia explicar os fenômenos que ocorriam na natureza, passou então a dar nomes e criar em um universo subjetivo à aqueles fenômenos, considerando-os como deuses. O trovão, a chuva, o relâmpago, os ventos e tudo mais inspiravam para a criação de um Deus. O Céu tornou-se um Deus pai todo poderoso porque os cobriam por todos lugares e a Terra em uma Deusa mãe, e todos os demais seres viventes seus filhos. Criavam assim, a partir do inconsciente, historias e aventuras que explicavam de forma poética toda uma vivência e convivência com seres extraordinários.
As historias tornaram-se divinas e eram passadas de geração a geração adquirindo aspecto mítico religioso.
Por toda a Terra e em todas as civilizações foram criados núcleos arquétipos mitológicos, a esses grupos são dados os nomes de mitologemas. À um conjunto de mitologemas e de uma mesma origem histórica denominamos mitologia; aos mitos passaram a se unir os ritos, os quais, renovados e acrescidos por valores culturais foram chamados de mistérios. O rito tornou-se ato, ato que atualizou o mito em seu mistério e, ao conjunto de rituais e mitos crio-se então os símbolos que cercam o mitologema promovendo o ritual. Ao conjunto de rituais e mitos, com origens históricas comuns dá-se o nome de religião, e a esta, unem-se preceitos éticos-morais os quais são denominados de doutrinas religiosas que são compostas de tabus, proibições e segredos herméticos.
Posicionados em uma determinada estrutura, cada religião criou seus ídolos, ícones de barro, pedra, metal, ou mesmo representados em estandartes e as figuras míticas do inconsciente passaram a existir em altares nos templos, em portais como guardiões de uma comunidade ou de uma casa, ou mesmo de forma minúscula em escapulários como protetores individuais.
Toda essa iconografia transcendeu ao material e criou no inconsciente humano todas as formas de crenças religiosas e, o espírito, primordial aos viventes, absorveu os paradigmas até então formulados; e cada povo, cada civilização passou a desenvolver a fé, que desde então, tornou-se inerente e corresponde aos anseios psicológicos transmutados em energia.
As religiões espiritualistas, sejam de manifestações corpóreas ou não, todos os processos esotéricos ou qualquer outra forma de manifestação religiosa, são usuários de forma implícita daquelas energias transmutadas, ou seja, a fé. A fé sempre é consignada a alguma crença ou à alguma  vontade pessoal ou coletiva.
Aparentemente podemos distinguir determinados padrões de fé, mas nunca podemos avaliar a intensidade. A fé, por ser subjetiva pode alcançar níveis elevados produzindo energias em determinados momentos e de formas incontroláveis, derivando daí os ditos milagres apregoados pelos mais exaltados.
 Os seres mitológicos, deuses, semi deuses, personagens heroicos, deuses demiurgos e tantos outros ícones personificados como divindades ou santos, sempre foram criação do imaginário humano que, transmutados em energias se manifestam no inconsciente humano, criando-se assim um universo paralelo, o mundo dos espíritos, humanos ou não.
E neste universo apareceram os espíritos benignos, espírito das águas, das florestas e de todo o reino vivente, vegetal e animal, espíritos que passaram a lutar contra as investidas de guerras e lutas infrutíferas ao desenvolvimento humano. Mas também surgiram aqueles que pertencem às trevas para aniquilar o caminho da luz, bastava ao seu criador, o próprio homem, controlar essas forças.                                                                                   
                                                           Forças da natureza espiritual
     Com o surgimento do Espírito humano, depois de milhões de anos de evolução, todas essas forças espirituais, benignas ou maléficas, permaneceram ao redor de todos os seres viventes, quando não, encerradas em seus corpos, algumas promovendo guerras e outras em busca da paz, porém, ainda de maneira desequilibrada e, em cada ser humano refletia suas próprias ansiedades, daí os dizeres de mau agouro, de intervenções doentias e descaminho na vida, e que podem afetar indivíduos ou até mesmo uma comunidade.
     Com isso, o consciente humano, frágil diante de tantas energias ainda desconhecidas e em desequilíbrio, criou no inconsciente um bloqueio, uma parede refletiva onde as dúvidas e incertezas passaram a residir; e por essa razão, ainda hoje, muitos de nós, humanos, ainda não conseguimos o pensamento pleno, a concentração pura, e por consequência a desistência de muitos projetos ou a não realização dos sonhos, tendo como resultado o subdesenvolvimento e o atraso espiritual e material de muitas populações.
Desta forma, não só para a vida material, mas principalmente para a vida espiritual é necessário que as energias estejam alinhadas, em equilíbrio permanente e, é através de uma manifestação de fé, independente de religião, que o ser humano consegue a plenitude das realizações pessoais ou coletivas, pois a fé é a vontade suprema do Ser. 
 As energias de natureza espiritual com que o ser humano convive são demasiadamente enormes e por muitas vezes de difícil controle; no entanto, existem ritos muito antigos que são formulados para corretamente alcançar o equilíbrio. 



No universo imaterial da crença e da fé, não somente os ritos formulados nas religiões, mas também muitos lugares tornaram-se símbolos sagrados; caminhos são seguidos até os dias de hoje em peregrinações, escadarias são galgadas de joelhos e promessas são pagas por algum “milagre”. De grandes monumentos a pequenos altares, grutas e até mesmo pedras santificadas tornaram-se ícones religiosos promotores da fé neste universo de neófitos. Independentemente a qual religião esteja o individuo agregado, nela, existem elementos, de alguma forma, consagrados dentro de rituais apropriados do qual o ser humano faz uso.
O retumbar de tambores, o bater de palmas, hinos, louvores, cânticos, tilintar de gonzos e sinos associados a gestos e orações formuladas, agem como indutores de energias controladoras, energias espirituais adormecidas ou em desequilíbrio.
Podemos observar isso ocorrer quando de rituais religiosos, alguns, até mesmo específicos nas religiões com princípios ditos pagãos. Nos templos onde são feitos ritos de consagração, a manifestação da energia/espírito ocorre; apresentam-se pelas sensações humanas que estão sempre disponibilizadas a manifestar-se, bastando somente uma oportunidade para que ocorra tal fenômeno.
Tais manifestações são a sínteses da psique humana que, recebida como herança ao nascer, passa a integrar corpo e mente dando ao individuo, características, arquétipos, índoles, ou até mesmo, ao que podemos chamar de destino humano, independente ao meio em que viva.
Porém, toda essa crença religiosa é baseada em um principio, o principio do livre arbítrio; a escolha deve ser respeitada e nunca imposta por conceitos formulados por um individuo ou um grupo. A espiritualidade é sempre desenvolvida de acordo com a vontade do individuo; no entanto, é necessário que tal indivíduo reconheça a existência de forças, energias sobre humanas a serem lapidadas, tratadas para alcançar o equilíbrio.
Há milhares de anos o ser humano criou fórmulas mágicas religiosas que funcionam como um catalisador, para reunir todas as energias e filtrá-las e dar equilíbrio a cada uma delas. O processo nas religiões ditas pagãs é efetuado por meio de sacerdotes, os quais, através de rituais apropriados manipulam elementos consubstanciados a cada energia produzindo um equilíbrio entre o negativo e o positivo. Muitas das formulações “mágico-religiosas” são compostas de sacrifícios animais, porém, estas pertencem a uma estrutura religiosa complexa e independente. Na maior parte do tempo são utilizados elementos vegetais e minerais acompanhados de rezas, versos e cânticos.
Isso tudo já ocorria no antigo Egito, na Babilônia, na Grécia, no Mundo Romano, no Mundo Árabe e em muitas outras civilizações, inclusive os apontados pelas “escrituras sagradas”, principalmente em muitos dos versículos do antigo testamento.
De certa forma, o ser humano consegue controlar as forças espirituais criadas por ele próprio desde quando criou os deuses mitológicos, principio de todas as crenças.
A existência das energias espirituais, ou os próprios espíritos, são energias que estão condicionadas a determinadas normas, porém, recebem inúmeras denominações de conformidade a que religião esteja, ou venha se manifestar, mas essa é outra história.                                                                                                                                                                               
                                         Energias transmutadas em espíritos.
...E todas essas forças “espirituais”, benignas ou maléficas, passaram estão a fazer parte integrante e ao redor de todos os seres viventes podendo estar encerradas em seus corpos de maneira desequilibrada, daí os dizeres de mau agouro, de intervenções doentias e descaminho na vida. Este fato, evidência ou descrença, está baseada em conceitos religiosos ou por convicções da ciência.
        Não só para a vida material, mas, principalmente para a vida espiritual é necessário que as energias estejam alinhadas, em equilíbrio permanente e, é através de uma manifestação de desejo e fé, independente de religião, que o ser humano consegue a plenitude das realizações pessoais ou coletivas. 
Como já foi mencionado aqui, independentemente a que religião ou qualquer outro segmento religioso esteja o individuo agregado, existem elementos que constituem e promovem, de alguma forma. Rituais consagrados à algum deus, santo, entidade espiritual, ou um ser extraordinário mitológico, tais elementos, consagrados para tais finalidades estão quase sempre associados a gestos, palavras e orações e funcionam como indutores e/ou expansores daquelas energias com finalidade de promover algum fenômeno extra corpóreo.
        As energias espirituais são recebidas como herança genética que passa a integrar corpo e mente dando ao individuo os arquétipos, índoles, ou até mesmo o que se pode chamar de destino humano influenciando também nas características individuai. A espiritualidade é sempre desenvolvida por vontade própria ou pela própria evolução determinada por aquela genética espiritual, que no caso não precisa de uma interferência de conceito religioso ou de qaulquer doutrina. No entanto, é necessário que haja o reconhecimento daquele individuo da existência de tais forças para que sejam lapidadas e tratadas para alcançar o equilíbrio necessário.
De certa forma, o ser humano consegue controlar as forças espirituais criadas por ele próprio desde quando criou aqueles deuses mitológicos, principio de todas as crenças e religiões, as quais, transmutadas por uma gnose coletiva resultou nas crenças e na fé humana.
No universo espiritual ou universo paralelo ao terreno, encontram-se os deuses, anjos, santos, entidades iluminadas, entidades guias, e muitos outros, existindo ainda a crença em gnomos, fadas, sereias e ondinas, muitos deles, representam em culturas distintas os seres da vida pós-vida; estes seres são constituídos de energias, podendo, no entanto, serem positivas ou negativas. Mas, incontestavelmente, as energias do próprio Ser humano é que podem interferir para o bem ou para os malefícios dele próprio ou de outrem.
As energias, quando positivas, são energias benéficas, aquelas que fazem todos os indivíduos se irmanarem, cada um passa a ser um elo de uma corrente, tornando-se desta forma uma comunidade benfazeja com objetivos claros de crescimento e desenvolvimento humano, espiritual e material. Quando negativas, as energias são energias que brigam entre si, desencaminhadas, perdidas num labirinto, provocando os piores dos resultados para o ser humano.
Todos os seres viventes são possuidores de energias positivas e negativas e, para que vivamos em harmonia, estas energias precisam estar em equilíbrio.
Quantos de nós já passamos ou assistimos episódios como, o de ouvir falar de olho grande, seca pimenteira e outros adjetivos, sempre estar relacionado a um nome, a uma pessoa, a um objeto ou até mesmo a um espírito? Isso ocorre pela liberação de energias negativas que, em muitos casos, sem mesmo que aquele que a possua tome conhecimento. Algumas outras vicissitudes  também são sintomas de energias negativas: a inveja, o despeito, os preconceitos, as injurias, as raivas, os instintos vingativos, os perjúrios, etc. Por vezes, estas energias estão alinhavadas na vida de um individuo devido a uma companhia espiritual que precisa de orientação, de caminhos e esclarecimentos, dizem-se deles os tais “encostos”; os espíritos que assim procedem desconhecem seu estado, pois ainda não perceberam que não mais pertencem ao universo dos seres vivos. Porém, existem também os espíritos de boas energias, são os espíritos protetores, os denominados anjos da guarda, guias, mestres, Orixás, etc.  
Nas várias culturas espalhadas pela Terra, existem muitas denominações para um e outro espírito, no entanto, o conteúdo das energias são as mesmas reconhecidas nas várias religiões, que podem ser benéficas ou maléficas, positivas ou negativas.
Algumas religiões, no entanto, possuem características idênticas no tratamento e encaminhamento para alcançar o equilíbrio das energias, tanto humanas quanto espirituais; a escolha de um dos caminhos a ser seguido sempre deve ser com fé e esperança, pois, é isso que move o ser humano na busca do crescimento e do seu desenvolvimento.
O ser humano ainda não está de posse de um conhecimento para distinguir determinados fenômenos que ocorrem com seu próprio corpo/espírito, porém, além de muitos argumentos, o que é apresentado, são indivíduos com algumas diferenças proporcionadas por uma diversidade de fatores. Diz-se de alguns indivíduos que são mais receptivos a determinadas energias, são os médiuns, indivíduos, que preparados ou não, podem manter um elo dinâmico com energias e espíritos desencarnados.
No entanto, uma das formas é a de manifestação, na qual, a incorporação ocorre sem mesmo a existência de um agente provocador, ou seja: algum ritual específico. Os espíritos desencarnados sempre procuram uma ligação com tudo aquilo que deixaram para trás, ou seja: suas ansiedades, seus desejos, seus erros, acertos e conceitos com os quais conviviam, mas, principalmente suas “dívidas karmicas”, erros que conseqüentemente precisam corrigir para o sucessivo desenvolvimento.    
Como órgão receptor, o corpo humano de pessoas predispostas, os médiuns, passam a servir de sustentação para uma energia “extracorpórea” e, quando dominados por esses espíritos, passam a agir de conformidade a que cada um se apresenta com seus arquétipos. Tais espíritos podem ser evoluídos ou não. Os espíritos evoluídos incorporam com energias equilibradas, pois, conscientes de suas missões, estão preparados e doutrinados para cumpri-las. No caso dos espíritos não evoluídos, aqueles possuidores de energias desequilibradas, apresentam-se com rebeldia e estão como poderíamos dizer, a deriva, perdidos, desencaminhados necessitando de doutrina.
O Ser humano ainda tem muito à reconhecer de suas origens espirituais, para só então, com precisão, poder definir sua caminhada ao mundo desconhecido da sobrevivência e evolução espiritual.

          Mito ou historia?
Enquanto a historia reflete todas as circunstâncias de vida de um povo, o mito foi criado para explicar pensamentos e atos na religião. Todas as culturas humanas retrataram seus acontecimentos extraordinários através da mitologia, sempre para se fazerem entender nas relações, principalmente com o sagrado e com o inexplicável universo do inconsciente e de suas crenças.
Personificados por formas humanas ou de animais, os deuses e deusas permanecem no inconsciente humano como forma de fuga de uma realidade ainda não compreendida, e o subjetivo aparece retratado em gravuras, estelas, estátuas e nas pinturas sacras.
 Esta foi a forma que o ser humano encontrou, em todos os tempos, para estar mais próximo ao sagrado; transformou idéias em objetos reais sacros, criou estórias e lendas, transformou ancestrais em deuses demiurgos, uniu-os aos deuses tribais em figuras sincréticas, assim nasceu o mito.
Muitas das “estórias” são singulares a várias culturas, mesmo separadas por imensos oceanos ou grandes extensões de terra e, os deuses, com características idênticas, são os principais personagens de todo um enredo programado, sempre por um personagem maior, um deus superior.
A mitologia é uma forma espontânea, cultural de qualquer povo que acredita naquilo que não vê, mas sente e transfere toda essa crença e, os caminhos percorridos pelos deuses passam a refletir nas características de cada individuo em cada uma das religiões.
Cada lenda é um tempo vivido, uma ação, um movimento feito pelo personagem, dando a idéia de uma transferência de conhecimento que, absorvido pelo ser humano, o conduz cada vez mais ao encontro com a realidade subjetiva, a fé.   
As religiões afros brasileiras são todas mescladas de conceitos reais e mitológicos derivados das culturas advindas do continente africano, independentemente a que nação ou segmento pertença.
Nos rituais é que podemos observar toda a filosofia no trato com o sagrado, por vezes, parecendo mesmo que em determinados momentos, o culto se divide entre o sagrado e o profano. As cantigas, as batidas dos atabaques e as danças, por vezes, refletindo um sentido profano, feitas por seus adeptos, formam um conjunto aprimorado, como se uma viajem ao passado fosse feita. A cada batida, com mãos ou varetas e a cada passo dado no bailar rememoram os caminhos percorridos pelos deuses africanos.
O ponto principal de um culto nas casas de candomblé é a manifestação do sagrado transmutado em um indivíduo, momento no qual são reconhecidas todas as energias emanadas de um universo paralelo ao reino natural, porém, não correspondendo a um universo espiritual; são energias incorporadas no próprio individuo que, iniciado passa a ter essa capacidade e, depois de celebradas, estas energias em “forma humana” voltam ao seu estado natural. Desta maneira podemos entender as várias manifestações das várias “divindades astralizadas”. Nos bailados de Yemanjá os braços ondulam numa alusão as águas dos mares; mas também, seus braços podem ascender numa forma de acalanto demonstrando-a ser a mãe da matéria primordial na construção da Terra, a própria água. Seus feitos remontam aos primórdios do universo, onde seria também a progenitora de todos os demais Orixás, ou seja, de todos os elementos naturais quando da alusão que venha significar que cada elemento possua sua individualidade. Com Yemanjá, num patamar mitológico superior, está Oxalá, o Ar, o sopro de vida que, responsável pela construção da Terra e não ter conseguido foi substituído por sua irmã Oduwa, cabendo a Oxalá a missão de fazer o ser humano, e assim povoou todo o Planeta.
Juntamente com Yemanjá e Oxalá, está outra energia num formato do deus mais polêmico do panteão, Exú, que representa o dinamismo, a quentura do movimento, o atrito e o sentido da procriação; tornam-se assim um quadrunvirato da construção de todos os elementos, a água, o ar, a terra e o fogo.
 Oduwa, por não ser cultuada nos candomblés é somente rememorada quando da presença de Oxalá em algumas cantigas e ritos, sua energia está contida em culto independente, o culto às Yiá mi. Da interação Terra/água, surge Nãnã, Orixá das mais antigas, detentora da lama, do barro formador das espécies vivas no planeta. Desta forma é entendida a gênese no conceito do povo Nagô.
Os acontecimentos mitológicos são apenas representativos para entender toda a estrutura da religião quando baseados nos conceitos do povo Nagô, no entanto, todas as formulações ritualísticas possuem conteúdos sincréticos com outras nações determinantes nos candomblés.  
Além dos Orixás primordiais, Yemanjá - água, Oxalá - Ar, Oduwa, cognominada Onilé – Terra e Exú o fogo, existe no panteão dos deuses africanos uma infinidade de outros deuses, porém, apenas alguns atravessaram os mares rumo ao Brasil. Suas estórias são narradas de forma mítica e entendidas muitas vezes como historias reais.
Quando da criação da Terra, segundo o mito nagô, em tempos imemoriais, nos ciclos milenares do desenvolvimento humano, chegou a era dos metais e com ela uma divindade foi criada, Ogún, o deus das guerras que, mitologicamente com suas duas espadas em formato de facão desbravou caminhos dando ao ser humano a possibilidade de inventar armas de guerra e ferramentas para a agricultura. Este, juntamente com Exú, o deus da continuidade material, é que foram e continuam sendo os responsáveis pelo desenvolvimento humano.
Quando o ser humano reconheceu, pelo raciocínio a utilização de ferramentas substituiu a coleta pela produção de alimentos. Oxossi, o deus das matas, continuou a caçar e dando possibilidades aos humanos de procurar caminhos de trabalho, nos dias atuais, a caça tornou-se uma alegoria, uma representação na evolução humana.
A descoberta dos sentimentos humanos, diferenciando-os dos animais primatas, inaugurou um tempo de criação de conceitos para sobrevivência; nascia assim o respeito pela gestação, e com ela, Oxún a deusa das águas doces e das nascentes que sustentou e sustenta no ventre de todas as mulheres o fator de poder gerar vida. Este processo foi que determinou o poder feminino absoluto, surgindo daí as Yiá bás, as mães rainhas e zelosas dos castelos imaginários de um mundo mítico.  
Progressivamente a humanidade foi se adaptando no Planeta recém construído; surgiram outras divindades, pois, a cada passo, eram personificados deuses representativos. A natureza florescia, produzia frutos e os homens produziam guerras e escravos. Novos deuses surgiam e reis foram divinizados e, neste cenário apareceu Xangô, o deus da justiça que, enlouquecido pelas barbáries, dele e de seus inimigos dizem ter se enforcado. Seus machados, cortantes nas duas faces são como a própria justiça, um lado é a benevolência o outro o castigo.
Da interação – Oxóssi/ Oxún – nasceu Logun, energia jovial, tão jovial quanto o planeta criado representando a renovação dos ciclos, das eras. Desta maneira, as águas da terra elevaram-se aos céus por Oxumarè após os grandes dilúvios, esta energia é que permite chuvas; com ele, numa alegoria encantadora surge Ewá, a beleza, energia transformadora e constante do universo. Porém, essas transformações constantes e num ritmo de evolução apressado, transmutam as energias de Iansã, Orixá determinante na provocação de movimentos e das guerras pessoais simbolizadas pelos raios. Obà está também consagrada entre as deusas da evolução; o vermelho, matiz na formação da Terra ainda explode nas bocarras dos vulcões.
Mas a renovação constante de elementos, matéria/energia, precisa ser feita, vida e morte de elementos, doença/saúde, bem e mau, conceitos de todas as vicissitudes são energias que devem ser depuradas e, desta forma Obaluayé está presente; ele é o socorro, o médico do Planeta e de tudo que nele contém, é a energia produtora, tanto de pragas - castigos, quanto de benevolência trazendo as curas. E na Terra também surgiram as plantas, seres vivos e dependentes de todas as energias, como o ser humano. As folhas, ervas medicinais trazidas pela magia de Ossanhe, energia completa, complexa e diversificada ao mesmo tempo.
...E todas essas energias bailam, flutuam na natureza, cada uma com seus cantos e encantamentos, particularidades que agregam ao ser humano quando do nascimento e o acompanham até a devolução de todas as substâncias na morte à Mãe Terra.
Para representar todas estas energias o ser humano criou o culto à natureza e dela absorveu conteúdos que, através de uma magia religiosa os Orixás se manifestam nas casas de Candomblé. E eles dançam seus feitos mitológicos. Cada passo, cada gesto e, até mesmo cada respiração envolve a assistência num retorno aos primórdios tempos, reinterpretando toda uma história, mitos e sentimentos.
Nos movimentos das danças e que são interpretados, de forma a entender as energias manifestadas. As ondas dos mares e as turbulências das águas estão nos braços e requebros de Yemanjá, a deusa dos mares e mãe dos filhos peixes. As águas límpidas das nascentes estão no murmúrio e no acalanto de Oxún. Os raios e tempestades estão nos movimentos frenéticos de Iansã. Nos gestos agressivos quando Xangô lança seus machados de fogo, os eduns ará numa equivalência de justiça. Nos movimentos ágeis de Ogún estão alegorias de guerras e de batalhas vencidas. Nas posições homéricas de um caçador, quando Oxóssi lança suas flechas dando direção da fartura. No resplandecer das mudanças bruscas do tempo dos gestos alusivos que Ewá representa, indicando que cada dia é um dia e deve ser vivido plenamente. Na dança das folhas de Ossayn. Na direção dada por Oxumarè apontando o caminho das águas pelo arco íris. - Nos movimentos tectônicos da energia do Planeta está Obá, a deusa que respira pelos vulcões. Na lentidão dos passos cansados de Nanã devido ao tempo de existência. No ritmo atenuado do tempo, como as nuvens da paz e um telhado branco por sobre as cabeças, Oxalá caminha sobre a Terra ou no infinito universo e, Exu provocador de todos os movimentos é o incansável mensageiro, trazendo e levando as oferendas ao Olimpo dos deuses africanos, os deuses do candomblé.
Mas não só toda essa estrutura mitológica formada tornou-se suficiente para que a crença fosse estabelecida. Na ausência de um elemento palpável, criaram-se os símbolos, cores, ferramentas e adereços que resplandecem em todas as formulações consagradas aos deuses africanos, aos Orixás que, desta forma, cada um deles possui suas individualidades, seus apetrechos e armas, mas de maneira alegórica e mitológica para impulsionar de forma dinâmica o desenvolvimento humano.
A crença nesta forma de religião não é meramente uma fuga, a crença é baseada em fenômenos estruturados no próprio indivíduo que são manifestados pelas energias contidas em um DNA espiritual, que, passivamente e através de ritos apropriados devem ser tratados e desenvolvidos por sacerdotes e sacerdotisas, daí, o caminho religioso no Candomblé torna-se uma opção.